Joyce Alane: das redes ao Rock The Mountain, uma artista que canta o que sente

Em 2020, uma brincadeira virou marca registrada. Foi naquele ano que Joyce Alane, compositora pernambucana, começou a publicar nas redes o quadro Me Dá Uma Luz — um exercício de composição em que criava músicas a partir das palavras enviadas pelos fãs. O que nasceu de improviso acabou virando parte essencial da carreira da artista, hoje dona de mais de trinta faixas lançadas. “Ver o Me Dá Uma Luz, que começou como uma brincadeira, virar algo profissional foi muito especial pra mim”, conta em conversa com Vogue Brasil. “As pessoas seguem pedindo essas músicas até hoje. É algo que ficou na memória delas.”
Joyce Alane sobe neste domingo (02.11) ao Palco Estrela do Rock The Mountain, em Itaipava (RJ), e repete a apresentação no domingo seguinte (09). É a segunda vez que participa do festival — a primeira foi como convidada do show de Carol Biazin, em 2023 —, mas agora o momento é outro: ela leva o próprio show e um repertório que mistura pop e ritmos nordestinos. “Quando chegou a notícia de que eu estaria no festival, fiquei muito feliz. A gente preparou tudo com muito carinho. Eu adoro festival, porque sempre tem pessoas que vão pra outro artista e acabam te conhecendo ali. É a parte mais bonita: essa troca, esse encontro.”
Selecionar uma imagem
Entre o público que acompanha a artista desde os vídeos curtos e quem a descobre ao vivo, o elo continua sendo a emoção direta de suas composições. No álbum Tudo É Minha Culpa, ela transforma experiências pessoais e histórias ouvidas em canções que soam confessionais e universais ao mesmo tempo. “Nenhuma experiência é individual”, diz. “Quanto mais a gente imprime a nossa verdade numa música, mais consegue defender ela, e mais as pessoas se identificam. Às vezes não é exatamente a história delas, mas é a intensidade, a intenção que faz sentido.”
O ato de compor, para ela, também é um tipo de catarse. “Sempre foi uma forma de desabafo — seja sobre a minha vida ou sobre histórias que eu escuto. Às vezes é o desabafo dos outros”, explica. “Eu me entendo como um ser humano que erra, que tem seus momentos frágeis e felizes. Mostrar essa realidade crua faz com que as pessoas se identifiquem.”
Essa sinceridade também aparece em Casa Coração, projeto que reúne nomes como Santanna, Petrúcio Amorim, Zeca Baleiro, Chico César e Elba Ramalho. “Eu quis abraçar artistas que fizeram parte da minha trajetória, que eu escutava quando era criança. É uma forma de contar a minha história, de onde eu cresci. Faz muito sentido ter essas pessoas comigo, porque foram elas que me formaram”, afirma.
Ao mesmo tempo em que faz ponte com gerações, Joyce reforça a própria identidade regional. “Casa Coração é um mergulho nas minhas raízes. Fala sobre o lugar onde eu cresci. Foram esses ritmos pernambucanos que me criaram e fizeram a artista que eu sou hoje”, diz. “Mesmo quando eu faço pop, é um pop nordestinizado: tem o brega, o xote, o maracatu, sempre presente.”
Aos 27 anos, Joyce Alane já coleciona colaborações e novas metas. “Eu espero que minha voz chegue cada vez mais longe. Esse ano conheci lugares a partir da minha música, e quero seguir assim. Que as pessoas me encontrem cantando e se sintam próximas de alguma forma”, diz. “Os próximos passos são mais músicas, mais participações e um novo projeto que já está em andamento. Muita arte e muita história pra contar.”
Canal da Vogue
Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!




COMENTÁRIOS