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Brasil,01/06/2026

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    Assim Doce

    Pistache: a tendência que segue conquistando a confeitaria

    A cor da vez continua sendo verde

    Foto: Creative Commoms
    Pistache: a tendência que segue conquistando a confeitaria

    A semente de origem no Oriente Médio caiu de vez no gosto dos brasileiros e tem feito bonito nas cozinhas e confeitarias

    Existe uma lenda que conta que a Rainha de Sabá, célebre por sua inteligência, riqueza e sofisticação, exigia para si toda a produção de uma determinada semente,reservando-a aos salões de seu reino e aos banquetes oferecidos aos seus mais ilustres convidados. A monarca sabia das coisas ou, ao menos, possuía um paladar capaz de distinguir o extraordinário do comum.

    A tradição também conta que Adão, ao deixar o Jardim do Éden, levou consigo um punhado dessas sementes. Não por acaso, o pistache aparece citado em passagens bíblicas e acompanha a história há milênios. Evidências arqueológicas encontradas na Turquia e na Síria indicam que seu consumo remonta a cerca de 7000 a.C. Talvez seja dessa combinação entre o sagrado, a antiguidade e a nobreza que nasce sua aura quase mítica. Mais do que um ingrediente, o pistache carrega consigo uma história que atravessa civilizações, reis e impérios, preservando até hoje o status de uma das joias da gastronomia.

    Seu preço também contribui para tal fama. O pesteh, de origem iraniana, está entre as oito especiarias mais caras do mundo, ao lado do açafrão, cardamomo e fava de baunilha. Ou seja, pode sustentar sem modéstia o título de iguaria.

    A história do pistache começa no Oriente Médio, mais precisamente na Síria e na antiga Mesopotâmia. Foi quando chegou à Itália, no entanto, que o pistache ganhou fama pelo mundo. A paixão dos italianos pelo pistacchio fez com que eles elevassem a qualidade do insumo a um patamar ainda mais alto. Tanto que os cultivados na cidade de Bronte, região da Sicília, têm selo de denominação protegida (DOP) e foram batizados de ouro verde.

    No Brasil, não há produção de pistache. O Ceará vem alguns anos ensaiando testes, mas o negócio ainda não foi para frente. Então, a origem de todo pistache comido pelas bandas de cá vem de fora. Lembrando: é extremamente importante separar o joio do trigo, ou melhor, o pistache verdadeiro de emulsões saborizadas totalmente artificiais. Essas nem devem ser levadas em conta.

    Pistache: de entrada a sobremesa

    Mas é na gastronomia que o pistache realmente brilha. E essa não é uma história recente. Há alguns anos, o ingrediente vem conquistando espaço e se consolidando como uma das grandes estrelas da confeitaria contemporânea. Em 2019, ganhou ainda mais projeção ao ser escolhido pela Starbucks como protagonista de uma linha inteira de bebidas, incluindo latte, iced e frappuccino.

    De lá para cá, sua presença só se expandiu. O que antes aparecia de forma tímida em algumas receitas passou a ocupar vitrines inteiras. Ovos de Páscoa recheados, bolos, tortas, gelatos, cookies, croissants e chocolates passaram a exibir o tom esverdeado como um selo de sofisticação. O pistache deixou de ser apenas um ingrediente para se tornar um fenômeno gastronômico  daqueles raros casos em que a popularidade parece crescer na mesma medida que o prestígio.

    Se existe um exemplo capaz de traduzir o sucesso do pistache aqui na Assim, Doce! ele atende pelo nome de bolo de pera com pistache e chocolate. Presença constante entre os campeões de venda da vitrine e das encomendas, a receita conquistou os clientes justamente por fugir do óbvio. A suavidade e a suculência da pera encontram a intensidade do chocolate, enquanto o pistache entra em cena agregando textura, aroma e uma elegância discreta ao conjunto. O resultado é uma combinação surpreendente, que mostra como o ingrediente vai muito além das tendências e tem a capacidade de transformar boas receitas em experiências memoráveis.


    Bolo de Pêra com Pistache e Chocolate da Confeitaria Assim, Doce! @assimdoce

    O crescimento do pistache nos cardápios parece não dar sinais de desaceleração. O ingrediente deixou de ser uma aposta pontual para se tornar presença permanente em confeitarias, cafeterias, sorveterias e restaurantes. Um bom exemplo é a Bacio di Latte, que transformou um festival temático em uma expansão definitiva do cardápio após o sucesso das receitas com pistache. Hoje, a marca oferece diversas opções com o ingrediente, incluindo seu sabor mais vendido em todo o Brasil. Tudo indica que o pistache já ultrapassou a condição de tendência passageira e conquistou um lugar cativo no paladar dos brasileiros.




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