Seja bem-vindo
Brasil,19/03/2026

    • A +
    • A -

    A nova lógica do software: menos código, mais impacto

    Como a Inteligência Artificial está reposicionando o papel das equipes de tecnologia e redefinindo o valor gerado no desenvolvimento


    A nova lógica do software: menos código, mais impacto Divulgação

    A Inteligência Artificial já deixou de ser promessa para se tornar realidade concreta dentro das empresas. Com ganhos expressivos de produtividade — que podem chegar a quase 50% em alguns casos —, o desenvolvimento de software vive uma virada silenciosa, mas profundamente transformadora.

    Mais do que acelerar processos, a IA está mudando a lógica do setor. O código, que antes era o centro da operação, perde protagonismo para algo mais estratégico: o impacto gerado no negócio.

    Para Fabio Seixas, CEO da Softo, essa transformação exige uma mudança urgente de mentalidade. “A principal virada é sair do foco em entregas técnicas para focar no problema que está sendo resolvido. O desenvolvedor deixa de ser um executor e passa a ser responsável pelo resultado”, afirma.


    Do código ao resultado: uma mudança de mentalidade

    Durante anos, equipes de tecnologia foram avaliadas por métricas como volume de entregas, commits ou velocidade de desenvolvimento. Com a IA assumindo parte significativa da produção, esse modelo começa a perder relevância.

    O ganho de eficiência, segundo Seixas, só se traduz em valor real quando o tempo economizado é redirecionado para decisões mais estratégicas. Isso inclui entender o contexto do cliente, questionar demandas e propor soluções mais eficazes.

    Nesse cenário, o profissional que apenas executa tarefas tende a perder espaço. Em contrapartida, ganha relevância quem compreende o negócio e atua de forma mais crítica e propositiva.


    Os novos gargalos do desenvolvimento

    Se antes o desafio estava na complexidade de escrever código, hoje ele se desloca para camadas menos visíveis — e mais críticas.

    Arquitetura mal estruturada, integrações frágeis, falhas de segurança e ausência de governança passam a ser os principais pontos de risco. Além disso, surge um novo problema: a falsa sensação de produtividade.

    “A facilidade de gerar código pode levar equipes a produzirem mais rápido, mas sem direção. Isso significa, muitas vezes, apenas acelerar o erro”, explica o especialista.

    Ou seja, a velocidade, por si só, não garante eficiência. Sem clareza estratégica, a IA pode apenas automatizar desperdícios.


    Tecnologia medida por impacto, não por esforço

    Com a mudança de cenário, surge também uma nova forma de avaliar o sucesso dos projetos. Em vez de medir entregas técnicas, empresas passam a acompanhar indicadores de negócio.

    Redução de custos, aumento de receita, melhoria na experiência do cliente ou diminuição de churn tornam-se métricas centrais.

    Na prática, isso exige uma mudança desde o início dos projetos: definir claramente qual resultado se espera alcançar antes mesmo da primeira linha de código.

    Modelos como os chamados “Outcome Pods”, adotados pela Softo, ilustram essa nova abordagem. Neles, equipes trabalham com foco contínuo em resultados mensuráveis, ajustando estratégias conforme os indicadores evoluem.


    O fim do modelo tradicional de contratos

    Essa transformação também impacta diretamente a forma como serviços de tecnologia são contratados.

    O modelo tradicional, baseado em horas trabalhadas ou escopo fechado, começa a perder espaço para formatos mais alinhados a desempenho e resultados. Isso porque, com a IA aumentando a produtividade, cobrar por esforço deixa de fazer sentido econômico.

    A tendência é o avanço de contratos com responsabilidade compartilhada, nos quais empresas de tecnologia assumem parte do risco e têm sua remuneração vinculada ao impacto gerado.

    “O mercado deve se dividir entre quem vende hora e quem vende resultado. E, cada vez mais, o cliente vai preferir quem assume responsabilidade junto com ele”, destaca Seixas.


    As novas competências da era da IA

    Com todas essas mudanças, o perfil do profissional de tecnologia também evolui. Conhecimento técnico continua importante, mas já não é suficiente.

    Três competências se tornam essenciais:

    • entendimento do negócio

    • pensamento crítico sobre o que a IA produz

    • capacidade de comunicação

    A habilidade de traduzir questões técnicas em decisões estratégicas passa a ser um diferencial competitivo.

    Em um cenário onde o código tende a se tornar cada vez mais automatizado, o valor humano está justamente na interpretação, no julgamento e na capacidade de conectar tecnologia a resultados concretos.


    Uma nova engenharia de valor

    A ascensão da Inteligência Artificial não elimina a complexidade do desenvolvimento de software — ela apenas a desloca.

    O que está em jogo agora não é mais a capacidade de produzir código, mas de gerar impacto real, mensurável e sustentável.

    Mais do que uma evolução tecnológica, trata-se de uma transformação estrutural. E, nesse novo contexto, vence quem deixa de entregar tarefas para entregar resultados.





    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.