Jiba Bruin
O bullying que a gente não vê começa dentro de casa
O bullying não está só nas agressões explícitas. Ele pode estar em uma piada, em um comentário, em uma exclusão silenciosa*Por Jéssica Bruin
Hoje eu quero falar sobre um tema sério e urgente: o bullying.
Os números mostram que essa não é uma questão pontual. No Brasil, quatro em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido alvo de bullying. Além disso, 27,2% dos alunos nessa faixa etária relatam ter sofrido algum tipo de humilhação duas ou mais vezes. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), com base em entrevistas realizadas em 2024 em escolas de todo o país.
Quando olhamos com atenção, é possível perceber uma diferença muito clara entre quem sofre e quem pratica bullying. De um lado, geralmente está uma criança ou adolescente mais retraído, envergonhado, que começa a se fechar, evita se expor e, muitas vezes, não sabe a quem recorrer. O medo é constante e presente. Existe o medo de falar, de piorar a situação, de ser julgado ou até de sofrer o dobro.
Do outro lado, está quem pratica o bullying e aqui é importante fazer uma reflexão mais profunda. Esse comportamento não nasce do nada. Ele costuma estar ligado a preconceitos já enraizados, aprendidos ao longo do tempo. E, na maioria das vezes, esse aprendizado começa dentro de casa.
Crianças não nascem preconceituosas. Elas aprendem a ser.
Se uma criança cresce em um ambiente onde não há espaço para o respeito às diferenças, onde julgamentos são naturalizados e a empatia não é exercitada, isso inevitavelmente se reflete na forma como ela se relaciona com o outro.
Por isso, o papel da família e da escola é fundamental. Não basta apenas orientar quando o problema aparece, é preciso construir, diariamente, uma base de valores. Estar atento ao comportamento, às falas, às brincadeiras e, principalmente, ao que está sendo ensinado, mesmo que de forma indireta.
O bullying não está só nas agressões explícitas. Ele pode estar em uma piada, em um comentário, em uma exclusão silenciosa.
E é por isso que precisamos falar sobre o assunto com as crianças de forma acessível, leve e constante.
A literatura tem um papel essencial nesse processo. A coleção O que cabe no meu mundo, por exemplo, foi criada justamente para abordar temas profundos, como respeito, empatia, diversidade e convivência de forma leve e compreensível para o universo infantil.
Porque ensinar valores não precisa ser duro, mas precisa ser intencional.
Quando ensinamos uma criança a respeitar o outro, estamos formando não só um indivíduo melhor, mas uma sociedade mais consciente, mais justa e mais humana.
E, no fim, é isso que realmente importa.
*Jessica Bruin é CEO da Bom Bom Book’s, editora brasileira especializada em literatura infantil e infantojuvenil, com sede em Belo Horizonte (MG) e produção internacional na China. Fundada oficialmente em 2015, a marca nasceu da experiência familiar no mercado editorial desde a década de 1980. Seus livros são vendidos em 72 países, traduzidos para sete idiomas e utilizados em escolas e programas educativos em todo o mundo. A editora é reconhecida por seu catálogo de obras com curadoria especializada e foco em temas como educação emocional, sustentabilidade, diversidade e desenvolvimento cognitivo infantil.



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