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Brasil,17/09/2026

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    Muito Além das Agulhas: Carla Soares e uma nova forma de compreender a Acupuntura.

    O que começou como uma busca desesperada por respostas para a dor da irmã se transformou em uma jornada de três anos de estudos, novas descobertas e uma forma diferente de compreender a relação entre corpo, emoções e equilíbrio.


    Muito Além das Agulhas: Carla Soares e uma nova forma de compreender a Acupuntura. Fotos Mauro Mendonça

    Algumas escolhas profissionais começam muito antes de se transformarem em profissão, nascem de uma experiência que nos atravessa e permanece como uma pergunta, mesmo quando ainda não sabemos exatamente onde ela vai nos levar. Foi assim que começou a trajetória de Carla Soares com as terapias integrativas, a partir de um momento em que acompanhar de perto o sofrimento da própria irmã despertou uma sensação de impotência diante de uma dor que existia, era intensa e precisava de respostas, mas que não aparecia nos exames médicos.

    Durante aquele período, vieram o medo, as crises de pânico e uma sucessão de tentativas em busca de algum caminho que pudesse trazer alívio, até que surgiu a hipótese de Síndrome do Pânico, seguida pelo acompanhamento de profissionais e pelo uso de medicamentos. As crises chegaram a ser controladas depois de muitas mudanças no tratamento, mas aquela experiência deixou uma inquietação que continuava presente, a vontade de encontrar possibilidades de cuidado antes que o sofrimento chegasse novamente a um estágio tão difícil.

    Foi dessa inquietação que nasceram três anos de pesquisas sobre terapias integrativas, uma busca que começou pela necessidade de compreender melhor aquilo que estava acontecendo e acabou abrindo uma nova direção profissional. A acupuntura já despertava fascínio, embora ainda existisse a percepção de que era preciso ir além do conhecimento inicial para entender sua essência e experimentar, na prática, os resultados que poderia proporcionar.

    O encontro com um acupunturista que trabalhava a partir de uma abordagem diferente foi decisivo nesse processo, a amizade construída entre os dois abriu espaço para novos aprendizados e, posteriormente, para a formação em Acupuntura Japonesa, uma escolha que transformaria os rumos de sua atuação. Ao conhecer uma técnica que utiliza agulhas mais finas, inseridas de maneira superficial e com grande atenção à precisão, vieram resultados que surpreenderam até mesmo quem já havia chegado ao curso com grande interesse pela área.


    Uma maneira diferente de escutar o corpo


    Dentro da perspectiva da Acupuntura Japonesa, o tratamento parte da busca pelo equilíbrio do organismo, trabalhando sobre aquilo que é compreendido como estagnações energéticas e procurando favorecer uma maior fluidez para que o corpo possa funcionar com mais liberdade. As agulhas são uma das ferramentas utilizadas nesse processo, mas estão inseridas em um universo mais amplo, que também inclui recursos como a moxabustão japonesa, o Mubum Dashin e o fio de Manaka.

    As agulhas utilizadas nessa abordagem são mais finas e inseridas superficialmente, proporcionando uma experiência considerada indolor, enquanto a quantidade deixa de ser o principal elemento do tratamento e dá lugar à precisão, já que cada ponto escolhido está relacionado àquilo que o corpo apresenta durante a avaliação.

    E é justamente nesse primeiro contato que começa uma parte essencial do processo, porque antes de qualquer técnica existe a necessidade de observar e escutar. O relato do paciente traz informações importantes, mas o corpo também revela aquilo que nem sempre consegue ser colocado em palavras, por meio de regiões doloridas, diferenças de temperatura, tensões, flacidez, estufamento e diferentes níveis de reatividade.




    O abdômen, por exemplo, pode apresentar sinais que ajudam a direcionar a avaliação, enquanto outras áreas do corpo também são observadas para que o tratamento seja conduzido de maneira individualizada. Durante a sessão, cada organismo pode responder de diferentes formas, com relatos de relaxamento profundo, sono repentino, pequenas pontadas em regiões que não receberam agulhas, movimentos intestinais mais intensos ou sensações sutis que acompanham o processo.


    Quando as emoções também encontram espaço

    A compreensão de que corpo e emoções estão relacionados ocupa um lugar importante nessa abordagem, já que os desequilíbrios que se manifestam fisicamente podem estar ligados a experiências emocionais anteriores, ao desgaste acumulado e à maneira como pensamentos e sentimentos atravessam o organismo ao longo do tempo.

    Uma dor que aparece na cabeça, por exemplo, pode ser observada dentro de um contexto mais amplo, levando em consideração aquilo que aconteceu antes de sua manifestação e as condições emocionais em que aquela pessoa vem vivendo. Por isso, a escolha dos pontos e das técnicas considera a relação entre diferentes partes do indivíduo, buscando compreender o organismo para além do sintoma que o trouxe ao atendimento.

    Foi também a partir desse olhar que surgiu outro capítulo importante dessa trajetória, quando, pouco depois de concluir a formação em Acupuntura Japonesa, veio o encontro com a Acusphera Healing, uma técnica contemporânea desenvolvida por acupunturistas e fundamentada em conceitos da Medicina Tradicional Chinesa.


    Um encontro que mudou novamente o caminho

    A descoberta aconteceu durante uma palestra do professor Raul Breves, cujo trabalho já era conhecido por meio de um livro que havia chegado às suas mãos. Naquele momento, muitos dos conceitos ainda pareciam difíceis de compreender, mas o livro foi guardado com a sensação de que, algum dia, aquele conhecimento faria sentido.

    A oportunidade de experimentar essa realidade surgiu de maneira inesperada durante a própria palestra. Seu marido estava presente e sentia uma dor bastante incômoda no punho, tornando-se a única pessoa naquele momento com uma queixa que poderia ser utilizada em uma demonstração da técnica a distância.

    A poucos metros de distância, ela acompanhou o professor realizar o procedimento e, segundo seu relato, viu aquela dor desaparecer em poucos segundos. A experiência despertou uma nova certeza e, dessa vez, a decisão de aprofundar o conhecimento veio acompanhada da convicção de que aquela técnica também faria parte de seu trabalho.


    Quando o cristal também se torna parte do cuidado


    A Acusphera Healing utiliza microesferas de cristais energizadas em um padrão específico de vibração, aplicadas em pontos correspondentes aos utilizados na acupuntura, mas com uma proposta diferente daquela atribuída às agulhas.

    Dentro da explicação apresentada pela profissional, as agulhas funcionam como antenas, enquanto os cristais são utilizados com a finalidade de harmonizar os pontos que apresentam desequilíbrio. Como não se trata de um procedimento invasivo, as Acuspheras podem permanecer nos pontos durante alguns dias, prolongando a atuação da técnica e permitindo que o processo continue mesmo depois do atendimento.

    Essa possibilidade também amplia as formas de conduzir uma sessão, já que nem sempre uma única técnica será utilizada. Em determinados casos, pode ser feita uma técnica de desbloqueio com agulhas e, depois de finalizada essa etapa, as Acuspheras podem ser aplicadas, enquanto em outras situações a moxabustão japonesa pode ocupar esse espaço, tudo de acordo com aquilo que foi observado durante a avaliação e com as respostas apresentadas pelo organismo.


    A dor pode estar contando outra história

    Um dos principais mitos relacionados à acupuntura está na ideia de que quanto maior o problema, maior será a quantidade de agulhas necessária, ou de que elas precisam ser colocadas diretamente sobre o local onde existe dor.

    Dentro dessa abordagem, a compreensão parte de uma visão mais ampla do organismo, considerando que um único desequilíbrio pode produzir diferentes manifestações ao longo do corpo. Assim, sintomas que parecem não ter relação entre si podem fazer parte de uma mesma história, o que torna a avaliação e a escolha dos pontos elementos fundamentais para compreender o que está acontecendo.

    Essa percepção também ajuda a explicar por que o tratamento pode acontecer em regiões diferentes daquela onde o desconforto se manifesta, já que a proposta está relacionada à busca pelo equilíbrio do organismo como um todo, criando condições para que o próprio corpo responda aos desequilíbrios que apresenta.


    Antes de adoecer, o corpo avisa



    Talvez uma das reflexões mais importantes deixadas por essa trajetória esteja na maneira como aprendemos a lidar com a dor. Existe uma ideia bastante presente de que suportar o desconforto por mais tempo seria uma demonstração de força, quando muitas vezes o corpo já está tentando chamar atenção para algo que precisa ser observado.

    Antes de adoecer, o organismo costuma apresentar sinais, pequenas mudanças, desconfortos persistentes ou manifestações que vão sendo incorporadas à rotina até que se tornem parte dela. Com o passar dos anos, outros sintomas podem aparecer e, embora pareçam independentes, podem carregar uma mesma origem dentro de uma compreensão integrada do corpo.

    É nesse espaço que a acupuntura também encontra uma possibilidade preventiva, estimulando um olhar mais atento para aquilo que começa a mudar antes que o organismo chegue ao limite. Perceber que algo está diferente e buscar cuidado enquanto esse sinal ainda está sendo apresentado pode representar uma maneira mais consciente de se relacionar com o próprio corpo.

    A história que levou Carla Soares à Acupuntura Japonesa começou diante da dificuldade de encontrar respostas para uma dor que não aparecia nos exames, passou por anos de pesquisa, estudo e descobertas e encontrou, na Acusphera Healing, mais uma possibilidade dentro desse caminho. Hoje, entre diferentes técnicas e formas de escuta, permanece a mesma inquietação que deu origem a tudo, compreender o corpo antes que seus sinais precisem se transformar em gritos, porque talvez cuidar de si também seja aprender a ouvir aquilo que, silenciosamente, já vem tentando dizer que alguma coisa precisa de atenção.





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