Eu Fractal: obra transdisciplinar propõe nova leitura sobre identidade e consciência
Livro da psicóloga e física Beatriz Breves reúne ciência, psicanálise e pensamento complexo para investigar como se forma o Eu humano
Créditos: Laisa de Souza Em um momento em que diferentes áreas do conhecimento buscam compreender com mais profundidade a natureza da consciência e da identidade humana, o livro “Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo”, da pesquisadora Beatriz Breves, surge como uma proposta ousada e transdisciplinar. A obra revisita conceitos clássicos sobre quem somos e apresenta uma abordagem baseada no chamado paradigma vibracional, no qual corpo, mente e ambiente deixam de ser compreendidos como partes separadas.
Psicóloga, psicanalista e também formada em Física, Beatriz Breves reúne em sua trajetória acadêmica e profissional um percurso pouco comum. Essa combinação de saberes se reflete diretamente no livro, que propõe uma nova forma de compreender a identidade humana: o Eu Fractal.
Segundo a autora, a identidade não se forma de maneira linear ou isolada, mas em padrões que se repetem e se reorganizam ao longo da vida, semelhantes às estruturas fractais observadas na natureza. Esses padrões surgem a partir das experiências vividas, das emoções, das memórias e das interações com o mundo ao redor.
Quando ciência e subjetividade se encontram
A proposta do livro nasce do diálogo entre diferentes campos do conhecimento. Breves conecta psicanálise, física, biologia, arte e ciência da complexidade para ampliar a compreensão do funcionamento humano.
Nesse percurso, a autora também incorpora contribuições da neurobiologia vegetal e do Pensamento Complexo, desenvolvido pelo filósofo francês Edgar Morin, ampliando a discussão sobre como diferentes dimensões da vida se interligam.
A partir dessa abordagem, surge a chamada Ciência do Sentir, conceito desenvolvido pela própria pesquisadora e aprofundado ao longo da obra. Nessa perspectiva, compreender o ser humano exige considerar simultaneamente aspectos biológicos, psíquicos e ambientais.
A ideia de Consciência Alfa
Entre os conceitos centrais apresentados no livro está a Consciência Alfa, descrita como um complexo vibracional onde diferentes tempos da experiência humana — passado, presente e futuro — se encontram no chamado “Instante do Agora”.
Essa visão sugere que a história pessoal de cada indivíduo forma uma trama dinâmica que pode se reorganizar continuamente. Em vez de uma identidade fixa, o que existe seria um sistema vivo de experiências e percepções em constante transformação.
A própria autora observa que reduzir a identidade humana a apenas uma referência pode ser limitador:
“Não se pode definir a identidade de uma pessoa apenas sob um único olhar, pois existem diferentes referências de reconhecimento.”
Essa reflexão aponta para a necessidade de considerar tanto os aspectos biológicos quanto as dimensões psíquicas e subjetivas da existência.
Psicomplexidade e novas abordagens terapêuticas
Outro ponto importante apresentado no livro é o conceito de Psicomplexidade, que dá origem à chamada Psicoterapia Complexa. A abordagem terapêutica se sustenta em três pilares principais:
- o eco empático,
- a identificação de padrões que se repetem ao longo da vida,
- e o desenvolvimento do pensamento complexo.
A proposta busca ampliar a compreensão do funcionamento emocional e psicológico, permitindo que o indivíduo reconheça suas próprias camadas internas de forma mais integrada.
Um diálogo inusitado com inteligência artificial
Entre os elementos curiosos da obra está a presença de um diálogo conceitual com inteligência artificial. A autora inclui conversas com o sistema Copilot, que também assina o prefácio do livro. O recurso abre espaço para reflexões sobre como a tecnologia pode participar das discussões contemporâneas sobre consciência, conhecimento e subjetividade.
Um convite à investigação interior
Mais do que apresentar conceitos teóricos, “Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo” propõe uma jornada de autoconhecimento. A obra convida o leitor a observar suas próprias experiências com mais atenção e sensibilidade, estimulando uma percepção mais ampla sobre o próprio existir.
Com linguagem reflexiva e abordagem interdisciplinar, o livro se dirige a leitores interessados em psicologia, filosofia, ciência e desenvolvimento humano. Ao integrar diferentes áreas do saber, Beatriz Breves oferece uma perspectiva que desafia visões tradicionais e abre novas possibilidades de compreensão sobre o Eu.





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