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Brasil,06/03/2026

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    Dia Internacional da Mulher evidencia gargalos no diagnóstico do câncer de mama no Brasil

    Sociedade Brasileira de Mastologia


    Dia Internacional da Mulher evidencia gargalos no diagnóstico do câncer de mama no Brasil Divulgação

    O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é frequentemente marcado por homenagens e campanhas de valorização feminina. No entanto, a data também abre espaço para reflexões urgentes sobre a saúde da mulher — especialmente quando se trata do câncer de mama, a doença oncológica mais incidente entre mulheres no Brasil.

    Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023–2025, o país deve registrar cerca de 74 mil novos casos de câncer de mama por ano. Apesar dos avanços científicos, das terapias modernas e do crescimento das campanhas de conscientização, especialistas alertam que um problema estrutural ainda compromete os resultados do tratamento: o diagnóstico tardio.

    A Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais (SBM-MG) chama a atenção para um cenário preocupante. Em muitos casos, mulheres brasileiras chegam ao sistema de saúde já com tumores em estágio avançado, o que reduz as chances de cura e aumenta a complexidade do tratamento.

    Tempo como fator decisivo no prognóstico

    Para Dr. Henrique Lima Couto, mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, o ponto central da discussão é o tempo entre o surgimento dos primeiros sinais, a realização dos exames e o início do tratamento.

    Segundo ele, em oncologia, cada etapa perdida pode impactar diretamente as chances de sobrevivência da paciente.

    Em oncologia, tempo é prognóstico. Quando o diagnóstico atrasa, a chance diminui. O problema não é apenas a incidência elevada, mas a demora entre o primeiro sintoma, o exame e o início do tratamento”, explica Henrique.

    O especialista ressalta que, embora o Brasil tenha avançado em tecnologias terapêuticas e na capacitação de profissionais, o acesso ao diagnóstico ainda é desigual, principalmente quando se analisa a realidade do sistema público de saúde.

    Essa lacuna faz com que muitas mulheres iniciem o tratamento apenas quando a doença já se encontra em estágio localmente avançado ou metastático — fases em que as possibilidades de cura diminuem significativamente.

    Rastreamento ainda é um desafio estrutural

    Em países com sistemas de rastreamento organizados, como Canadá, Reino Unido e Estados Unidos, a mamografia periódica é parte de programas estruturados de saúde pública. Nesses locais, a maioria dos tumores é identificada em fases iniciais, quando as taxas de sobrevida podem ultrapassar 90% em cinco anos.

    No Brasil, entretanto, o rastreamento ainda ocorre de forma fragmentada e pouco sistematizada.

    Dr. Henrique Lima Couto destaca que a ausência de um programa nacional plenamente organizado gera desigualdades regionais e dificulta o acesso rápido ao diagnóstico.

    Quando o sistema demora, a doença avança. E o atraso se reflete nas taxas de mortalidade. Não estamos falando apenas de números, mas de desfechos que poderiam ser diferentes com organização e acesso”, afirma o mastologista.

    A realidade mostra que muitas mulheres enfrentam longas filas para exames, dificuldades de encaminhamento entre unidades de saúde e atrasos na realização de biópsias ou no início do tratamento.

    Mesmo com a chamada Lei dos 60 dias, que determina que o tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até dois meses após o diagnóstico confirmado, o intervalo entre a suspeita inicial e a confirmação da doença ainda pode ser longo em diversas regiões do país.

    A importância da detecção precoce

    O câncer de mama tem maiores chances de cura quando detectado precocemente. Por isso, especialistas reforçam a importância de estratégias que envolvam educação em saúde, acesso à mamografia e organização do sistema de rastreamento.

    Entre os principais sinais de alerta estão:

    • nódulo endurecido na mama ou na axila

    • alteração no formato ou no tamanho da mama

    • retração ou mudança no mamilo

    • secreção mamilar

    • alterações na pele da mama, como vermelhidão ou aspecto semelhante à casca de laranja

    Embora nem todos os casos apresentem sintomas iniciais, a mamografia continua sendo o principal método de rastreamento, capaz de identificar tumores antes mesmo de serem palpáveis.

    No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a realização do exame a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, faixa etária considerada de maior risco populacional.

    Debate que vai além da conscientização

    No contexto do Dia Internacional da Mulher, a discussão sobre o câncer de mama ganha um significado que ultrapassa as campanhas simbólicas. Para especialistas e entidades médicas, a questão deve ser tratada como prioridade de política pública.

    Ampliar o acesso ao diagnóstico, estruturar programas de rastreamento organizados e reduzir o intervalo entre suspeita, confirmação e tratamento são medidas consideradas fundamentais para alterar o panorama da doença no país.

    Para Dr. Henrique Lima Couto, a solução passa necessariamente por planejamento e integração entre os diferentes níveis do sistema de saúde.

    Quando conseguimos identificar o tumor cedo, mudamos completamente a história da paciente. O câncer de mama tem altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente. O grande desafio ainda é garantir que todas as mulheres tenham acesso ao diagnóstico no momento certo”, conclui.

    Diante de números que permanecem elevados, o Dia Internacional da Mulher surge também como um convite à reflexão coletiva: cuidar da saúde feminina não é apenas uma pauta de conscientização, mas uma responsabilidade estruturante do sistema de saúde e da sociedade.




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