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Brasil,06/10/2026

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    O futuro será mais feminino?


    O futuro será mais feminino? Arquivo: Canva

    Quando falamos sobre o futuro da liderança, uma pergunta parece cada vez mais necessária: o futuro será mais feminino?

    Os dados mostram que essa resposta ainda não é simples. Uma pesquisa da Grant Thornton, divulgada pela Forbes Brasil em março de 2026, aponta que a participação das mulheres em posições de alta liderança caiu globalmente no último ano. A representação feminina chegou a 32,9% em 2026, uma redução de 1,1 ponto percentual. Mantido o ritmo atual, a paridade de gênero em cargos de liderança só seria alcançada em 2051.

    Mas existe um dado que chama atenção: o Brasil está caminhando na direção contrária da tendência global.

    A participação das mulheres na alta liderança passou de 37% para 37,7%, colocando o país na 12ª posição entre os países analisados e acima da média global.

    Mas avançar não significa que o caminho esteja concluído.

    Não basta colocar mulheres na liderança

    A equidade de gênero precisa ser tratada como prioridade estratégica, e não como uma iniciativa pontual.

    A pesquisa destaca fatores como remuneração, recrutamento e seleção, critérios de promoção, treinamento, apoio parental e programas de mentoria.

    E existe uma diferença importante:

    Não basta promover uma mulher. É preciso criar condições para que ela permaneça, cresça e exerça sua liderança.

    Minhas infinitas... deixa eu te falar isso com clareza: colocar uma mulher na cadeira de liderança é apenas uma parte da história. Criar um ambiente em que ela tenha espaço, apoio, recursos e autonomia para liderar é outra.

    Na minha trajetória profissional, aprendi que planejamento sem execução não entrega resultado. Na liderança, talvez a lógica seja parecida: intenção sem estrutura também não transforma uma realidade.

    O Brasil está avançando — mas ainda existe um caminho

    O crescimento brasileiro chama atenção porque acontece justamente em um cenário global de retração.

    Mas a própria pesquisa mostra que a paridade ainda está distante. Isso nos leva a uma pergunta que considero ainda mais importante:

    Que tipo de liderança estamos construindo para o futuro?

    Talvez a discussão não seja apenas sobre ter mais mulheres liderando, mas também sobre transformar a própria maneira de liderar.

    Diversidade também é estratégia

    Não se trata de afirmar que mulheres lideram de uma única maneira ou que determinadas características pertencem exclusivamente ao feminino.

    Ampliar a diversidade na liderança significa ampliar experiências, perspectivas e formas de interpretar problemas e tomar decisões.

    A Forbes cita pesquisas que associam equipes de liderança mais diversas a resultados positivos para os negócios. Entre as empresas que pretendiam ampliar suas iniciativas de diversidade, 73% registraram crescimento de receita acima de 5% em 2025.

    A diversidade, portanto, não precisa ser vista apenas como uma questão de representatividade.

    Ela também pode ser compreendida como uma questão de negócio, inovação e competitividade.

    Quando pessoas com experiências diferentes participam das decisões, novas perspectivas podem surgir, problemas podem ser questionados por outros ângulos e soluções antes consideradas óbvias podem ser repensadas.

    Quem abre espaço também transforma o futuro

    Mulheres que já chegaram a posições de liderança podem ter um papel importante na construção dos próximos caminhos.

    Não apenas como inspiração, mas como ponte.

    Mentoria, networking, indicação, compartilhamento de conhecimento e abertura de oportunidades podem fazer diferença para quem está começando ou tentando avançar.

    Porque talento é importante, mas oportunidade também é.

    Parece leve... mas tem força: talvez uma das maiores conquistas de uma mulher em uma posição de liderança seja não ser a última mulher a chegar naquele espaço.

    E o futuro?

    Os dados mostram duas coisas ao mesmo tempo: o avanço feminino não é linear e pode sofrer retrocessos, mas também existem sinais concretos de evolução.

    O Brasil avançou.

    E a presença feminina na liderança já não pode ser tratada apenas como uma questão de representação. Ela também está relacionada à capacidade das organizações de inovar, compreender diferentes públicos e construir crescimento sustentável.

    Por isso, talvez a pergunta “o futuro será mais feminino?” precise de uma segunda parte:

    O que estamos fazendo hoje para que ele seja?

    Do Trade Marketing para a Vida

    No Trade Marketing, aprendi que não basta ter uma estratégia no papel. É preciso criar condições para que ela aconteça.

    Com a liderança feminina não deveria ser diferente.

    Não basta abrir uma vaga.

    É preciso criar caminho.

    Não basta promover.

    É preciso desenvolver.

    Não basta colocar uma mulher na mesa de decisão.

    É preciso garantir que sua voz seja ouvida e que outras mulheres também possam chegar até ali.

    Porque o futuro da liderança não será definido apenas por quem ocupa as cadeiras.

    Será definido também por quem cria condições para que mais pessoas tenham a oportunidade de ocupá-las.

    O futuro será mais feminino? Os números mostram que ainda temos um caminho a percorrer. Mas também mostram que esse futuro já começou a ser construído.

    Competência continua sendo essencial. Mas será que, hoje, ela é suficiente para construir uma carreira reconhecida?

    Na minha nova coluna da Revista Salto, falo sobre marca pessoal feminina, visibilidade e carreira. Clique aqui e leia a matéria completa.

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