Liderar do seu jeito: o que a nova liderança feminina pode ensinar ao trade marketing e à vida
Arquivo: Canva Autenticidade, confiança e colaboração: por que a influência não depende de copiar modelos de liderança, mas de reconhecer a própria força e transformá-la em impacto.
Em um mercado que exige cada vez mais agilidade, inovação e resultados, ainda existe uma pergunta importante: precisamos liderar seguindo modelos tradicionais ou podemos construir uma forma própria de exercer a liderança?
Essa reflexão aparece no artigo Women Leadership 101: Toss The Rule Book And Lead Like YOU, publicado pela Forbes Coaches Council, no qual Kiran Mann defende uma liderança conectada à individualidade, aos valores e às fortalezas de cada profissional.
A autora apresenta uma ideia que considero especialmente relevante: não precisamos reproduzir o estilo de outras pessoas para sermos boas líderes. Precisamos desenvolver consciência sobre quem somos e como podemos gerar valor por meio da nossa atuação.
Essa reflexão vai muito além da liderança feminina. Ela se conecta à maneira como construímos nossas carreiras, conduzimos equipes, negociamos, influenciamos decisões e transformamos estratégias em resultados. E tem tudo a ver com trade marketing.
1. Autenticidade não é um detalhe. É uma força de liderança.
No artigo, Kiran Mann escreve:
“Leadership is deeply personal.”
Em tradução livre: a liderança é profundamente pessoal.
A reflexão é importante porque, durante muito tempo, o imaginário da liderança esteve associado a comportamentos bastante específicos: ser sempre firme, ter todas as respostas, demonstrar segurança o tempo inteiro e nunca revelar dúvidas.
Mas liderar não significa representar um personagem.
Na minha visão, uma liderança consistente começa quando reconhecemos nossas fortalezas, entendemos nossos pontos de desenvolvimento e encontramos uma maneira própria de influenciar pessoas.
No trade marketing, isso faz muita diferença. Estamos constantemente conectando áreas com prioridades distintas: indústria, varejo, comercial, marketing, operações e equipes de campo.
Não basta conhecer indicadores, dominar ferramentas ou apresentar um excelente planejamento. É preciso saber ouvir, negociar, construir relacionamentos e mobilizar pessoas em torno de objetivos comuns.
Minha visão: a competência técnica abre portas, mas é a capacidade de conectar pessoas e gerar confiança que fortalece a influência profissional.
E isso vale para qualquer ambiente: da reunião estratégica à execução no ponto de venda.
2. Liderar não é controlar. É criar condições para que as pessoas contribuam.
Outro ponto importante da matéria é a proposta de redefinir a liderança a partir de valores pessoais, confiança e colaboração, em vez de simplesmente reproduzir modelos rígidos de comando.
Kiran Mann escreve:
“Trust and partnership” — confiança e parceria.
Essas duas palavras resumem um princípio que considero essencial para o trade marketing.
Uma estratégia não acontece porque alguém criou uma apresentação bonita ou estabeleceu uma meta ambiciosa. Ela acontece quando as pessoas compreendem o objetivo, reconhecem seu papel e conseguem trabalhar juntas para alcançá-lo.
Imagine uma indústria que desenvolve um calendário promocional para um varejista. O planejamento pode estar tecnicamente correto, mas, se não houver alinhamento com o comprador, o time comercial, a operação da loja e a equipe responsável pela execução, a oportunidade pode se perder no caminho.
O mesmo vale para a liderança de equipes: não adianta cobrar resultados sem criar clareza, oferecer direcionamento e ouvir quem está na linha de frente.
Minha visão: liderar é transformar objetivos individuais em compromissos compartilhados.
No trade marketing, isso significa sair da lógica de departamentos isolados e construir uma atuação integrada, em que cada área entenda como sua contribuição impacta o resultado final.
Na vida, significa compreender que ninguém constrói grandes resultados sozinho.
3. Vulnerabilidade não elimina a autoridade. Pode fortalecer a confiança.
A autora também aborda a importância de reconhecer que não temos todas as respostas. Em vez de tentar resolver tudo sozinha, ela relata como a transparência abriu espaço para que outras pessoas contribuíssem com soluções.
Essa perspectiva muda a maneira como entendemos a força de uma liderança.
Existe uma diferença entre demonstrar segurança e fingir que nunca temos dúvidas. A primeira inspira confiança; a segunda pode impedir conversas importantes e limitar a colaboração.
No trade marketing, reconhecer um problema na execução, admitir que uma estratégia não entregou o resultado esperado ou rever uma decisão diante de novos dados não deveria ser interpretado como fracasso.
Pelo contrário: demonstra compromisso com o aprendizado e com a melhoria contínua.
Quando uma ação promocional não performa como previsto, a pergunta mais produtiva não é apenas quem errou. É o que os dados, a operação e o comportamento do shopper estão nos mostrando.
Precisamos ter maturidade para rever hipóteses, escutar quem conhece a realidade da loja e corrigir a rota.
Minha visão: autoridade não é ter sempre razão. É assumir a responsabilidade de buscar a melhor solução, mesmo quando isso exige mudar de opinião.
Essa postura também nos acompanha fora do trabalho. Evoluir exige reconhecer limites, aprender com as experiências e manter a disposição para fazer diferente.
4. Confiança profissional se constrói na prática.
Outro insight apresentado por Kiran Mann é que a confiança não surge pronta: ela se desenvolve ao longo do tempo, por meio das experiências, do reconhecimento das próprias conquistas e do aprendizado com os desafios.
Essa é uma reflexão especialmente importante para mulheres que desejam ampliar seu espaço de influência.
Muitas profissionais esperam sentir-se completamente preparadas antes de assumir um novo desafio, conduzir uma reunião importante, defender uma ideia ou ocupar uma posição de maior responsabilidade.
Mas a confiança também se desenvolve quando nos colocamos em movimento.
No trade marketing, isso significa defender uma recomendação baseada em dados, questionar uma prática que não gera valor, apresentar uma oportunidade comercial ou mostrar que determinada execução precisa ser revista.
Não é falar mais alto. É saber por que estamos defendendo uma ideia e conseguir demonstrar seu valor.
Também significa reconhecer nossas entregas, dar visibilidade aos resultados e compreender que compartilhar conhecimento não diminui nossa competência.
Minha visão: não precisamos esperar que alguém reconheça todo o nosso potencial para começar a agir de acordo com ele.
Precisamos construir repertório, desenvolver argumentos, aprender continuamente e assumir a responsabilidade pela nossa trajetória.
5. Estratégia precisa de propósito para mobilizar pessoas.
Um dos pontos abordados no artigo é a relação entre planejamento e paixão pelo que se faz. A autora relata uma experiência em que comunicar o propósito do projeto ajudou a mobilizar a equipe diante de prazos desafiadores.
Esse exemplo reforça uma questão fundamental: planejamento e execução são indispensáveis, mas as pessoas precisam compreender o significado do trabalho para se comprometerem de verdade.
No trade marketing, vejo isso diariamente como um princípio de gestão.
Um calendário promocional pode estar completo. A verba pode estar aprovada. Os materiais podem ter sido produzidos e as metas, estabelecidas.
Mas qual problema de negócio estamos tentando resolver? Que necessidade do shopper queremos atender? Como essa ação contribui para os objetivos da indústria e do varejo? E como vamos medir se ela realmente funcionou?
Sem essas respostas, corremos o risco de confundir atividade com estratégia.
O propósito conecta as tarefas ao resultado esperado. Ele ajuda as equipes a compreenderem prioridades, tomarem decisões melhores e identificarem oportunidades de melhoria.
Minha visão: estratégia não é apenas definir o que será feito. É garantir que todos entendam por que será feito, para quem e com qual resultado esperado.
E essa talvez seja uma das maiores contribuições de uma boa liderança: dar sentido ao trabalho e criar condições para que a estratégia aconteça de verdade.
6. Não existe uma única fórmula para liderar — e isso também vale para a vida.
Ao defender a construção de uma identidade própria de liderança, Kiran Mann propõe que cada profissional reconheça seus valores, suas experiências e suas fortalezas, em vez de simplesmente copiar o estilo de outras pessoas.
Levo essa reflexão para além do ambiente corporativo.
Na carreira, podemos aprender com outras lideranças sem precisar nos tornar uma réplica delas. Podemos admirar a capacidade de comunicação de alguém, a visão estratégica de outra pessoa e a habilidade de negociação de uma terceira, incorporando esses aprendizados à nossa própria identidade.
No trade marketing, essa individualidade pode se manifestar na forma como construímos parcerias, interpretamos o comportamento do shopper, desenvolvemos equipes e encontramos soluções para os desafios do negócio.
Na vida, ela aparece nas escolhas que fazemos, nos limites que estabelecemos, na maneira como lidamos com as mudanças e na coragem de rever caminhos.
Isso não significa fazer tudo do nosso jeito, sem considerar os outros. Significa desenvolver autonomia, mantendo abertura para aprender, colaborar e evoluir.
Minha visão: maturidade profissional é saber aprender com diferentes referências sem perder a própria identidade.
Para concluir: influência é o impacto que deixamos.
O artigo da Forbes traz uma reflexão valiosa sobre autenticidade, confiança, vulnerabilidade, desenvolvimento da autoconfiança e construção de um estilo próprio de liderança.
Para mim, todos esses pontos convergem para uma ideia: liderar é exercer influência de maneira consciente e responsável.
No trade marketing, essa influência se traduz na capacidade de conectar indústria e varejo, transformar dados em decisões, aproximar estratégia e execução e colocar o shopper no centro das escolhas.
Na vida, ela aparece na maneira como inspiramos pessoas, enfrentamos desafios e contribuímos para construir ambientes melhores.
Não precisamos reproduzir todos os modelos que conhecemos. Precisamos entender quais valores queremos representar, quais competências precisamos desenvolver e que tipo de impacto desejamos gerar.
E deixo uma pergunta para reflexão: você está construindo uma liderança que representa quem você é ou tentando se encaixar em um modelo que nunca foi seu?
Na minha coluna da Revista Salto, em “O futuro será mais feminino?”, trago uma reflexão sobre representatividade, oportunidades e os desafios para construir uma liderança mais diversa.
Porque, assim como no Trade Marketing, não basta ter uma boa estratégia no papel. É preciso criar condições para que ela aconteça.
Clica aqui e leia a matéria completa e reflita comigo sobre o futuro da liderança feminina.
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Referência: Kiran Mann. Women Leadership 101: Toss The Rule Book And Lead Like YOU. Forbes Coaches Council, 8 de novembro de 2024.
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