Vestido bandage, o queridinho dos anos 2000, volta com força total – e mais moderno

Febre entre celebridades no início do milênio, o bandage dress volta aos holofotes, repaginado e pronto para conquistar a nova geração Ele é justo, marcante e — como tudo na moda — cíclico. O vestido bandage, aquele que envolve o corpo em faixas elásticas como se fosse uma escultura, está vivendo um retorno glorioso. Lançado originalmente nos anos 1980 por Azzedine Alaïa e consagrado nos anos 90 por Hervé Léger, o modelo ganhou status de ícone fashion no início dos anos 2000, quando passou a ser figurinha carimbada nos tapetes vermelhos, usado por celebridades como Kim Kardashian, Lindsay Lohan e Paris Hilton. Naquela época, a estética era pura sensualidade: curvas em destaque, maquiagem carregada, salto altíssimo e muito brilho.
Kim Kardashian
Reprodução
Agora, em pleno 2025, o bandage dress reaparece nas passarelas, editoriais e armários com uma proposta atualizada. As novas versões mantêm a essência — a modelagem justa, estrutura em faixas, o poder de transformar o corpo — mas surgem com silhuetas mais suaves, tecidos tecnológicos, cores vibrantes e, acima de tudo, um novo olhar sobre a sensualidade.
Parte da retomada vem do desejo de resgatar o espírito ousado dos anos 2000, que segue ditando tendências como o retorno de calças de cintura baixa, os comprimentos míni e os acessórios marcantes. Marcas como Hervé Léger estão apostando em releituras elegantes e modernas do vestido, enquanto influenciadoras de moda e celebridades já voltaram a exibir versões em eventos e festas ao redor do mundo.
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Quer um exemplo? Em setembro passado, Kaia Gerber usou um vestido bandage branco recriado pela Hervé Léger para reproduzir o vestido bandage branco Hervé Legér usado por sua mãe, Cindy Crawford, no Oscar de 1993 com Richard Gere. Já em abril deste ano, Hailey Bieber usou um bandage Saint Laurent na premiação Fashion Trust US. A empresária por trás da Rhode reforçou o estilo no início de junho com um Léger vintage.
Kaia Gerber
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Cindy Crawford e Richard Gere no Oscar de 1993
Getty Images
Hailey Bieber, de Saint Laurent
Getty Images
Para além das questões de estilo, há também um movimento mais profundo acontecendo: a supervalorização de corpos extremamente magros e o crescimento do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. O bandage dress reaparece em um cenário onde o culto à magreza volta a ser discutido com preocupação.
Celebridades, influencers e até estilistas voltaram a exibir corpos visivelmente mais esguios, muitas vezes como resultado do uso de fármacos originalmente destinados ao tratamento da diabetes tipo 2, mas amplamente utilizados para perda de peso. O fenômeno Ozempic, assim como Mounjaro, tornou-se onipresente nas conversas sobre corpo e estética, gerando um novo ideal que ecoa perigosamente o padrão dos anos 2000, aquele que o próprio vestido bandage simbolizava com perfeição quase cirúrgica.
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Esse retorno acontece ao mesmo tempo em que a moda ainda tenta sustentar um discurso de diversidade corporal e inclusão. Nos últimos anos, vimos marcas abrirem espaço para manequins maiores e diferentes silhuetas nas passarelas. Mas a nova ascensão de peças como o bandage dress, historicamente associadas a uma forma corporal específica, levanta a pergunta: estamos, de fato, avançando?
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