Jiba Bruin
Ler é formar emoções: por que os livros infantis são mais necessários do que nunca?
Leitura constrói espaço emocionalO Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, é mais do que uma data simbólica. Para mim, ele funciona como um lembrete diário de que estamos formando não apenas leitores, mas pessoas. E, nesse processo, a leitura tem um papel que vai muito além do aprendizado formal.
Hoje, vivemos em um mundo marcado pelo excesso de telas, estímulos rápidos e respostas imediatas. As crianças crescem em um ambiente em que tudo acontece com velocidade e isso impacta diretamente a forma como elas lidam com emoções, frustrações e relações. É nesse contexto que o livro ganha ainda mais relevância.
Quando uma criança lê ou escuta uma história, algo importante acontece no cérebro. O córtex pré-frontal é ativado, estimulando a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e ao prazer. Diferentemente dos estímulos rápidos, a leitura exige tempo, construção e imaginação. Ela cria novas conexões neurais, fortalece a linguagem e desenvolve a capacidade de interpretar o mundo.
Mas, para além da ciência, existe algo que considero ainda mais potente, que é a leitura como espaço emocional.
É no contato com as histórias que a criança começa a reconhecer sentimentos, testar hipóteses, fazer perguntas e imaginar possibilidades. É nesse território simbólico que nascem os primeiros entendimentos sobre empatia, respeito, medo, coragem e pertencimento. Em outras palavras, é onde os sonhos começam a tomar forma.
Ao longo da minha trajetória no universo da literatura infantil, percebo cada vez mais a necessidade de criarmos pontes entre o que as crianças sentem e o que elas conseguem expressar. E é exatamente esse o papel de projetos editoriais que trabalham a educação emocional desde cedo.
A coleção O que cabe no meu mundo, por exemplo, nasce com esse propósito: apoiar crianças e famílias no diálogo sobre sentimentos, escolhas e valores que fazem parte do crescimento. Ao mesmo tempo que reforça conceitos como respeito, amizade, gratidão e empatia, também abre espaço para conversar sobre comportamentos que precisam ser compreendidos e evitados, como preconceito, egoísmo, bullying e intolerância.
Falar sobre emoções com crianças não é antecipar problemas, é oferecer ferramentas. É permitir que elas cresçam com mais consciência sobre si mesmas e sobre o outro.
E, talvez, esse seja o maior desafio e também a maior oportunidade da nossa geração, formar crianças emocionalmente mais preparadas para um mundo que é, ao mesmo tempo, complexo e cheio de possibilidades.
Incentivar a leitura desde cedo é um dos caminhos mais consistentes para isso. Porque, no fim, permitir que uma criança sonhe é também dar a ela recursos para explorar o mundo com curiosidade, autonomia e coragem.
E poucas ferramentas são tão completas quanto um livro.
*Jessica Bruin é CEO da Bom Bom Book’s, editora brasileira especializada em literatura infantil e infantojuvenil, com sede no Guarujá (SP) e produção internacional na China. Fundada oficialmente em Belo Horizonte (MG) no ano de 2015, a marca nasceu da experiência familiar no mercado editorial desde a década de 1980. Seus livros são vendidos em 72 países, traduzidos para sete idiomas e utilizados em escolas e programas educativos em todo o mundo. A editora é reconhecida por seu catálogo de obras com curadoria especializada e foco em temas como educação emocional, sustentabilidade, diversidade e desenvolvimento cognitivo infantil.



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