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Belo Horizonte,07/02/2026

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    KAYETE - ÍCONE DAS RÁDIOS E DOS PALCOS

    Três décadas abrilhantando os palcos mineiros

    Revista Salto
    KAYETE -  ÍCONE DAS RÁDIOS E DOS PALCOS KAYETE/ Foto: Mauro Mendonça

    No vibrante cenário cultural de Belo Horizonte, uma figura se destaca por sua autenticidade e carisma: Kayete. Comemorando 30 anos de uma carreira brilhante, essa personalidade apaixonada pela vida e pelo humor, tem sido uma fonte de alegria e inspiração, especialmente na comunidade LGBTQIA+.

       Quem conhece Kayete, sabe que ela é a personificação da alegria. "Apaixonada pela vida", como ela mesma se descreve, sua carreira é um testemunho de determinação e propósito. Como figura pública LGBT+, Kayete enfrenta os desafios com um espírito indomável, pronta para superar qualquer obstáculo.

    "Nuuuunca vou me abater. Então é viver de peito aberto para a vida, colher tudo que ela tem de bom e superar as experiências e traumas ", afirma com convicção.

       A personagem Kayete, hoje uma figura icônica no cenário artístico, nasceu de uma conjuntura singular e inesperada. Tudo começou na "noite do Bilhetinho", em um antigo bar chamado Kule Burger, localizado no bairro Glória. Era uma época em que Kayete, exercendo seu talento nato para contar histórias, capturava a atenção do público com sua narrativa envolvente. "Uma noite eu inventei essa história e começou a bombar", recorda Kayete.

       Foi nesse ambiente descontraído e criativo que ela foi descoberta por um espectador admirado com sua habilidade de comunicação, que sugeriu: “cara, você se comunica muito bem, precisa ter um programa de Rádio”. Essa recomendação marcou o início de

       O convite para se aventurar no mundo do rádio foi um ponto de virada. Kayete estreou seu primeiro programa na OVNI FM, uma rádio comunitária no bairro São José, e foi um sucesso instantâneo. "Foi um sucesso! E lá pra cá me apaixonei pelo rádio e nunca mais larguei", diz ela com entusiasmo.

       A experiência de unir pessoas através de suas histórias no bar e, posteriormente, no rádio, demonstra seu dom natural para o entretenimento. Assim, através dessas vivências, nasceu Kayete, uma personagem que se tornaria querida por muitos, trazendo alegria e risadas por onde passa.

    Rádio, teatro e além

       Além dos rádios, nossa estrela também brilha nos palcos e na televisão. Além de ser uma voz familiar na rádio BH FM e na Rádio Globo do RJ, ela tem uma trajetória notável no teatro, onde sua paixão pela comédia se destaca. 

    "Eu também amo atuar nos palcos do nosso teatro com comédias", diz Kayete, evidenciando sua flexibilidade artística. 

       Seus trabalhos incluem participações em novelas da Rede Globo, como "Sangue Bom", e ela está se preparando para uma estreia no cinema com o filme "Socorro, tô falido".

       Este é um testemunho de sua habilidade de transitar entre diferentes mídias, sempre mantendo seu toque de humor e entretenimento.

       Na rádio, Kayete é uma figura icônica. Ela está há quase dez anos na BH FM, onde seu programa "Cassino da Kayete" tornou-se um favorito dos ouvintes. O programa, uma homenagem ao estilo de Chacrinha, mistura entretenimento, música e a típica enquete de Kayete, atraindo um público diversificado com seu carisma e criatividade.

    "É um Cassino baseado no Chacrinha", ela explica, destacando a influência do lendário apresentador em seu trabalho.

       Kayete também valoriza a cultura local, destacando artistas da própria cidade, o que demonstra seu compromisso em promover a cultura mineira.

    “Guara-pa-rir"  e outras conquistas:  A trajetória de sucesso de Kayete

        A peça de teatro "Guaraparir" se destaca como um marco na carreira de Kayete, uma comédia que conquistou o coração dos mineiros com sua narrativa envolvente e humor genuíno. Dirigida por Ílvio Amaral e Maurício Canguçu, a peça traz a história de Creuza e Aguinardo, um casal de farofeiros perdidos na Praia do Morro, discutindo a relação de forma cômica e identificável. "É uma diversão, gente. O público mineiro abraçou esse espetáculo desde a estreia", conta Kayete com entusiasmo. O sucesso de "Guaraparir" é atribuído não apenas ao talento de Kayete, mas também à química com Guilherme Oliveira, seu 'irmão de cena', e ao roteiro de Ronaldo Ciambroni, que captura a essência da cultura mineira.

        Além de "Guaraparir", Kayete tem em seu repertório outras peças que reafirmam sua versatilidade e paixão pelo teatro. "Deboche é Comédia" e "3 vezes Comédia", ambas co-escritas e dirigidas por Kayete e seus colegas de palco, são exemplos de seu trabalho multifacetado, oferecendo ao público momentos de riso e descontração. Ela também compartilha o palco com Carlos Nunes em "Aperte o Play e sorria", um espetáculo que mistura diversas histórias engraçadas.

        Kayete expressa um amor profundo pelo teatro e uma antecipação ansiosa por futuros projetos. "Eu amo, amo, amo e vem novidades por aí este ano também", ela anuncia com empolgação.

       Sua trajetória não se limita ao teatro, com planos de expandir seu talento para o cinema e outros palcos, mantendo seu público sempre à espera de mais risadas e momentos inesquecíveis.

        Os trabalhos que marcaram a carreira de Kayete refletem sua versatilidade como artista. O espetáculo "As Barbeiras", uma comédia sobre três cabeleireiras que recomeçam a vida abrindo uma barbearia, foi um grande sucesso, assim como "Guaraparir" e "Deboche é Comédia".

    Kayete e Caio Fernandes, uma identidade duas facetas

        Kayete nasceu da necessidade de um nome artístico para Caio Fernandes.

    "A Kayete veio porque eu precisava de um nome artístico, então Caio, Kayete", revela.

        Esta escolha simboliza o início de uma fusão entre duas identidades, transformando-se em uma expressão única de arte e vida. Kayete reflete sobre essa união, mostrando que a linha entre seu eu artístico e pessoal se tornou indistinta, uma mistura que ela abraça com orgulho.

       Evoluindo além de um mero pseudônimo, Kayete representa a jornada contínua de auto descoberta e crescimento pessoal.

    "Não me lembro a última vez que fui chamada pelo nome de Caio", diz ela, enfatizando como sua persona artística tomou a frente. 

        Para Kayete, a vida é um processo de aprendizado constante, onde cada experiência molda sua evolução como pessoa e artista. "Eu sou um ser humano em evolução", afirma, ressaltando sua jornada de aprendizado contínuo e a alegria em sua identidade multifacetada.

     "A Kayete veio porque eu precisava de um nome artístico, então Caio, Kayete", revela.

    Memórias da infância e adolescência

       Nascida em Belo Horizonte, ela se orgulha de suas raízes no norte de Minas, uma região conhecida por sua resiliência e espírito de luta. Essas qualidades claramente transparecem em sua jornada pessoal e profissional. A infância de Kayete foi um retrato colorido das ruas da década de 80, onde as brincadeiras ao ar livre formavam o cenário de sua vida feliz e humilde. "Era daquela família que ainda tinha o café da manhã, o almoço, o café da tarde, a jantinha, sempre", relembra com carinho. Esses momentos, embora simples, foram fundamentais para a formação de seu caráter e paixão pela vida, proporcionando a base sólida sobre a qual ela construiu sua carreira.

        No entanto, a adolescência trouxe desafios significativos, marcada pelo bullying na escola devido à sua identidade LGBT+.

    "Era muito vítima de piadinhas, Educação Física era uma luta", conta Kayete.

    Foi nessa época que ela descobriu a força da união e da cultura, formando um grupo com outros estudantes marginalizados e transformando a exclusão em popularidade. Essa experiência não só a ajudou a superar os obstáculos, mas também despertou seu interesse pela atuação. "Fui resgatada pela cultura, pela educação", afirma, enfatizando como esses elementos foram essenciais em sua recuperação e desenvolvimento artístico.

       Com o apoio incondicional de sua família, ela destacou a importância desse suporte, especialmente considerando as adversidades enfrentadas pela comunidade LGBTQIA+. "Meus pais foram pilares fundamentais", relembra, destacando o papel vital de seu falecido pai, Seu Juarez, e de sua mãe, D. Glória, que continua a oferecer apoio até hoje. Ela enfatizou o impacto positivo que o apoio familiar tem sobre as pessoas LGBT+, muitas das quais são marginalizadas ou rejeitadas por suas famílias. "No meu caso, o apoio fez toda a diferença", afirmou, sublinhando como isso a fortaleceu para enfrentar qualquer desafio.


    A  filosofia por trás do  seu sucesso

        Quando questionada sobre o que a manteve firme na criação e no sucesso da personagem Kayete, ela atribui seu sucesso à sua filosofia de vida: viver intensamente cada dia, amar-se, e nunca desistir diante dos contratempos.

    "Ame muito, se apaixone por você", ela aconselha, enfatizando a importância de se reinventar e aprender com os erros.

    Hoje, ela celebra não só o sucesso profissional, mas uma vida repleta de amor, apoio e felicidade.

    "Trabalho com o que amo e sou feliz dentro da minha existência", concluiu, deixando uma mensagem de otimismo e força para todos.





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