Quando reciclar não basta: o desafio invisível dos resíduos no Brasil e o papel transformador da Yattó
Estudo revela gargalos na cadeia de reciclagem e reforça a urgência de soluções com rastreabilidade e impacto real
Divulgação O Brasil produz mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, mas recicla menos de 9% desse volume. O dado, por si só alarmante, ganha contornos ainda mais críticos diante de um novo estudo técnico que revela uma falha estrutural pouco visível: grande parte do que chega às cooperativas sequer consegue voltar ao ciclo produtivo.
Levantamento inédito realizado pela Yattó aponta que cerca de 40% das embalagens recebidas pelas cooperativas são descartadas novamente em aterros sanitários. O motivo não está na coleta, mas na complexidade dos materiais — um entrave silencioso que expõe os limites da reciclagem no país.
O problema começa depois do descarte
A pesquisa, conduzida por meio de análise gravimétrica dentro do programa Yattó Transforma, identificou que o maior gargalo está nas embalagens plásticas flexíveis e no poliestireno (PS), especialmente quando colorido.
Presentes em produtos do dia a dia — como snacks, alimentos industrializados e itens de higiene — essas embalagens são formadas por múltiplas camadas de diferentes materiais, classificadas como “Código 7”. Essa composição dificulta a separação e praticamente inviabiliza a reciclagem em larga escala.
Em uma das cooperativas analisadas, as embalagens flexíveis chegaram a representar 45,77% do volume de resíduos alimentares, evidenciando o tamanho do desafio.
Outro fator agravante é a falta de identificação clara dos materiais nas embalagens, o que compromete a triagem manual e reduz a eficiência do processo. Já no caso do poliestireno, a cor também influencia diretamente: enquanto versões transparentes têm maior aceitação, as coloridas enfrentam baixa demanda e acabam descartadas.
Reciclagem sem rastreabilidade pode mascarar o problema
O estudo também levanta um alerta importante sobre práticas comuns no mercado. Segundo Alexandre Gallana Jr., ainda há uma distância significativa entre os números reportados pelas empresas e a realidade da cadeia de reciclagem.
Sem rastreabilidade física dos resíduos, muitas organizações podem, mesmo sem intenção, inflar seus índices de circularidade — o que abre espaço para o chamado greenwashing.
Mais do que cumprir metas, o desafio atual é garantir que o material realmente percorra todo o ciclo: do descarte à reinserção na cadeia produtiva.
Yattó: transformando rejeito em ativo
É nesse cenário que a Yattó se posiciona como um agente estratégico para a transformação ambiental no país.
A startup atua conectando grandes empresas diretamente às cooperativas e, principalmente, criando valor para resíduos que antes eram considerados inviáveis. Por meio do programa Yattó Transforma, materiais sem mercado passam a ser comprados e reaproveitados, gerando renda para catadores e reduzindo o volume destinado a aterros.
Esses resíduos são convertidos em novos produtos, como mobiliário e madeira plástica, promovendo uma lógica mais inteligente de uso de recursos.
Além disso, a empresa oferece rastreabilidade total do processo, garantindo que cada etapa — da coleta à transformação — seja documentada de forma transparente. Esse modelo se torna ainda mais relevante diante de avanços regulatórios, como a Lei de Incentivo à Reciclagem, que estimula investimentos em economia circular.
O futuro da sustentabilidade passa pela verdade dos dados
Mais do que aumentar taxas de reciclagem, o estudo evidencia uma mudança de paradigma: não basta coletar — é preciso garantir que o resíduo tenha destino viável.
Ao enfrentar o problema na raiz e propor soluções para os materiais mais complexos, a Yattó reforça seu papel como protagonista em uma nova fase da sustentabilidade no Brasil — uma fase em que impacto ambiental, geração de renda e transparência caminham juntos.
No fim das contas, o verdadeiro avanço não está apenas em reciclar mais, mas em redefinir o que hoje ainda chamamos de rejeito.




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