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Brasil,16/03/2026

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    Costura volta ao radar profissional e procura por cursos cresce 55% no Brasil

    Nova geração redescobre a habilidade manual como caminho de renda, autonomia e empreendedorismo


    Costura volta ao radar profissional e procura por cursos cresce 55% no Brasil Alunos Sigbol

    Em um momento em que o mercado de trabalho passa por transformações profundas e a economia criativa ganha cada vez mais espaço, uma prática tradicional volta a despertar interesse: a costura. Durante décadas associada ao ambiente doméstico ou restrita à indústria têxtil, a atividade tem sido redescoberta por pessoas que enxergam na habilidade manual uma possibilidade concreta de geração de renda, autonomia profissional e até de criação de novos negócios.

    Levantamento da escola Sigbol, especializada na formação em moda e costura, aponta que a procura por cursos na área cresceu 55% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O dado evidencia uma mudança no comportamento de quem busca qualificação profissional e revela um novo perfil de alunos interessados em aprender a costurar.

    Segundo Aluízio de Freitas, diretor da instituição, o crescimento reflete uma transformação na forma como as profissões manuais vêm sendo percebidas.

    “Por muito tempo a costura foi vista apenas como uma habilidade doméstica ou ligada a gerações anteriores. Hoje percebemos o movimento oposto: pessoas de diferentes idades buscando formação técnica para transformar essa habilidade em profissão, renda extra ou até em um negócio próprio”, afirma.

    Entre as formações mais procuradas, o curso de corte e costura básico lidera as matrículas, concentrando 35% dos alunos. Em seguida aparecem os cursos de ajustes e reformas, com 19%, impulsionados pela crescente demanda por customização de peças e serviços rápidos de costura. Na sequência estão cursos de costura e acabamento (8%), malharia (7%) e desenho de moda e estilo (5%).

    O levantamento também mostra que a busca pela formação não está restrita a uma faixa etária específica. A maior concentração de alunos está entre 19 e 35 anos, grupo que representa 31% das matrículas e que vê na costura uma alternativa profissional ou uma forma de diversificar a renda.

    Logo depois aparecem pessoas entre 46 e 59 anos, que somam 23% dos alunos, muitas vezes motivadas por processos de reinvenção profissional ou pelo desejo de iniciar novos projetos pessoais.

    Outros dados chamam atenção: 10% dos estudantes têm entre 11 e 18 anos, indicando o interesse precoce por atividades criativas, enquanto 15% possuem mais de 60 anos, faixa que busca na costura uma forma de expressão, ocupação produtiva e desenvolvimento pessoal.

    Para o diretor da Sigbol, mudanças no comportamento de consumo também ajudam a explicar o crescimento da procura. A valorização do trabalho artesanal, a busca por peças exclusivas e o avanço de práticas mais sustentáveis na moda vêm estimulando o interesse por aprender a costurar.

    “A valorização do feito à mão, da personalização e da sustentabilidade fez com que muitas pessoas voltassem a olhar para a costura como uma habilidade extremamente relevante. Quem domina essa técnica pode prestar serviços, empreender ou até desenvolver sua própria marca”, explica.

    Além da mudança cultural, outro fator importante é o déficit histórico de profissionais qualificados na cadeia têxtil brasileira. Mesmo sendo um dos maiores produtores de moda do mundo, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra especializada em áreas como confecção, modelagem e acabamento.

    Nesse contexto, cursos técnicos e profissionalizantes ganham relevância tanto para quem deseja iniciar uma nova carreira quanto para quem busca adquirir competências práticas em um setor que continua demandando profissionais.

    Para Aluízio de Freitas, o cenário atual reforça que a costura deixou de ser vista apenas como uma atividade tradicional e passou a representar também um instrumento de independência e criatividade.

    “A costura nunca deixou de existir. O que mudou foi a forma como ela passou a ser percebida: hoje ela é também uma ferramenta de autonomia, inovação e geração de renda”, conclui.





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