HIV em debate: além de jovens, público idoso merece atenção
Infecção viral ainda preocupa e prevenção é a melhor opção
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dia 24 de abril, o projeto Cinema Científico, em São Paulo, realizou a exibição
gratuita do filme “Clube de
Compras Dallas”. A produção narra a trajetória real de Ron
Woodroof, eletricista texano diagnosticado com HIV nos anos 1980 — período
marcado pelo forte estigma social e pela escassez de tratamentos eficazes.
Diante de um prognóstico desfavorável, Woodroof decide buscar alternativas
terapêuticas e passa a distribuir medicamentos ainda não aprovados,
estruturando uma rede de apoio voltada a outros pacientes.
Após
a sessão, realizada em domo digital, o público participou de um debate com o
pesquisador Maurilio Bonora Junior, biólogo formado pela Unicamp e atuante nas
áreas de divulgação científica e saúde pública. A discussão abordou os
fundamentos científicos presentes no filme, os avanços no conhecimento sobre o
HIV ao longo das últimas décadas e os impactos sociais da epidemia.
Dados
epidemiológicos reforçam a relevância do tema. Entre 1991 e setembro de 2025,
foram notificados 175.803 casos de infecção pelo HIV entre jovens de 15 a 24
anos no Brasil, o que corresponde a 25,7% do total registrado no período. Nessa
faixa etária, 66% das ocorrências envolvem indivíduos do sexo masculino,
indicando maior vulnerabilidade desse grupo ao longo da série histórica. Em
2024, homens entre 20 e 29 anos concentraram 44,7% dos novos casos entre o
público masculino, enquanto adolescentes de 15 a 19 anos representaram 5,2%. O
cenário evidencia a persistência de altas taxas de infecção entre jovens
adultos, apontando para a necessidade de intensificação de ações educativas,
ampliação da testagem e fortalecimento de estratégias de prevenção direcionadas.
Embora
o debate frequentemente se concentre nos mais jovens, a população idosa também
demanda atenção. De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS do
Ministério da Saúde, entre 2011 e 2021 foram registrados 12.686 diagnósticos de
HIV em pessoas com 60 anos ou mais, além de 24.809 casos de AIDS e 14.773
óbitos nessa faixa etária. Chama a atenção, ainda, o crescimento expressivo dos
diagnósticos entre idosos: entre 2012 e 2022, o aumento foi de 441%, sendo esse
o único grupo etário a apresentar elevação proporcional nas mortes ao longo da
década.
Para
o geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
(SBGG), Dr. Leonardo Oliva, os dados indicam a urgência de ampliar o alcance
das campanhas de prevenção e de fortalecer o acesso da população acima dos 60
anos a diagnóstico e tratamento. “É fundamental assegurar a adesão à terapia
antirretroviral (TARV), tratar infecções oportunistas e manter acompanhamento
médico regular. Também é preciso atenção à saúde mental desses pacientes,
frequentemente impactados por estigma, baixa autoestima e sofrimento
emocional”, destaca.
Como prevenir? De acordo com o Ministério da Saúde a
prevenção tem que ser de forma combinada, incluindo o uso de preservativos e a
realização da testagem para HIV, ambos disponíveis gratuitamente pelo SUS. Para
mais informações sobre o HIV e as estatísticas por regiões do Brasil, acesse o
Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2025, gratuitamente disponível
em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos/2025/boletim_hiv_aids_2025.pdf/@@display-file/file




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