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Brasil,11/09/2026

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    Dra. Michelle Coutinho

    A injustiça da Justiça

    Quando o Poder Judiciário desampara quem ele deveria proteger


    A injustiça da Justiça

    Quando um sentimento de injustiça surge dentro de nós, a primeira coisa que pensamos é querer que a justiça seja feita. Muitas vezes, o nosso desejo é que isso aconteça com nossas próprias mãos, outras vezes pelo Poder Judiciário e outras ainda por Deus. Ou até por tudo isso.

    A justiça feita com a próprias mãos não é admitida no Brasil. Não temos mais o “olho por olho, dente por dente” que tínhamos no passado. Hoje temos o poder judiciário que é o responsável por “reparar as injustiças”.

    Quando falamos em Justiça, imaginamos um sistema capaz de recompor danos, proteger direitos e garantir que todos sejam tratados com igualdade. No entanto, quem atua diariamente nos fóruns e tribunais sabe que, embora a Justiça seja um ideal, o sistema de justiça é formado por pessoas. E pessoas falham.

    É comum ouvirmos a expressão de que "a Justiça tarda, mas não falha". Infelizmente, para muitos cidadãos, ela tarda tanto que, quando chega, já não consegue reparar completamente o prejuízo sofrido. Exemplo disso são trabalhadores que aguardam anos pelo recebimento de verbas alimentares, famílias que enfrentam longas batalhas judiciais para garantir tratamentos médicos urgentes, condenações criminais de quem nunca cometeu um crime sequer. Quer situação mais injusta que esperar dez, quinze, vinte anos para finalizar uma ação? Quer situação mais injusta que decisões diferentes para casos idênticos? Quer situação mais injusta que o custo elevado para litigar? São custas, honorários, perícias...

    Nesses casos, ficam as perguntas: “quem devolve os anos perdidos de quem esperou demais? Quem repara a reputação de quem foi injustamente acusado? Quem indeniza uma vida que a própria Justiça não conseguiu proteger a tempo? “

    É importante compreender que Justiça não se resume à sentença. Justiça envolve acesso, duração razoável do processo, decisões fundamentadas, respeito às partes e efetividade do resultado. Um sistema verdadeiramente justo não é apenas aquele que decide corretamente, mas aquele que decide com qualidade, coerência e em tempo adequado.

    Como advogada, acompanho diariamente pessoas que chegam ao escritório carregando mais do que processos: carregam expectativas, angústias e esperança. Muitas vezes, o maior desafio não é apenas vencer uma ação, mas manter viva a confiança de que o direito será efetivamente reconhecido, que a “Justiça será feita”. Porque a maior injustiça não é perder uma ação. É perder a confiança de que a Justiça será capaz de cumprir sua verdadeira missão: proteger direitos, garantir igualdade e servir à sociedade.

    O que nenhuma democracia suporta por muito tempo é uma sociedade que deixa de acreditar que a Justiça ainda seja capaz de fazer justiça.

    Você acredita no sistema judiciário brasileiro?

    Me siga das redes sociais @michellecoutinhoadvocacia

     



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