Arte, memória e celebração: o pontilhismo em óleo sobre tela do artista ouro-pretano Marcelo Cássio
Bloco Zé Pereira dos Lacaios e a Bandalheira Folclórica desfilando em frente ao histórico Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto. Na cidade histórica de Ouro Preto,
onde a arte dialoga permanentemente com a arquitetura colonial e a memória coletiva, o artista plástico Marcelo Cássio desenvolve uma narrativa visual marcada pela cor, pelo movimento e pela identidade cultural mineira.
Sua produção em óleo sobre tela, construída a partir da técnica do pontilhismo, transforma cenas populares em experiências sensoriais vibrantes, nas quais tradição e contemporaneidade
convivem de forma harmoniosa.
A técnica como linguagem
O pontilhismo, historicamente associado à pintura europeia do final do século XIX, baseia-se na aplicação de pequenos pontos de cor que, observados à distância, formam imagens completas e
luminosas. Marcelo Cássio revisita essa técnica clássica sob uma estética brasileira, utilizando o óleo para criar textura, relevo e profundidade cromática.
Distanciando-se do rigor acadêmico tradicional, o artista incorpora pinceladas densas e expressivas, aproximando o método de uma pintura quase tátil. O resultado é uma superfície viva, em que cada ponto assume função narrativa, reunindo cor, emoção e memória.
Cultura popular em movimento
Na obra apresentada, a atmosfera festiva ocupa o centro da composição. Bandas musicais, personagens tradicionais e bonecos gigantes percorrem as ladeiras históricas sob uma profusão de confetes e cores. A cena dialoga diretamente com as manifestações culturais e carnavalescas presentes no cotidiano ouro-pretano.
Mais do que registrar um acontecimento, Marcelo Cássio traduz o sentimento coletivo da celebração,
transformando a multidão em protagonista. O olhar do espectador percorre a tela como quem acompanha um cortejo, descobrindo novos detalhes a cada observação.
Entre memória e identidade
A escolha pelo óleo sobre tela reforça a permanência da imagem, funcionando como um verdadeiro arquivo afetivo da cidade. O pontilhismo, nesse contexto, ultrapassa a dimensão técnica e assume caráter simbólico, no qual múltiplos pontos individuais se unem para formar uma identidade comum.
A produção de Marcelo Cássio reafirma o papel da arte como guardiã da cultura local e evidencia que, em Ouro Preto, a tradição permanece viva, continuamente reinventada pelo olhar sensível do artista.





COMENTÁRIOS