Unesp lança guia para orientar o uso de inteligência artificial na graduação e reforça princípios de ética e transparência
Documento reúne orientações práticas para estudantes, professores e servidores sobre como utilizar ferramentas de IA de forma responsável no ambiente universitário
Azeitona Comunicação A crescente presença da inteligência artificial no cotidiano acadêmico levou a Universidade Estadual Paulista (Unesp) a dar um passo importante na organização desse novo cenário. A instituição lançou o “Guia para a Utilização de Inteligência Artificial na Graduação da Unesp: integridade, inovação e equidade”, documento que reúne orientações para o uso consciente e responsável dessas tecnologias nas atividades universitárias.
A iniciativa busca esclarecer dúvidas e estabelecer diretrizes claras para estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos. Atualmente, a universidade conta com cerca de 35 mil estudantes matriculados em 136 cursos de graduação, distribuídos em 24 câmpus, o que torna a padronização dessas orientações uma medida estratégica para garantir boas práticas no ambiente acadêmico.
Uso responsável da IA na educação
O guia foi desenvolvido em parceria entre a Pró-Reitoria de Graduação e o Laboratório do Futuro, espaço institucional que reúne iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à aplicação de inteligência artificial dentro da universidade.
As discussões que deram origem ao documento começaram no final de 2024 e fazem parte de um conjunto de ações que posicionam a Unesp entre as instituições pioneiras no Brasil na criação de normas sobre o uso da IA generativa na educação superior.
Em abril do ano passado, a universidade já havia publicado uma normativa inicial voltada ao uso dessas ferramentas no ambiente acadêmico. Posteriormente, em setembro, foram divulgadas orientações específicas para a pós-graduação. Agora, o novo guia amplia esse debate ao detalhar recomendações direcionadas à graduação.
Documento didático e em constante atualização
Para tornar o conteúdo mais acessível, os organizadores optaram pelo formato de guia, permitindo uma linguagem mais direta e didática. A proposta também facilita futuras atualizações, algo considerado essencial diante da rapidez com que novas tecnologias surgem e evoluem.
A elaboração do material ficou a cargo dos professores Amadeu Moura Bego, ex-assessor da Pró-Reitoria de Graduação e integrante do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, e Denis Henrique Pinheiro Salvadeo, docente responsável pelos projetos do Laboratório do Futuro.
No texto de apresentação, os autores destacam que o avanço da inteligência artificial exige equilíbrio entre inovação tecnológica e formação crítica dos estudantes.
Segundo eles, é fundamental desenvolver habilidades como pensamento crítico, criatividade e letramento digital, sem perder de vista os princípios éticos.
“É de fundamental importância estabelecer valores e diretrizes éticas claras para o uso de inteligência artificial na educação, priorizando uma abordagem centrada no ser humano”, afirmam.
O que pode, o que não pode e o que exige atenção
Um dos pontos que tornam o guia mais prático é a forma como as orientações foram organizadas. O documento apresenta três categorias principais de uso da inteligência artificial:
- O que se pode fazer: práticas recomendadas, como utilizar a IA como apoio para estudos, organização de ideias e análise de informações.
- O que nunca se deve fazer: situações que configuram uso inadequado, como apresentar conteúdos gerados por IA como produção totalmente própria sem indicação.
- O que talvez se possa fazer: casos que dependem de orientação ou autorização do professor responsável pela atividade.
As recomendações são adaptadas para diferentes públicos da universidade, incluindo estudantes, docentes, gestores e servidores técnicos, reforçando que a responsabilidade pelo uso correto da tecnologia é coletiva.
Os organizadores destacam ainda que o guia não deve ser interpretado como um conjunto rígido de regras, mas como um instrumento de orientação, que estimula reflexão e diálogo dentro da comunidade acadêmica.
Transparência também na criação do próprio guia
Um dos aspectos mais curiosos do documento aparece logo nas primeiras páginas: o próprio processo de criação do guia também utilizou ferramentas de inteligência artificial — e isso é explicitado de forma detalhada.
O material apresenta:
- quais ferramentas de IA foram utilizadas
- o perfil adotado para as interações
- um resumo dos prompts utilizados
- os documentos que serviram de base para a geração do esboço inicial
Após essa etapa, o conteúdo passou por revisão humana em todas as instâncias envolvidas no projeto.
A iniciativa reforça um dos princípios centrais do documento: a transparência no uso da inteligência artificial.
Aprovação institucional
Antes de ser divulgado, o guia foi analisado e aprovado pelo Comitê Superior de Tecnologia da Informação (CSTI) da universidade, órgão que assessora a Reitoria nas decisões relacionadas à governança digital.
A expectativa é que o material incentive novas discussões sobre o tema e contribua para experiências positivas no uso da inteligência artificial dentro da graduação.
“Espera-se que esta primeira versão possa ensejar diversas discussões e resultar em experiências compartilhadas de bom uso da IA, principalmente no âmbito dos cursos de graduação de nossa Universidade”, afirmam os organizadores.
O documento é público e pode ser consultado por qualquer interessado no site do Laboratório do Futuro da Unesp.






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