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Brasil,16/03/2026

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    Mamografia pode ajudar a identificar risco de doenças cardiovasculares em mulheres

    Estudos indicam que calcificações observadas no exame podem sinalizar maior probabilidade de infarto, AVC e outras complicações cardíacas


    Mamografia pode ajudar a identificar risco de doenças cardiovasculares em mulheres Gerada por IA

    A saúde da mulher vai muito além da prevenção do câncer de mama. Cada vez mais estudos mostram que exames de rotina podem revelar sinais importantes sobre outras condições de saúde, inclusive doenças cardiovasculares — ainda consideradas uma das principais causas de morte entre mulheres em todo o mundo.

    Dados da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) reforçam a presença feminina nos exames diagnósticos no Brasil. Dos 4,8 milhões de exames por imagem realizados pela instituição em 2025, 60,3% foram feitos por mulheres. O volume absoluto de pacientes do sexo feminino também cresceu de forma expressiva: foram mais de 184 mil novas pacientes em um ano, representando um aumento de 8,2%.

    Nesse cenário, a mamografia ganha relevância ampliada. Além de ser fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de mama, o exame também pode revelar indícios relacionados à saúde cardiovascular. Um estudo recente divulgado pela European Society of Cardiology analisou 123.762 mulheres sem histórico de doença cardiovascular e observou que depósitos de cálcio nas artérias da mama — visíveis em exames de mamografia — estão associados a maior risco de infarto, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade por causas cardiovasculares.

    Segundo a médica radiologista e especialista em mamas Dra. Vivian Milani, da FIDI, esse tipo de achado pode ser um importante sinal de alerta para investigação médica mais aprofundada.

    “Além de seu papel no diagnóstico precoce do câncer de mama, pesquisas apontam que a mamografia também pode revelar calcificações arteriais mamárias, achado associado em estudos a maior risco cardiovascular e que pode contribuir para o encaminhamento precoce dessas mulheres para investigação clínica complementar”, explica.

    A atenção à saúde cardiovascular feminina também precisa começar mais cedo do que muitas mulheres imaginam. Ao contrário da percepção de que exames por imagem são mais frequentes entre idosos, dados da FIDI entre 2019 e 2026 indicam que a maior parte das pacientes está na faixa adulta. Nesse período, 7,8 milhões de mulheres adultas realizaram exames, enquanto entre o público idoso foram registrados 4,9 milhões.

    O perfil revela que muitas mulheres buscam os exames ainda em idade produtiva, seja para prevenção, acompanhamento de saúde ocupacional ou durante a gestação. Essa vigilância precoce pode contribuir para diagnósticos mais rápidos e maior controle de fatores de risco.

    Outro exame que aparece com frequência entre o público feminino é o raio-X de tórax. Mais de dois milhões de exames foram realizados por mulheres e o procedimento costuma funcionar como uma “porta de entrada” para diagnósticos respiratórios e avaliações pré-operatórias. Embora não seja específico para doenças cardíacas, o exame pode revelar sinais indiretos de comprometimento cardiovascular, como aumento do tamanho do coração, congestão vascular pulmonar ou edema pulmonar em estágios mais avançados.

    Apesar de promissor, o uso da mamografia como indicativo de risco cardiovascular ainda é tema de debate na comunidade científica. Mesmo assim, especialistas reforçam que a saúde do coração das mulheres precisa de atenção constante. Infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares ainda são frequentemente subdiagnosticados no público feminino, muitas vezes porque os sintomas podem ser mais sutis ou diferentes dos observados nos homens.

    “Quando falamos em saúde da mulher, é essencial olhar para ela de forma integral. Muitas doenças cardiovasculares evoluem silenciosamente, e a identificação precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida da paciente”, ressalta a médica.

    A discussão ganha ainda mais relevância diante de dois desafios simultâneos da saúde feminina: o câncer de mama e as doenças cardiovasculares. No caso do câncer, apenas uma pequena parcela dos casos está associada a fatores genéticos. A maioria está relacionada a fatores comportamentais e ambientais, como consumo de álcool, obesidade, sedentarismo e uso prolongado de terapia hormonal sem acompanhamento médico.

    Nesse contexto, exames de rotina, acompanhamento médico regular e hábitos de vida saudáveis continuam sendo as principais ferramentas para reduzir riscos e ampliar as chances de diagnóstico precoce — tanto para o câncer quanto para doenças do coração.




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