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Brasil,06/03/2026

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    Juçara Costa assume papel na Revista Salto e reafirma a força da arte coletiva

    Artista mineira, com trajetória que atravessa pintura, teatro e projetos sociais, passa a integrar a liderança da revista levando para o jornalismo cultural a mesma visão sensível e colaborativa que marca sua obra.

    Foto por Mauro Mendonça / @mauro.foto
    Juçara Costa assume papel na Revista Salto e reafirma a força da arte coletiva Posse da nova liderança da Revista Salto

    A Revista Salto inicia um novo capítulo em sua trajetória com a chegada de Juçara Costa à liderança editorial da publicação. Artista de longa trajetória e reconhecida por seu trabalho que atravessa diferentes linguagens — das artes plásticas ao teatro — Juçara assume o cargo trazendo consigo uma visão de cultura profundamente ligada ao coletivo, à natureza e ao papel transformador da arte.

    A escolha dialoga com o momento da revista, que busca ampliar seu olhar sobre cultura, território e criação contemporânea. Para Juçara, essa nova função também representa um desdobramento natural de uma inquietação que acompanha toda a sua vida artística: o desejo de que a arte esteja próxima das pessoas.

    Durante anos dedicada principalmente à pintura, ela percebeu que o processo solitário das artes plásticas não respondia completamente ao que buscava.


    “Quando eu era só pintora, comecei a sentir uma necessidade de ampliar, de ir além. A pintura me deixava muito isolada. O artista plástico tem uma carreira muito solo. Aquilo não me agradava muito”, conta.

    Essa inquietação levou Juçara a buscar novas linguagens. Primeiro vieram as exposições e o contato com galerias, mas a virada aconteceu quando ela decidiu experimentar o teatro — um sonho antigo que decidiu finalmente colocar em prática.

    “Eu tinha vontade de fazer teatro desde criança. Quando decidi ir atrás desse sonho, me matriculei na escola de teatro do Palácio das Artes. Em pouco tempo já estava sendo contratada e nunca mais parei.”

    Foi nesse ambiente que ela descobriu algo que hoje define sua forma de pensar a arte: a criação coletiva.

    “O teatro me fez perceber da minha necessidade com o coletivo. Hoje tenho dificuldade de fazer um monólogo na pintura, só eu.”

    Esse olhar colaborativo se estendeu para projetos sociais recentes. Nos últimos anos, Juçara participou de iniciativas no CRAS em parceria com o Instituto Defesa Coletiva, experiência que ela descreve como profundamente transformadora.

    “Foi algo que me deixou muito feliz. Lá consegui me realizar totalmente. O coletivo, para mim, é essencial, é vital na minha arte.”

    Essa perspectiva também influencia sua atuação na Revista Salto. Mais do que um espaço de divulgação cultural, a revista se consolida como território de encontros — entre artistas, leitores, ideias e experiências.

    Ao mesmo tempo, Juçara mantém um olhar atento aos desafios históricos da cultura no Brasil. Para ela, a maturidade artística nasce de um percurso muitas vezes marcado pela persistência.

    “Além de sensibilidade e talento, o artista precisa de maturidade. E essa maturidade vem de um trânsito de vida muitas vezes complexo. A cultura ainda precisa ser mais reconhecida como algo essencial para a vida das pessoas.”

    Apesar das dificuldades estruturais que ainda marcam o setor cultural, ela reconhece avanços importantes.

    “Hoje já vemos teatros com público, pessoas fiéis ao teatro. Desde os meus 26 anos eu nunca tinha visto a cultura tão aquecida quanto agora. Melhorou bastante, mas ainda há muito caminho pela frente.”

    Outra marca fundamental do trabalho de Juçara é a presença constante da natureza em suas obras. Desde a infância, o contato com o mundo natural moldou seu imaginário.

    “Eu brincava muito sozinha no quintal, com bichinhos. Sempre tive uma relação muito forte com a natureza.”

    Com o passar do tempo, esse vínculo ganhou novas camadas de consciência e sensibilidade, especialmente diante das transformações ambientais que afetam Minas Gerais.

    “Existe a dor de uma mineira que vê suas montanhas machucadas, decepadas. É como amputar um corpo. A natureza, para mim, é amor e beleza, mas também uma consciência da responsabilidade que temos com o planeta.”

    Essa relação aparece de forma orgânica em sua pintura, especialmente nas figuras de animais que surgem em suas telas.

    “O boi aparece muito no meu trabalho, por exemplo. Mas eu não busco essas imagens. Elas aparecem. Meu processo é muito orgânico, nasce de uma técnica que conversa com a intuição.”

    Entre projetos futuros, a artista também prepara uma nova experiência criativa ao lado do artista Miguel Gontijo, em uma proposta de criação conjunta nas artes plásticas.

    Agora, ao assumir sua função na liderança da Revista Salto, Juçara Costa amplia mais uma vez o alcance de sua trajetória. Se antes buscava levar a arte para o corpo das pessoas e para as ruas, hoje também contribui para ampliar as narrativas culturais que circulam na imprensa.

    E, como em toda a sua trajetória, a aposta continua sendo a mesma: a arte como encontro.




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