Seja bem-vindo
Brasil,12/03/2026

    • A +
    • A -

    Unesp lança guia para orientar o uso de inteligência artificial na graduação e reforça princípios de ética e transparência

    Documento reúne orientações práticas para estudantes, professores e servidores sobre como utilizar ferramentas de IA de forma responsável no ambiente universitário


    Unesp lança guia para orientar o uso de inteligência artificial na graduação e reforça princípios de ética e transparência Azeitona Comunicação

    A crescente presença da inteligência artificial no cotidiano acadêmico levou a Universidade Estadual Paulista (Unesp) a dar um passo importante na organização desse novo cenário. A instituição lançou o “Guia para a Utilização de Inteligência Artificial na Graduação da Unesp: integridade, inovação e equidade”, documento que reúne orientações para o uso consciente e responsável dessas tecnologias nas atividades universitárias.

    A iniciativa busca esclarecer dúvidas e estabelecer diretrizes claras para estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos. Atualmente, a universidade conta com cerca de 35 mil estudantes matriculados em 136 cursos de graduação, distribuídos em 24 câmpus, o que torna a padronização dessas orientações uma medida estratégica para garantir boas práticas no ambiente acadêmico.

    Uso responsável da IA na educação

    O guia foi desenvolvido em parceria entre a Pró-Reitoria de Graduação e o Laboratório do Futuro, espaço institucional que reúne iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à aplicação de inteligência artificial dentro da universidade.

    As discussões que deram origem ao documento começaram no final de 2024 e fazem parte de um conjunto de ações que posicionam a Unesp entre as instituições pioneiras no Brasil na criação de normas sobre o uso da IA generativa na educação superior.

    Em abril do ano passado, a universidade já havia publicado uma normativa inicial voltada ao uso dessas ferramentas no ambiente acadêmico. Posteriormente, em setembro, foram divulgadas orientações específicas para a pós-graduação. Agora, o novo guia amplia esse debate ao detalhar recomendações direcionadas à graduação.


    Documento didático e em constante atualização

    Para tornar o conteúdo mais acessível, os organizadores optaram pelo formato de guia, permitindo uma linguagem mais direta e didática. A proposta também facilita futuras atualizações, algo considerado essencial diante da rapidez com que novas tecnologias surgem e evoluem.

    A elaboração do material ficou a cargo dos professores Amadeu Moura Bego, ex-assessor da Pró-Reitoria de Graduação e integrante do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, e Denis Henrique Pinheiro Salvadeo, docente responsável pelos projetos do Laboratório do Futuro.

    No texto de apresentação, os autores destacam que o avanço da inteligência artificial exige equilíbrio entre inovação tecnológica e formação crítica dos estudantes.

    Segundo eles, é fundamental desenvolver habilidades como pensamento crítico, criatividade e letramento digital, sem perder de vista os princípios éticos.

    “É de fundamental importância estabelecer valores e diretrizes éticas claras para o uso de inteligência artificial na educação, priorizando uma abordagem centrada no ser humano”, afirmam.

    O que pode, o que não pode e o que exige atenção

    Um dos pontos que tornam o guia mais prático é a forma como as orientações foram organizadas. O documento apresenta três categorias principais de uso da inteligência artificial:

    • O que se pode fazer: práticas recomendadas, como utilizar a IA como apoio para estudos, organização de ideias e análise de informações.

    • O que nunca se deve fazer: situações que configuram uso inadequado, como apresentar conteúdos gerados por IA como produção totalmente própria sem indicação.

    • O que talvez se possa fazer: casos que dependem de orientação ou autorização do professor responsável pela atividade.

    As recomendações são adaptadas para diferentes públicos da universidade, incluindo estudantes, docentes, gestores e servidores técnicos, reforçando que a responsabilidade pelo uso correto da tecnologia é coletiva.

    Os organizadores destacam ainda que o guia não deve ser interpretado como um conjunto rígido de regras, mas como um instrumento de orientação, que estimula reflexão e diálogo dentro da comunidade acadêmica.

    Transparência também na criação do próprio guia

    Um dos aspectos mais curiosos do documento aparece logo nas primeiras páginas: o próprio processo de criação do guia também utilizou ferramentas de inteligência artificial — e isso é explicitado de forma detalhada.

    O material apresenta:

    • quais ferramentas de IA foram utilizadas

    • o perfil adotado para as interações

    • um resumo dos prompts utilizados

    • os documentos que serviram de base para a geração do esboço inicial

    Após essa etapa, o conteúdo passou por revisão humana em todas as instâncias envolvidas no projeto.

    A iniciativa reforça um dos princípios centrais do documento: a transparência no uso da inteligência artificial.

    Aprovação institucional

    Antes de ser divulgado, o guia foi analisado e aprovado pelo Comitê Superior de Tecnologia da Informação (CSTI) da universidade, órgão que assessora a Reitoria nas decisões relacionadas à governança digital.

    A expectativa é que o material incentive novas discussões sobre o tema e contribua para experiências positivas no uso da inteligência artificial dentro da graduação.

    “Espera-se que esta primeira versão possa ensejar diversas discussões e resultar em experiências compartilhadas de bom uso da IA, principalmente no âmbito dos cursos de graduação de nossa Universidade”, afirmam os organizadores.

    O documento é público e pode ser consultado por qualquer interessado no site do Laboratório do Futuro da Unesp.





    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.