Trilhares — Pâmara Fernandes, o despertar de uma mulher que escolheu ocupar o próprio espaço, sem pedir desculpas por existir.
Entre os papéis que aprendeu a desempenhar e a mulher que ainda estava descobrindo em si, encontrou, na própria história, a coragem para deixar de corresponder e começar a escolher quem deseja ser.
Foto: Mauro Mendonça A trajetória de Pâmara Fernandes passa por um processo que muitas mulheres conhecem, mas nem sempre conseguem nomear. Durante muito tempo, ela esteve tão envolvida com os papéis que precisava desempenhar que acabou deixando a própria identidade em segundo plano. Mãe, profissional, responsável por tantas tarefas e acostumada a cuidar de outras pessoas, ela aprendeu a estar presente para todos, enquanto, pouco a pouco, foi adiando o encontro consigo mesma.
Essa percepção não surgiu de uma hora para outra. Ela foi sendo construída a partir de tudo aquilo que ela viveu, das experiências que precisou atravessar e das versões de si mesma que precisou desenvolver ao longo do caminho.
Hoje, quando olha para a própria história, ela consegue reconhecer que algumas dessas versões foram necessárias para que chegasse até aqui, mas também entende que não precisa continuar vivendo de acordo com aquilo que um dia precisou ser.
É justamente nesse momento de reconhecimento que o Projeto Trilhares ganha significado em sua trajetória, ele não chega para transformar Pâmara em outra mulher, nem para apresentar uma versão idealizada de quem ela deveria ser. Ele funciona como uma ferramenta para que ela possa olhar para si mesma de uma maneira diferente e perceber, através das fotografias, aquilo que talvez a rotina e as responsabilidades tenham feito com que ela deixasse de enxergar.
Ao receber as primeiras imagens, Pâmara conta que procurava por aquela mulher nas fotografias, olhava para cada registro tentando reconhecê-la, até perceber que não precisava encontrar ninguém além de si mesma. Aquela mulher era ela, a Pâmara que continuava existindo por trás da mãe, da profissional, da mulher que cuida e de todas as responsabilidades que aprendeu a carregar.
A seguir, algumas fotos do ensaio fotográfico do editorial Trilhares, para vocês conferirem os resultados!
Fotos por Mauro Mendonça / looks por Arrazy





A força desse momento está justamente no fato de que as fotografias não revelaram uma mulher que ela ainda precisava se tornar, reafirmaram uma mulher que já existia e que havia atravessado experiências suficientes para chegar até aquele lugar.
O Trilhares apenas criou o espaço para que ela pudesse enxergar isso com mais clareza, transformando a imagem em uma espécie de reencontro com a própria trajetória.
E esse reencontro também ajuda a compreender como ela passou a olhar para sua autoestima, não parece se tratar de alcançar uma imagem perfeita ou de se sentir bonita o tempo inteiro, mas de conseguir reconhecer que também merece ser vista, cuidada e admirada. Depois de tantos anos em que o cuidado esteve direcionado para outras pessoas, permitir-se receber esse olhar passa a representar uma mudança importante na relação que estabelece consigo mesma.
Mais do que olhar para uma fotografia e gostar da própria imagem, existe ali a possibilidade de olhar para trás e reconhecer tudo o que aquela mulher atravessou para chegar até aquele momento. A imagem passa a carregar uma história, quando ela se vê nela, não está apenas enxergando sua aparência, mas também uma mulher que aprendeu, ressignificou, estabeleceu limites e começou a compreender que não precisa mais se diminuir para caber nas expectativas de outras pessoas.
Essa compreensão aparece com ainda mais força quando ela fala sobre a mulher que deseja ser no futuro, ela não busca uma versão perfeita ou definitiva de si mesma, deseja continuar se tornando uma mulher mais consciente de quem é, do que quer e, principalmente, do que não aceita mais para a própria vida, ainda reconhece que existem partes de si que precisam ser descobertas, mas hoje consegue olhar para essas descobertas não como uma cobrança, e sim como possibilidades.
Depois de tudo o que viveu, novos sonhos também começaram a encontrar espaço, passou a desejar uma vida mais leve, construída a partir de relações saudáveis, liberdade para escolher e espaço para ser verdadeiramente quem é, sonhos que antes pareciam distantes passaram a fazer parte de seus planos, inclusive o desejo de construir projetos pessoais, viver novas experiências e conquistar coisas que não precisam ser justificadas para ninguém.
Entre essas escolhas existe uma que talvez traduza melhor a transformação pela qual passou, a de viver sem precisar se diminuir para caber nas expectativas de outra pessoa, é uma frase simples, mas que revela uma mudança profunda na maneira como ela passou a compreender a própria liberdade.
Hoje, para ela, ser livre também significa conseguir ouvir a própria voz antes de todas as outras e entender que o passado pode fazer parte de sua história sem continuar determinando suas decisões.
Isso também significa permitir-se mudar de ideia, recomeçar e escolher novos caminhos. Pâmara já não sente que precisa permanecer fiel a uma versão antiga de si mesma apenas porque, em algum momento, aquela versão foi necessária, existe uma compreensão mais madura de que crescer também significa reconhecer quando determinadas formas de viver já não correspondem à mulher que estamos nos tornando.
É por isso que a experiência do Trilhares ganha um significado tão particular em sua história, o projeto não é o ponto de partida dessa transformação, mas uma forma de reafirmar visualmente aquilo que Pâmara já vinha construindo dentro de si.
Ao se enxergar nas fotografias, ela encontra evidências de uma mulher que talvez tivesse deixado de perceber no cotidiano, mas que continuava ali, mais consciente, mais livre e disposta a ocupar espaços que antes talvez não se permitisse ocupar.
A mulher que Pâmara deseja conhecer nos próximos anos é justamente essa versão que está nascendo de suas próprias escolhas, mais segura, espontânea e disposta a viver sem pedir desculpas por existir, uma mulher que expressa o que sente, busca aquilo que deseja e não acredita mais que precisa provar o próprio valor antes de receber, conquistar ou simplesmente ocupar um espaço.
Essa mulher não nasceu diante da câmera, ela foi sendo construída muito antes, em cada experiência que precisou enfrentar, em cada limite estabelecido, em cada escolha feita por si mesma e em cada momento em que decidiu não voltar a ser quem precisou ser para sobreviver.
O que o Trilhares fez foi oferecer um instante para que ela pudesse parar e enxergar essa trajetória de fora, reconhecer a própria imagem e compreender que havia muito mais de si ali do que talvez tivesse conseguido perceber sozinha. Mas Claro, essa transformação já estava sendo feita por Pâmara muito antes do Trilhares, o projeto somente foi um impulso a mais para que ela pudesse reconhecer a mulher incrível que se tornou, através de outro ângulo, de outra lente, ela pode se reconhecer através de outros olhos.
Quando imagina sua vida daqui a dez anos, não fala apenas sobre conquistas, fala que quer se sentir em paz, livre, inteira, estar cercada por relações que respeitem quem é, envolvida em projetos que tenham significado e capaz de olhar para trás sabendo que teve coragem de escolher os próprios caminhos mesmo quando não tinha certeza de tudo.
Talvez seja justamente essa a parte mais bonita de sua história, ela não está tentando descobrir quem precisa ser para finalmente se sentir suficiente, está aprendendo a reconhecer quem é depois de tudo o que viveu e a dar espaço para que novas versões possam nascer sem precisar apagar as anteriores, nesse processo, o Trilhares aparece como aquilo que ele realmente representa para ela, um momento de olhar para si e confirmar, através da própria imagem, a mulher que a sua história já havia construído.
Foto por Mauro Mendonça





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