Casa Verde: quando um investimento se transforma em propósito de vida
Júnia e Sidney, proprietários da Casa Verde | Foto: Geisi Fernandes Em um tempo em que tantas histórias começam com planejamento estratégico, a da Casa Verde nasceu de um convite para confiar no inesperado. O que seria apenas um investimento sugerido pelo marido, Sidney, tornou-se um projeto de vida, um refúgio em meio à Mata Atlântica e um espaço dedicado ao acolhimento, às conexões e à celebração de momentos especiais.
Há seis anos, deixar Belo Horizonte para viver em uma casa de madeira e vidro, cercada pela natureza exuberante de São Sebastião das Águas Claras, distrito conhecido como Macacos parecia um cenário improvável para Júnia. A mudança exigia coragem. Significava afastar-se da rotina, da proximidade com familiares e amigos e abraçar uma realidade completamente diferente da que havia imaginado para a aposentadoria.

Foi Sidney quem enxergou primeiro esse futuro. Bancário de profissão surpreendeu ao revelar um talento até então desconhecido. Em apenas nove meses, idealizou e construiu a residência, acompanhando pessoalmente cada etapa da obra. Mais do que erguer uma casa, colocou literalmente a mão na madeira, criando móveis com peças de demolição, reaproveitando troncos e galhos e imprimindo identidade própria em praticamente todos os ambientes.

Enquanto a construção ganhava forma, Júnia descobria outro talento: o olhar sensível para o garimpo. Móveis antigos, objetos de decoração e peças carregadas de história foram sendo cuidadosamente reunidos até compor cerca de 80% da decoração da residência, que hoje combina arquitetura contemporânea, sustentabilidade e memória afetiva. O resultado é um espaço onde a natureza assume protagonismo. Cercada pela Mata Atlântica, a Casa Verde é embalada pelo canto dos pássaros, pela presença constante de jacus, miquinhos e pica-paus e por uma atmosfera de tranquilidade que convida à contemplação.

O destino, porém, ainda reservaria um novo capítulo para essa história.
Foi durante um ensaio fotográfico, realizado a pedido de uma amiga, que surgiu uma pergunta capaz de mudar novamente o rumo daquele sonho: por que não abrir a casa para receber outras pessoas?
A ideia amadureceu e deu origem a uma nova vocação. O lar transformou-se também em cenário para ensaios fotográficos, oficinas, workshops, mentorias e pequenos eventos, mantendo como essência aquilo que Júnia considera seu maior dom: receber.
Inspirada pela elegância e hospitalidade da amiga Lelete Mares Guia, ela passou a dedicar-se à arte de acolher. Cafés especiais, brunchs, encontros entre amigas, confraternizações corporativas e celebrações intimistas passaram a integrar a rotina da Casa Verde, onde cada detalhe foi pensado para proporcionar experiências memoráveis.

Entre os espaços mais emblemáticos está um grande balanço de madeira, também criado por Sidney, que convida adultos e crianças a desacelerar, contemplar a paisagem e redescobrir a simplicidade dos pequenos momentos.

Mais do que um endereço, a Casa Verde tornou-se símbolo de transformação. Uma história que evidencia como talentos podem florescer em fases inesperadas da vida e como os caminhos mais significativos nem sempre são aqueles cuidadosamente planejados.
Hoje, Júnia resume essa trajetória como um verdadeiro exercício de fé e gratidão. Gratidão a Deus, pela oportunidade de viver cercada pela natureza; ao marido, que transformou uma ideia em realidade com criatividade e dedicação; e aos filhos, Guilherme e Vinícius, pelo apoio constante.
A Casa Verde nasceu de um investimento, tornou-se um lar e consolidou-se como um espaço de encontros, memórias e afeto. Um lugar que prova que, muitas vezes, os maiores sonhos não são aqueles que imaginamos para nós, mas aqueles que a vida, delicadamente, nos convida a viver.
Instagram: @casaverde.22




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