Black Fraude: empresas que fazem falsas promoções correm riscos; entenda

As promoções da Black Friday, que acontece em 28 de novembro, já estão começando a pipocar por aí — assim como as ofertas fake. Com a proliferação, ano após ano, de casos de descontos aplicados sobre preços previamente inflados, até um nome "carinhoso" foi criado: Black Fraude. Ações desse tipo lesam o público, impactam negativamente a confiança do consumidor e podem gerar consequências legais para as empresas envolvidas.
“Ao se deparar com o preço original elevado, o consumidor tende a ancorar sua percepção de valor nesse número. Isso facilita a apresentação de promoções enganosas”, analisa Claudio Felisoni, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e professor da FIA Business School. Os descontos falsos são os maiores responsáveis por prejudicar a imagem de uma marca. Isso porque, com campanhas de conscientização e repercussão de casos de anos anteriores, o público está cada vez mais apto a identificar as fraudes.
“É importante apresentar ofertas reais, que representem oportunidades legítimas para o consumidor, evitando ações que possam prejudicar sua reputação”, aponta Felisoni. A orientação vale para os pequenos empreendedores: se a promoção não cabe dentro da realidade financeira do negócio, é melhor ficar de fora do que arriscar-se com falsas ofertas.
Veja os principais riscos:
Perda de credibilidade
Com a circulação rápida de informações, uma oferta falsa pode ser reconhecida e circular pelas redes sociais em grandes proporções, o que resulta na perda de confiança do consumidor em relação a empresa. “Esse comportamento pode ter impacto significativo nos resultados no médio e longo prazo”, diz Felisoni.
Uma pesquisa realizada pelo site Reclame Aqui mostra que 48% dos clientes que vão comprar na Black Friday monitoram os preços dos produtos desde agosto, o que demonstra a preocupação e cuidados em relação aos golpes. “Os consumidores estão cada vez mais bem informados e a reputação das empresas que procedem desta forma poderá ficar bastante prejudicada”, opina Eduardo Ariente, professor da faculdade de direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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Responsabilidades legais
Considera-se propaganda enganosa qualquer oferta que fornece uma informação total ou parcialmente inverídica, capaz de induzir a erro. “Isso inclui promessas irreais quanto a características, qualidade, origem, procedência, preço ou tempo de entrega”, diz Ariente.
Segundo ele, a prática pode gerar punição em três esferas: civil, penal e administrativa. “As empresas que divulgarem informações inverídicas na Black Friday podem ter de pagar indenizações por danos materiais e morais, e os seus responsáveis serem punidos criminalmente”, explica.
Ainda é possível que a empresa seja obrigada a veicular uma contrapropaganda, esclarecendo que as informações divulgadas ao público estavam incorretas ou eram enganosas. “Cabem outras sanções administrativas, como notificação, multa e, em casos mais graves, suspensão temporária das atividades ou encerramento da empresa”, acrescenta o professor.
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