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Brasil,15/03/2026

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    Quando o museu vira sala de aula: iniciativa do MEA aproxima cultura e educação no Noroeste do RS

    Programa Prosas com a Escola abre edital para que escolas públicas transformem projetos pedagógicos em exposições e experiências educativas dentro do museu

    Exposição da Escola Bela União (Horizontina/RS) no MEA fez a comunidade escolar refletir sobre a
    Quando o museu vira sala de aula: iniciativa do MEA aproxima cultura e educação no Noroeste do RS Takaki Fotos/Divulgação MEA.


    Espaços culturais e educativos não escolares têm um papel cada vez mais relevante na formação de crianças e jovens no Brasil. Ao oferecer experiências práticas, sensíveis e contextualizadas, museus ampliam as formas de aprender e se consolidam como aliados estratégicos da educação básica. No Rio Grande do Sul, o MEA – Memorial da Evolução Agrícola, em Horizontina, tem colocado essa perspectiva em prática por meio do programa Prosas com a Escola MEA, que viabiliza experiências educativas fora da sala de aula.


    A iniciativa parte do princípio de que aprender vai além do currículo formal e que o contato com a arte, a memória, a cultura e o território fortalece o protagonismo estudantil, o senso de pertencimento e a formação cidadã. Em 2025, o programa envolveu cinco escolas públicas do Noroeste gaúcho, com a realização de 47 atividades educativas e a participação de cerca de mil alunos e professores.


    Para a professora e pesquisadora em Educação Adriana Magro (UFES), que investiga as relações entre arte, cultura e processos de aprendizagem, espaços como o MEA funcionam como verdadeiros “laboratórios sociais”. “Quando colocamos o foco no modo como se aprende, criamos oportunidades de convivência mais humanizada com o outro. Museus oferecem vivências que a escola, sozinha, muitas vezes não consegue proporcionar, e é justamente aí que essas parcerias se tornam potentes”, afirma.


    O museu como extensão da escola


    No Prosas com a Escola, o MEA atua a partir de projetos pedagógicos já desenvolvidos pelas instituições de ensino, oferecendo curadoria educativa, oficinas práticas, ações culturais e exposições que dialogam com o cotidiano dos estudantes. A metodologia inclui visitas técnicas, escuta ativa de gestores, professores e alunos, além de processos de avaliação protagonizados pelos próprios estudantes.


    Segundo a coordenadora do Social, Educativo e Socioambiental do MEA, Carla Borba, o programa não se baseia em repasse financeiro, mas na construção conjunta de experiências educativas. “A partir do que a escola já faz, o MEA propõe ações que ampliam o projeto: oficinas, vivências fora da escola, contato com artistas, artesãos e outros saberes. O foco é sempre a atividade prática, o ‘botar a mão na massa’, porque é assim que muitos aprendizados ganham sentido”, explica.



    Impactos na escola e na comunidade


    Um dos projetos desenvolvidos em 2025 foi “Tornando a nossa Bela mais Bela”, da EMEF Bela União, em Horizontina. A proposta incentivou os alunos a fotografar trajetos, espaços e vivências do bairro, refletindo sobre identidade, cuidado com o espaço público e pertencimento. O projeto culminou em uma exposição no MEA, cuja abertura foi marcada por uma performance teatral realizada pelos estudantes.


    De acordo com Angélica Vanessa Balsan, diretora da escola em 2025, a parceria com o MEA surgiu da necessidade de ampliar as experiências educativas dos alunos. Ela destaca que, antes do projeto, havia pouco envolvimento dos estudantes com temas ligados à cultura local e à preservação dos espaços coletivos. “Com a experiência proporcionada pelo Prosas com a Escola, os alunos passaram a se sentir mais pertencentes à cidade, mais interessados em aprender e mais conscientes do seu papel como cidadãos”, afirma.


    Após as atividades, a escola percebeu mudanças no comportamento e no engajamento dos estudantes. “Tivemos alunos mais participativos, curiosos e autônomos, com mais respeito aos colegas e aos espaços. Muitos entenderam que podem transformar a realidade ao seu redor, mesmo por meio de pequenas ações”, completa a educadora.



    Educação mais humana e contextualizada


    Para Adriana Magro, a aproximação entre escolas e espaços culturais ajuda a romper com a ideia de aprendizagem restrita à sala de aula. “Enquanto a escola segue diretrizes curriculares e protocolos, os espaços não formais oferecem metodologias mais livres. Quando atuam juntos, cada um com suas singularidades, constroem experiências formativas mais ricas, conectando o individual e o coletivo”, avalia.


    Com a abertura do Edital 01/2026 – Prosas com a Escola, o MEA convida escolas públicas e filantrópicas da Educação Básica do Noroeste do Rio Grande do Sul a inscreverem projetos de exposição — inéditos ou já realizados — que dialoguem com arte, educação, cultura e práticas socioambientais. Os projetos devem estar alinhados às Diretrizes Curriculares da Educação Básica (DCNEB) e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


    A proposta é transformar iniciativas pedagógicas desenvolvidas nas escolas em exposições no museu, promovendo o encontro entre estudantes, educadores e comunidade. As inscrições estão abertas até 23 de março de 2026, pelo site MEA  , e representam uma oportunidade de valorizar o trabalho das escolas públicas, estimular a criação coletiva e ocupar o museu com produções da educação regional.




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