Após vender Gama Academy, Guilherme Junqueira volta a empreender de olho nos agentes de IA

Guilherme Junqueira, fundador da Gama Academy – edtech vendida para o Grupo Ânima Educação em 2021 –, voltou a empreender: ele anuncia nesta segunda-feira (8/12) o lançamento da Delta Academy, escola de formação executiva focada em inteligência artificial.
52 mil profissionais se formaram nos cursos da Gama Academy, especializados em tecnologia, com taxa de 90% de empregabilidade. Desde a venda da edtech para a gigante da educação privada por R$ 33,8 milhões, Junqueira cumpriu um período de earn out de três anos e tirou um ano sabático para cumprir a cláusula de não competição. Ele aproveitou a fase para escrever um livro, passar mais tempo com a família, investir em startups e manter a presença no ambiente educacional como sócio-executivo da Link School of Business.
“Foi ali que tive um dos estalos: qual é a próxima grande tese do mercado educacional e como posso atuar nele? A questão da inteligência artificial ficou óbvia para mim e, melhor do que ficar com medo do futuro, prefiro criá-lo. Não consegui resistir, a IA só vai dar certo se a gente preparar as pessoas, documentar os processos e organizar os dados”, opina.
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A tese inicial era montar uma espécie de Y Combinator para acelerar novas startups que estavam nascendo com IA como core business. O objetivo era apoiar no crescimento e gerar deal flow de investimento para Junqueira. “A tese não foi para frente, apesar dos meus alunos e de ter um bom relacionamento com o ecossistema de inovação. Percebi que a dor não era tão grande quanto a de um CEO de empresa que vê a IA como ameaça ou oportunidade para transformação digital”, aponta.
Junqueira então pivotou o modelo para formar CEOs e executivos e, assim, estruturar um processo de upsell para educar também líderes e colaboradores, implementando uma mentalidade de inovação nas empresas como um todo – de cima para baixo. Ao lado dele estão sócios com background relevante em tecnologia: Felipe Furlan (CTO), com mais de 18 anos de experiência em IA e dados; e Maurílio Alberone (CMO), cofundador da Edools, investida pela 500 Startups.
Mais de 200 empresários e executivos, de 80 empresas, incluindo Natura, Stone, XP, Darwin Seguros, Banco BV e IVECO, passaram pela imersão desde agosto de 2025. 150 colaboradores também participaram da formação. Como reflexo, reduziram custos ou descobriram novas fontes de receita com a implementação da IA.
“A gente não dá treinamento para o time se os executivos não fizerem primeiro. Se o dono da caneta não sentir o impacto, não vale a pena”, destaca Junqueira. O CEO afirma que a empresa faturou mais de R$ 4 milhões em quatro meses.
A Delta Academy desenvolveu dois produtos: uma imersão presencial de três dias em São Paulo, que acontece mensalmente, focada em empresários e executivos. O investimento para participação é de R$ 10 mil; a outra formação é destinada a colaboradores e líderes e inspirada em um produto da Gama Academy, um bootcamp de seis semanas para profissionais de marketing, vendas, programação e design, onde se aprende teoria e prática a partir de desafios semanais trazidos por empresas. A primeira edição, prevista para março, será destinada para os alunos da Gama Academy.
“Queremos criar um grande padrão de treinamento de humanos para, daqui a dois anos, sermos uma escola de agentes de inteligência artificial. Queremos muito poder contribuir com os novos passos que o mercado brasileiro de IA está seguindo”, diz Junqueira. Segundo o CEO, a meta é empregar 1 milhão de agentes em empresas brasileiras, sendo pilotados por 100 mil humanos capacitados nos próximos cinco anos.
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A ambição é construir uma infraestrutura de certificação em IA para empresas, a exemplo da ISO, que define padrões de qualidade industrial. A Delta Academy quer estabelecer o framework de referência para proficiência em IA corporativa, apostando que os agentes precisarão de treinamentos e certificações, assim como profissionais humanos.
“Vamos classificar as melhores formas que humanos fazem trabalhos dentro das funções que mapeamos. Temos capacidade de fazer com que tudo o que ensinamos seja motor de treinamento para nosso modelo. Assim, no futuro, poderemos ter um nível de padrão de excelência para as empresas terem a melhor governança e segurança na aplicabilidade dos agentes”, afirma.
Bootstrapping, Junqueira diz que a tese tem chamado a atenção de fundos do Vale do Silício, para onde viajou duas vezes neste ano. Ele também afirma que foi sondado por fundos brasileiros, que mapearam seu perfil de empreendedor de segunda viagem. “Parece que, pela primeira vez, os brasileiros estão no lugar certo e na hora certa para a festa da IA. Temos excelentes cases, alguns já morando em São Francisco (EUA)”, comenta.
Ele acrescenta que a ideia não é captar neste momento. “O acesso que pude construir traz tranquilidade e calma para não sair diluindo a empresa no início, com a tração que já estamos registrando e que pode ser ainda maior no ano que vem”, conclui.
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