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Brasil,16/03/2026

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    Black Power com Rúbia Nagô's


    Black Power com Rúbia Nagô's Foto: Matheus Moraes

    Mulher, negra, mãe e empreendedora. Rúbia Nagô’s é cabeleireira especializada no estilo afro e tem ganhado destaque na sua área de atuação por focar no empoderamento do povo negro, por meio da valorização e aceitação dos cabelos crespos. 


    Ao longo de sua trajetória, chegou a atender cerca de 850 clientes e o sucesso do seu empreendimento foi tanto que, atualmente, Rúbia realiza cursos que abordam todas as vertentes de tranças e penteados afros, seja para turmas ou aulas individuais. Além dos procedimentos técnicos, suas aulas relatam a história e o contexto das tranças no Brasil e no mundo e, ainda, discute a questão da autoestima. 


    O diferencial da sua metodologia está em abordar “o fato de não se escolher ser trancista e sim nascer-se trancista, como um legado que é passado de pessoa para pessoa, de trancista para trancista, de trançadeira para trançadeira.... Não apenas como uma profissão, mas uma história contada através de cada trabalho”, garante a empresária. 

    Além dos workshops e cursos, Rúbia também realiza pequenas palestras em escolas de educação infantil e de ensino fundamental, com temas sobre a conscientização do autocuidado, principalmente em crianças negras e de pais e mães de crianças negras.

    O seu legado tem sido uma inspiração para que mulheres, negras e mães tenham autonomia sobre sua vida profissional. Mas, muito além disso, seu trabalho tem contribuído para o fomento da economia no bairro Serra. Em vista disso, no dia 11 de agosto de 2022, Rúbia Nagô’s recebeu o “Prêmio Destaque Empresarial e Comercial: Serra e Região” devido aos seus serviços prestados, ao atendimento, preço e qualidade. 

    Acompanhe a entrevista para saber mais sobre sua trajetória inspiradora!

    REVISTA SALTO - Nos conte quem é Rúbia Nagô’s. Quantos anos você tem, quais seus hobbies, se tem filhos, sua profissão, onde estuda…

    RÚBIA NAGÔ’S - Meu Nome é Rúbia Cátia ao contrário do que muitos pensam eu não me chamo Rúbia Nagô’s rsrs esse Codinome tem uma história que vou explicar mais a frente, Bom, tenho 35 anos, tenho duas filhas Raienne e Isis, de 17 anos e 8 anos. Sou Trancista há 8 anos aqui em BH, atendendo desde sempre no Bairro Serra (onde nasci e moro atualmente). Já trabalhei como Office Girl na área de advocacia, atendente de telemarketing, auxiliar administrativo na área da saúde, Educadora infantil de alfabetização e reforço escolar, professora de dança no projeto Escola Integrada, Babysitter...(ufa kkk). Atualmente estou me graduando Comunicação Social com ênfase em Jornalismo.. Dentre os meus hobbies, além da dança, gosto de trilhas, cachoeiras, paintball, saltos.Eu também amo livros, toco teclado e canto, além de escrever textos em diversas diretrizes poéticas. Amo futebol e faço parte de uma equipe de comentaristas esportivos no IG @agitatorcedor como uma das representantes do Atlético Mineiro.

    RS - Como você descobriu o talento para trabalhar com cabelos afro?

    RN - Na verdade apesar de ter um tio cabeleireiro nunca tive a intenção de trabalhar na área, porém eu costumo dizer que não escolhi a profissão e sim fui escolhida. Após passar por um processo de vida um pouco doloroso, minha tia foi a primeira a usar tranças devido a uma transição quase que forçada e no início era tudo bem diferente, principalmente os valores da época. Então, decidi tentar fazer para poder ajudar ela com sua autoestima… Ela foi minha primeira e maior incentivadora. A princípio não era nada assimétrico mas havia muito amor em fazê-lo. Com o tempo e prática fui aprimorando (sim, sem nenhum curso pois na época, haviam poucas "trançadeiras" e nenhuma tinha intenção de ensinar.) A partir daí comecei a trançar minhas primas e, de amiga em amiga, foi crescendo a clientela e decidi arriscar a nova "profissão".


    RS - Quando você começou a trabalhar como trancista e dreadmaker?

    RN - Em 2015 eu iniciei os trabalhos de trancista porém ainda dentro da minha casa e conciliando isso com minha outra profissão à noite e em finais de semana. A princípio, eu não sabia fazer dreads então comecei a procurar pessoas que faziam. Infelizmente, por ser um público muito restrito, não haviam tantos dreadmakers disponíveis até que conheci o Mitty Dread Styles e foi aí que o meu interesse pelo mundo afro cresceu ainda mais. Comecei a adquirir materiais sintéticos e fazer experimentações para ver até onde seria o meu limite. Acabei fazendo um curso com ele e me aprofundando mais.

    RS - Em quem você se inspira para realizar seus penteados?

    RN - Bom, sem dúvida alguma a minha maior inspiração foi a minha tia Sônia por me estimular e por me mostrar que nós podemos mudar se quisermos mudar. Nesse momento eu digo que me valeu muito a experiência da minha infância. Infelizmente era uma época em que se não sabia cuidar de cabelos crespos e a maior e melhor forma de se cuidar era raspando ou alisando os fios e eu fui uma criança e uma adolescente que teve a maior parte dos seus dias de cabelos alisados ou careca também. Esse processo era muito doloroso porque era nos embutido que o cabelo crespo não era bom, o cabelo crespo era sujo e o cabelo crespo não tinha que ter cuidados e sim atitudes extremas. Quando comecei a trabalhar com cabelos crespos eu queria ensinar outras crianças e evitar que outras crianças passassem pelos traumas que eu passei na minha infância com relação ao autocuidado e daí veio a ideia e a origem do codinome "Nagô's” Sempre me interessei muito pela história da origem dos povos africanos e por este motivo é a junção com a profissão "que me escolheu".


    “Acabei estudando bastante a história do povo Iorumbá, as tranças típicas deste povo em específico eram as tranças nagô (significam caminhos). As tranças Nagô eram utilizadas para desenhar rotas de fuga para os quilombos. Há diversos estudos que dizem que ‘no Brasil, no período da escravidão foi usada para fazer mapas e desenhar rotas de fuga. As tranças são testemunhas da resistência para planejar fugas das fazendas e casas de seus mestres. As mulheres se reuniam para pentear as crianças, e com a observação dos montes faziam nas cabeças um mapa cheio de saídas e caminhos de escape, os homens escravos ao ver sabiam qual caminho tomar, o código era desconhecido pelos amos’. Por esse motivo eu escolhi agregar este nome ao meu como se fossemos um só e dentro disso dizer que eu queria trazer caminhos, saídas, rotas de fuga: caminhos para uma auto-aceitação, auto conhecimento… Saídas para as limitações sociais e mentais instituídas pela sociedade e por nós mesmos por não conhecer a essência da nossa grandeza e herança cultural e fuga de um preconceito estrutural que nos tornou sujos,bagunçados ou constrangedores. Meu caminho era trazer caminhos de libertação mais profundos do que as prisões físicas e sim mentais e emocionais.”


    RS - Em média, quantas clientes você já chegou a atender?

    RN -  É difícil ter um número base. Mas, em média, entre clientes fixas das redondezas e clientes de outras cidades, chega a cerca de 850 clientes, além das clientes esporádicas. Isso de modo geral. Os atendimentos diários podem variar de 3 a 7 atendimentos de acordo com o modelo de serviço, já que cada serviço tem um tempo de execução diferenciado.

    RS - Quais são os estilos de cabelo afro que você trabalha?

    RN - Eu atendo e trabalho com todos os estilos de cabelos afro. Dentre esses estilos estão tranças Box Braids, Nagôs (simples, boxeadoras, gladiadoras e etc, twist, Knotles Braids), Dreads (sintético, orgânicos e faixslocs), Extensões Capilares (como Crochet Braids, Entrelace, Ponto Americano, Ponto Italiano, Microlink, Nanolink, Queratina), Fitagem, Hidratação e Texturização.

    RS - Quais dicas você dá para quem quer trabalhar com cabelos afro?

    RN - Além de amor, tenha tempo a ser investido e dinheiro, muitas pessoas vão aprender por si só, algumas porém precisarão aprender com a ajuda de alguém, isso não é problema algum cada um tem o seu tempo. Faça com amor tendo em mente que nenhum resultado é imediato, são degraus galgados dia após dia. dê o seu melhor e apesar dos pesares não desista, não se cobre demais, valorize-se desde o início. Lembre-se: uma trança não tem preço, tem valor!

    Dicas da Rúbia de transição capilar


      • Respeite o seu tempo: cada pessoa trabalha sua aceitação de uma forma diferente. Não é porque cliente tal fez big chop que você precisa passar pela transição de igual forma. É possível fazer transição de cabelos longos e o seu profissional de confiança pode e deve te ajudar a escolher a melhor forma de passar esta fase.
      • Não se preocupe com as diferentes texturas do seu cabelo, isso é mais que normal. Afinal, foram anos de processos para alisamento sendo eles a base de relaxamento ou escovas e pranchas.
      • Não acredite em processos milagrosos. Tudo que altera a textura ou forma natural do seu cabelo É SIM PROCEDIMENTO QUÍMICO, e pode te deixar refém.
      • Hidratação à base de óleo sempre será uma ótima pedida para cabelos crespos.
      • Não acredite em mitos sobre as tranças destruírem os fazerem os cabelos caírem ISSO NÃO É REAL, tudo tem haver com cuidado e prevenção.
      • Não trance cabelo com alisamento recente ou tintura. Os fios ficam sensíveis após os procedimentos citados e o cabelo precisa ser altamente hidratado para suportar o processo. Caso seja decisão transicionar, saiba que o cabelo com química sem a "alimentação química" quebra com maior facilidade independente de trançar ou não, opte pelo corte gradual.
      • Use tranças que valorizem seus traços e personalidade, pesquise o máximo possível. TRANÇA NÃO FAZ O CABELO CAIR! 
      • Para uma retirada saudável das tranças utilize óleo de sua preferência para desembaraçar (sem molhar o s cabelos), em seguida lave normalmente e hidrate.
      • O processo de transição vem carregado de diversas transformações, respeite e valorize a curvatura dos teus cachos!


      Quer valorizar seus cabelos crespos ou aprender a ser trancista? 

      Agende seu procedimento capilar ou curso no Studio Rúbia Nagôs, localizado no Bairro Serra (Vila Marçola), na Rua Bandoneon, nº 505.  Belo Horizonte (MG) e siga o instagram @rubianagos.











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