Seja bem-vindo
Brasil,17/09/2026

    • A +
    • A -

    Marca pessoal feminina: por que competência já não é suficiente?


    Marca pessoal feminina: por que competência já não é suficiente? Arquivo: Canva

    Por muito tempo, “marca pessoal” foi associada à exposição nas redes sociais, à produção de conteúdo e à necessidade de aparecer. Mas o cenário profissional mudou — e a discussão sobre personal branding também.

    Em artigo publicado pela Forbes em abril de 2026, Claire Bahn afirma que “2025 mudou a conversa” sobre marca pessoal. Demissões, reestruturações e mudanças nas empresas tornaram as trajetórias profissionais menos previsíveis. Nesse cenário, a autora chama atenção para profissionais que conseguiram se reposicionar não necessariamente por terem mais qualificações, mas por serem visíveis, confiáveis e reconhecidos como indivíduos.

    A partir daí, a marca pessoal deixa de ser apenas uma estratégia de exposição e passa a ser entendida como um ativo profissional: algo que acompanha a pessoa mesmo quando o cargo, a empresa ou o mercado mudam.

    E essa reflexão merece atenção, especialmente para nós, mulheres.

    Durante muito tempo, fomos ensinadas a acreditar que bastava trabalhar bem, entregar resultados e esperar que alguém percebesse. Mas será que alguém realmente percebe tudo o que fazemos?

    Minhas infinitas... deixa eu te falar isso com clareza: competência é indispensável, mas se ela não é percebida e associada ao seu nome, pode não gerar todas as oportunidades que poderia.

    O cargo muda. A reputação fica.

    Um dos pontos centrais apresentados pela Forbes é justamente esse: a carreira não deveria depender exclusivamente da autoridade emprestada pelo cargo ou pela empresa.

    Enquanto estamos em uma organização, o nome da empresa, a posição ocupada e os projetos dos quais participamos ajudam a construir nossa reputação. Mas o que acontece quando esse cargo deixa de existir?

    Permanece aquilo que construímos como profissionais: experiência, conhecimento, relacionamentos, credibilidade e a associação que as pessoas fazem entre nosso nome e aquilo que sabemos fazer.

    No Trade Marketing, vejo isso de maneira muito prática. Uma profissional pode passar anos representando grandes marcas, mas existe uma diferença entre ser conhecida pela empresa que representa e ser reconhecida pelo conhecimento que construiu dentro daquele mercado.

    O primeiro pode mudar de um dia para o outro.

    O segundo acompanha você.

    Ser vista não é ser confiável

    Outro ponto importante da matéria é a diferença entre visibilidade e autoridade.

    A autora resume essa ideia de forma direta: “Being seen isn’t the same as being trusted.” Ser vista não é a mesma coisa que ser confiável.

    Essa talvez seja uma das principais reflexões sobre marca pessoal hoje. Não adianta simplesmente aparecer mais se ninguém consegue responder:

    “Essa pessoa é referência em quê?”

    Segundo Bahn, as marcas pessoais mais fortes estão associadas a um ponto de vista claro e a um problema específico que aquela pessoa sabe resolver.

    Isso muda a pergunta. Em vez de pensar apenas “como posso aparecer mais?”, talvez seja mais importante perguntar:

    “Pelo que eu quero ser lembrada?”

    Liderança? Estratégia? Gestão? Negociação? Conhecimento técnico? Desenvolvimento de pessoas? Comunicação?

    Quanto mais clara essa resposta, mais coerentes podem ser nossas escolhas, nossa comunicação e as oportunidades que buscamos.

    Não espere estar pronta

    Outro comportamento abordado pela autora é o de esperar o momento perfeito para começar.

    Esperar ter mais conhecimento. Esperar o conteúdo ideal. Esperar estar completamente preparada. Esperar alguém reconhecer que chegou a sua vez.

    Mas marca pessoal não é um produto pronto. É uma construção.

    Ela se fortalece pela repetição, pela clareza e pela presença intencional.

    Você não precisa falar sobre tudo, estar em todas as redes ou publicar todos os dias. A Forbes defende justamente a ideia de “intentional presence over constant posting”: presença intencional em vez de publicação constante.

    No varejo, aprendemos isso todos os dias. Não colocamos um produto em qualquer espaço da loja apenas para dizer que ele está exposto. Escolhemos o ponto de venda, o momento e a estratégia de acordo com o objetivo.

    Com a marca pessoal pode ser igual.

    Não precisamos estar em todos os lugares. Precisamos estar nos lugares certos.

    Experiência ainda é diferencial

    A matéria também chama atenção para o impacto da inteligência artificial na construção de autoridade. Com mecanismos generativos produzindo respostas e recomendações, ter uma presença digital genérica pode não ser suficiente.

    Nesse novo ambiente, ganham importância profissionais com experiência própria, perspectivas consistentes e conhecimento reconhecível.

    E aqui existe uma reflexão importante: a inteligência artificial pode ajudar a organizar ideias, aumentar produtividade e estruturar conteúdos. Mas ela não substitui aquilo que torna uma marca pessoal realmente única: a experiência vivida, o julgamento, as histórias e a maneira particular de interpretar um problema.

    É justamente isso que diferencia conhecimento genérico de autoridade.

    Autoridade antes da estética

    Outro ponto apresentado pela Forbes é que autoridade deve vir antes da estética.

    Isso não significa que a imagem profissional não importe. Uma apresentação coerente ajuda na primeira impressão e transmite organização e credibilidade.

    Mas estética não sustenta uma reputação sozinha.

    Uma imagem pode chamar atenção.

    É a experiência que faz alguém voltar.

    E o mesmo vale para a marca pessoal. O objetivo não deveria ser parecer especialista, mas construir uma trajetória que faça as pessoas reconhecerem sua experiência.

    A autora também aborda a importância de ocupar um território específico. Ter um nicho não significa limitar uma carreira, mas facilitar a associação entre seu nome e aquilo que você domina.

    Quando alguém pensa em determinado problema e lembra de você, existe posicionamento.

    Marca pessoal é um ativo de longo prazo

    Talvez uma das ideias mais importantes da matéria seja justamente compreender a marca pessoal como um ativo de longo prazo.

    Não é uma campanha.

    Não é uma estratégia para ganhar seguidores durante alguns meses.

    Não é uma personagem que precisa ser criada.

    É uma construção feita a partir de experiências, relacionamentos, conhecimento, posicionamento e consistência.

    Como resume Claire Bahn na Forbes: “Don’t be the loudest. Be the clearest.”

    Não seja necessariamente a pessoa mais barulhenta.

    Seja a mais clara.

    Porque competência continua sendo a base. Mas, em um mercado profissional cada vez mais dinâmico, posicionamento mostra onde você quer estar, reputação demonstra o que você construiu e presença permite que esse valor seja percebido.

    E talvez a pergunta que cada uma de nós precise fazer seja simples:

    Quando o meu nome aparece em uma conversa profissional, pelo que eu quero ser lembrada?

    Porque sua marca pessoal já está sendo construída.

    A questão é: você está deixando claro aquilo pelo qual quer ser reconhecida?

    E se construir autoridade também passa por desenvolver continuamente as competências que sustentam nossa atuação, vale ampliar essa reflexão. Clique aqui e leia “Desenvolvimento de lideranças: o que as empresas precisam repensar para 2027”, uma reflexão sobre como transformar treinamento em desenvolvimento de verdade.

    Siga-me nas redes sociais: 

    Instagram Cintia Antonacci

    Linkedin Cintia Antonacci






    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.