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Brasil,02/04/2026

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    Jeanine Geraldo lança “Retratos de Mulher”

    Livro de Jeanine Geraldo une literatura e crítica social em narrativas sobre o feminino


    Jeanine Geraldo lança “Retratos de Mulher”

    O que significa ser mulher em um mundo marcado por
    violências cotidianas, silenciamentos e experiências invisibilizadas? É a
    partir dessa inquietação que a escritora e professora Jeanine Geraldo constrói
    seu mais novo livro, Retratos de Mulher, uma coletânea de 19 contos
    inéditos que mergulham nas múltiplas camadas da experiência feminina.

    Publicado pela editora Urutau, o livro reúne narrativas
    que transitam entre o horror, o psicológico e o realismo, mostrando que o
    verdadeiro terror não está no sobrenatural, mas sim, na própria realidade.

     Entre o horror e o cotidiano 

    A capa de Retratos de Mulher não
    apenas remete visualmente ao universo de Tarsila do Amaral, mas estabelece um
    verdadeiro diálogo simbólico com sua obra. Assim como nas pinturas da artista
    modernista, em que o corpo feminino é reinterpretado por meio de formas
    distorcidas, cores expressivas e certa estranheza poética, o livro de Jeanine
    Geraldo também propõe uma releitura do feminino, não idealizado, mas
    atravessado por tensões, silêncios e rupturas. Se Tarsila reinventou a figura
    da mulher dentro de um projeto estético e cultural brasileiro, Jeanine a
    reconstrói pela palavra, revelando camadas invisíveis de dor, resistência e
    subjetividade. 


    Nesse encontro entre imagem e literatura, ambas parecem ecoar a mesma
    inquietação: a necessidade de olhar para o feminino para além do que é
    confortável, trazendo à tona aquilo que por muito tempo permaneceu oculto.



    Logo no conto de abertura, “A enforcada”, o leitor é
    conduzido por uma narrativa aparentemente simples: uma menina visita o local de
    trabalho do pai e se depara com histórias assustadoras.

    No entanto, o que se revela vai muito além do suspense;
    trata-se de uma abordagem sensível e impactante sobre abuso infantil, narrada
    sob a perspectiva da inocência. A autora explica que suas histórias nascem
    da própria vivência e da observação social:

    “Mesmo quando não são autobiográficas, as narrativas
    partem da minha forma de experienciar o mundo.”

    Essa conexão com o real atravessa toda a obra. Em
    “Lençóis Manchados de Vinho”, por exemplo, Jeanine aborda a maternidade sob um
    viés pouco romantizado, explorando a perda de identidade e os conflitos
    internos de uma mulher diante da gestação.


    Ao longo do livro, a autora percorre temas como; medo, morte,
    sexualidade, infância e memória, criando histórias que dialogam com o íntimo do
    leitor.Em contos como “Quem tem medo do escuro?”, há também uma dimensão
    metalinguística, que convida à reflexão sobre o próprio fazer literário. 
    A proposta, segundo Jeanine, vai além da narrativa:

    “Acredito que o verdadeiro objeto da arte seja a emoção
    que se acende no peito do leitor.”

    O conto que dá nome ao livro encerra a obra com uma
    inversão provocadora: a mulher aparece não apenas como vítima de uma sociedade
    opressora, mas também como alguém que reproduz violências. Essa dualidade
    reforça a complexidade da obra, que se debruça sobre aquilo que a autora chama
    de “o irreal mais real que existe”, as dores silenciosas, os traumas invisíveis
    e as marcas internas que acompanham muitas mulheres ao longo da vida. 


    A obra de Jeanine já vem sendo destacada por críticos e escritores. Para o
    editor Luiz Antônio Ribeiro, a autora se insere no chamado movimento
    contemporâneo de literatura feminina latino-americana voltada ao horror e ao
    insólito, ao lado de nomes como Samanta Schweblin e Mariana Enriquez.

    Já a escritora Giovana Madalosso destaca a força
    imagética da escrita:

    “Jeanine sabe criar imagens bonitas e fortes, dessas
    que seguem ecoando na memória do leitor.”


    Literatura que dialoga com o presente

    O lançamento de Retratos de Mulher também
    ganha ainda mais relevância quando colocado em diálogo com os recentes
    acontecimentos sociais que têm exposto, de forma cada vez mais evidente, as
    múltiplas violências enfrentadas por mulheres no Brasil e no mundo.

    Casos de feminicídio, violência doméstica, abuso
    infantil e silenciamento de vítimas têm ocupado espaço recorrente no debate
    público, evidenciando uma realidade que, embora amplamente denunciada, ainda
    persiste de maneira estrutural. Nesse contexto, a obra de Jeanine Geraldo não
    surge apenas como expressão artística, mas como um espelho inquietante do tempo
    presente.

    Ao explorar narrativas em que o horror não está no
    sobrenatural, mas nas relações humanas e nas estruturas sociais, a autora se
    aproxima de uma literatura que denuncia, provoca e convida à reflexão. Seus
    contos revelam aquilo que muitas vezes permanece invisível: violências sutis,
    traumas internalizados e experiências que atravessam gerações.

    Mais do que acompanhar o debate contemporâneo, Retratos
    de Mulher
     se insere nele, ampliando-o. A literatura, nesse caso, não
    apenas representa a realidade, mas tensiona seus limites, abrindo espaço para
    que o leitor encare o desconforto e reconheça as marcas de uma sociedade ainda
    profundamente desigual.

     

    Sobre a autora

    Jeanine Geraldo é professora no Instituto Federal do
    Partaná e pesquisadora na área de Literatura, com ênfase em crítica literária.
    Pós- doutoranda em Letras pela UFPR, concilia a vida acadêmica com a escrita e
    os treinos de jiu-jitsu.

    É autora de O animal que me tornei (2018),
     As folhas vermelhas do outono (2020), Alcateia (2022)
    e agora Retratos de Mulher (2025), obra que conquistou o 2º
    lugar no I Prêmio Escritoras Brasileiras na categoria narrativas curtas.

    Além das páginas de seus livros, Jeanine Geraldo também
    transforma as redes sociais em um espaço de continuidade literária. Em seu
    perfil, a autora compartilha fragmentos de pensamento, reflexões sobre o
    processo criativo e pequenas cenas do cotidiano que dialogam diretamente com os
    temas presentes em sua obra.

    Longe de uma lógica puramente promocional, sua presença
    digital revela uma escrita em movimento; íntima, por vezes melancólica, e
    profundamente conectada às experiências subjetivas que atravessam o feminino.

    Essa construção reforça uma característica marcante de
    sua trajetória: a fusão entre produção acadêmica e criação literária

    A atmosfera construída tanto em seus livros quanto em
    sua presença digital aponta para uma estética do incômodo, onde o horror não se
    manifesta no extraordinário, mas naquilo que é cotidiano, silencioso e muitas
    vezes invisível.

    Nas redes, Jeanine não apenas divulga sua obra, ela
    amplia seu universo literário, transformando o cotidiano em matéria narrativa e
    convidando o leitor a habitar, ainda que brevemente, suas inquietações.

     

    Conheça o livro Retratos de Mulher em:

    https://editoraurutau.com/titulo/retratos-de-mulher

    Livro: Retratos de
    Mulher

    Autora: Jeanine
    Geraldo (@jeanine.geraldo)

     

     



















































































     




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