Heloisa Alves de Oliveira
A cor do silêncio
Maria
A cor do silêncio.
Maria sentada em tronco de madeira.
Maria vibra com a Vida.
Carrega nos olhos a dor silenciada.
Não lamenta.
Jamais , abraçada foi sua dor.
Disfarçada de sorrisos, cala as injustiças vividas.
Quando chora, sem lágrimas o faz.
Na pele, brilha a negra cor que a silencia.
Para lembrar que o Céu é benção
Emudece o que conhece.
Maria parece invisível.
No ar doce da brisa acessível ,é única, especial.
É pessoa, Alma, Mulher.
Tristeza fantasiada de poder.
Maria nunca diz nada, explode, na voz calada,
Anos mil ,de abusos velados, escancarados.
No berço, Maria entendeu a cor do silêncio.
Quisera ser beijada, na sua dor, na sua cor.
Maria escuta, pensa, finge ignorar.
Na sua sabedoria, amada
É o que desejaria ser.
Sente , no canto dos talheres, a solidão.
A solidão da cor que a silencia.
Vive um faz de conta mental.
As palavras não transbordam do seu Ser.
Não consegue dizer.
É sabedoria de Maria?
Pode ser.
A cor do silêncio transborda
O que Maria não diz.
E por ela dizem...
Está tudo certo.
Não, não está.
Maria já não sabe falar.
Tudo está preso na cor. O tempo passou.
Desejaria gritar palavras bonitas.
Não reclama. Fantasia -se de fada em ouro
banhada.
Não muda de cor.
O que quer Maria?
Na sutileza do desdém, somatiza o que
Não sai, está trancado, não sabe dizer.
A cor do silêncio exala em Maria.
Maria invisível, visível, sem pertencer a lugar
algum. Onde mora Maria?
Maria, a sábia que sabe
Sem nada dizer.
Onde está Maria?
Na solidão da cor.
A cor do silêncio.
Isolada na caminhada.
Na voz muda,
Maria sofre por ocultar saber
E na ignorância ,tão sua ,
Maria sábia ignora o nada dizer.
Heloísa Alves



COMENTÁRIOS
em 20/11/2025
Que beleza Heloísa! Sua poesia faz jus a esse povo guerreiro e digno! Viva o povo preto! Viva Zumbi dos Palmares! Viva todos os Quilombolas! Fora o racismo estrutural e toda forma de preconceito! Beijo!