Rosiane Paula Felizardo
Quando a dor deixa de ser silêncio e passa a ser diagnóstico.
Conexão Beleza Inteligente
Endometriose - Quantas mulheres convivem com dores intensas todos os meses acreditando que isso é apenas “normal”? Em muitos casos, aquilo que por anos foi tratado como uma simples cólica pode, na verdade, ser o sinal silencioso de uma doença que ainda carece de informação, diagnóstico precoce e acolhimento.
Abrir a terceira temporada do Conexão Beleza Inteligente, justamente no mês dedicado às mulheres, trazendo esse tema, foi mais do que oportuno. Foi necessário.
A live entrevista desta semana, com especilista da ginecologia, trouxe à tona uma realidade que ainda precisa de mais visibilidade: muitas mulheres convivem por anos com dores intensas sem saber que podem estar diante de uma doença inflamatória crônica: endometriose.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, o que representa aproximadamente 190 milhões de mulheres globalmente. Mesmo assim, muitas ainda enfrentam uma longa jornada até o diagnóstico correto.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o interior do útero — cresce fora da cavidade uterina. Esse tecido pode atingir ovários, trompas, intestino e outras estruturas da região pélvica, provocando sintomas como cólicas intensas, dor pélvica persistente, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais no período menstrual e, em alguns casos, infertilidade.
Um dos aspectos mais preocupantes é o tempo que muitas mulheres levam até receber o diagnóstico correto. Estudos indicam que esse processo pode levar anos, justamente porque a dor menstrual intensa ainda é frequentemente banalizada.
No entanto, cólicas incapacitantes, que interferem na rotina e exigem uso frequente de medicamentos, merecem investigação médica.
O diagnóstico da endometriose envolve avaliação clínica detalhada e exames específicos, como ultrassonografia especializada e ressonância magnética, indicados conforme cada situação. Informação qualificada é essencial para evitar tanto o alarmismo quanto a negligência diante dos sintomas.
Em relação ao tratamento, a especialista ressaltou que, embora a doença não tenha cura definitiva, ela pode ser controlada. O manejo pode incluir tratamento hormonal, acompanhamento multidisciplinar, controle da dor e, em determinados casos, cirurgia para retirada dos focos da doença.
Quando indicada, a cirurgia possui caráter funcional e reconstrutivo, buscando restaurar o funcionamento adequado das estruturas afetadas. Por isso, cada caso deve ser analisado de forma individual, considerando sintomas, estágio da doença e os planos reprodutivos da paciente.
No mês dedicado às mulheres, falar sobre endometriose é ampliar a consciência sobre saúde feminina. É lembrar que dor não deve ser ignorada, minimizada ou tratada como parte inevitável da experiência de ser mulher.
Informação gera autonomia. E autonomia também é uma forma de cuidado.




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