Roxinha Lisboa leva o sertão nordestino para a CAIXA Cultural Fortaleza na exposição “Meu Brasil Interior”
Mostra reúne mais de 70 obras da artista alagoana e convida o público a mergulhar nas memórias, cores e personagens do interior do Nordeste
Brenda Alcântara A CAIXA Cultural Fortaleza recebe, a partir de 18 de março, a exposição “Meu Brasil Interior”, dedicada à artista popular alagoana Roxinha Lisboa. Com entrada gratuita, a mostra reúne mais de 70 obras que retratam paisagens, memórias e personagens do sertão nordestino, traduzidos em cores vibrantes e composições espontâneas que marcam a identidade visual da artista.
Depois de uma temporada de grande repercussão na CAIXA Cultural Recife, onde recebeu mais de 100 mil visitantes, a exposição chega agora à capital cearense como parte de sua circulação nacional. A mostra apresenta ao público um panorama sensível da produção de Roxinha Lisboa, cuja obra dialoga diretamente com a cultura popular e com o cotidiano das comunidades do interior.
As pinturas revelam cenas de festas tradicionais, religiosidade, encontros entre vizinhos, paisagens rurais e momentos simples da vida no sertão. O resultado é um conjunto de trabalhos que mistura memória, imaginação e experiência de vida, transformando o cotidiano em narrativa visual.
A abertura da exposição em Fortaleza acontece na quarta-feira, 18 de março, às 19h, com a presença da artista, da curadora Jinny Lim e do co-curador Luciano Midlej, em um encontro aberto ao público. A mostra permanece em cartaz até 14 de junho de 2026, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil.
Uma trajetória que nasce da vivência no sertão
Natural do distrito de Lagoa de Pedra, no município de Pão de Açúcar (AL), Maria José Lisboa da Cruz — conhecida como Roxinha Lisboa — iniciou sua trajetória artística de forma autodidata apenas aos 59 anos.
Antes de se dedicar à arte, a artista trabalhou em diferentes atividades para sustentar a família, passando pela roça, pedreiras e também pela coleta de resíduos, função que exerceu durante quase duas décadas.
O contato com o desenho surgiu de forma espontânea, inicialmente como passatempo ao lado do marido, Domingos Lisboa. Com o tempo, o gesto simples de desenhar se transformou em um processo criativo contínuo.
Roxinha começou produzindo imagens em pedras e paredes, e depois ampliou seus suportes para papel, telhas, garrafas, cumbucas, pedaços de madeira e materiais reaproveitados encontrados no entorno de sua comunidade. Dessa experimentação nasceram imagens que retratam o universo que ela conhece de perto: casas coloridas, animais, festas populares, encontros cotidianos e lembranças da infância no sertão.
Em poucos anos, seu olhar sensível para o cotidiano nordestino chamou a atenção de curadores e instituições culturais. Hoje, Roxinha Lisboa é reconhecida como um dos nomes em evidência da arte naïf contemporânea brasileira, destacando-se pela espontaneidade e pela valorização da memória e das narrativas populares.
Exposição aposta em acessibilidade e inclusão
Além do conjunto de obras, “Meu Brasil Interior” também investe em recursos que ampliam o acesso à experiência cultural.
Cada trabalho exposto conta com descrições em braille e QR Codes que direcionam para conteúdos de audiodescrição. As narrações são feitas na voz da própria artista — recriada com apoio de inteligência artificial — permitindo que pessoas com deficiência visual tenham uma experiência mais completa com a exposição.
O espaço também oferece fones redutores de ruído, voltados para visitantes com sensibilidade auditiva, além de visitas mediadas com tradução em Libras, reforçando o compromisso da mostra com a inclusão e a democratização do acesso à arte.

Serviço
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil





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