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Brasil,04/04/2026

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    Do trekking com gorilas a navios com famosos: experiências exclusivas impulsionam turismo de luxo

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    Do trekking com gorilas a navios com famosos: experiências exclusivas impulsionam turismo de luxo


    Uma volta ao mundo a bordo de um jatinho privado. Uma visita ao interior do Japão para forjar sua própria faca. Partidas de tênis em quadras de Grand Slam. Uma viagem ao Ártico com a presença da Monja Coen para refletir sobre o tempo. Essas experiências ultraexclusivas integram o portfólio de agências de turismo de luxo, um mercado em plena expansão no Brasil e no mundo, segundo relatório do International Luxury Travel Market (ILTM) Latin America, desenvolvido em parceria com a Panrotas.
    O setor movimentou cerca de R$ 80 bilhões em 2023, com projeção de atingir R$ 130 bilhões até 2030. O cenário promissor também é destacado no anuário de 2024 da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), que mostra um aumento real de quase 10% no faturamento dos hotéis associados.
    As operadoras desse nicho rejeitam os tradicionais pacotes e concentram seus esforços em roteiros feitos sob medida, com valores à altura da experiência personalizada. “Oferecemos as 'private expeditions', com tudo incluso. Cuidamos da imigração, das malas, da hospedagem. Eliminamos os perrengues”, garante Alexandre Cymbalista, CEO da Latitudes, uma das maiores agências de turismo de luxo nacionais.
    Expresso do Oriente, da Belmond: dá para cruzar o globo a bordo de jatos e trens sofisticados.
    Divulgação
    Essas viagens costumam envolver navios, aviões e outros transportes, como a excursão em um trem privativo que cruza dez países europeus e a volta ao mundo com parada em oito destinos a bordo de um Boeing 757-200. Para esta última jornada, de 26 dias, devem-se desembolsar US$ 165 mil (cerca de R$ 917 mil). A Latitudes também traz convidados ilustres para enriquecer os roteiros, como no tour pelo Ártico com a Monja Coen. Outras figuras que participaram: o filósofo Luiz Felipe Pondé, a psicanalista Maria Homem e o físico Marcelo Gleiser.
    O nível de detalhes possível de solicitar se compara ao de um ateliê de alta--costura. Para luas de mel, pedidos de casamento, passeios em família... Porém, o céu não é o limite. “Às vezes, você tem todo o dinheiro do mundo, mas não acesso. Há coisas que o dinheiro não compra”, diz Melissa Fernandes, diretora de atendimento da Teresa Perez, agência com 35 anos no ramo. Entre as requisições mais inusitadas que recebeu — e não conseguiu atender — aparece um cliente que quis visitar Nova York para conhecer o atual presidente dos EUA, Donald Trump.
    Em família
    Um padrão que tem se repetido desde o fim da pandemia são as chamadas viagens transgeracionais. “Famílias grandes estão viajando juntas. O avô chama os filhos, os netos e arca com os custos. São pessoas bem-sucedidas, com tempo disponível”, diz Melissa.
    Gabriela Figueiredo, CEO da agência Matueté, confirma a tendência. “Nesta temporada, atendemos várias famílias numerosas. Há desde aquelas que fazem toda a programação em conjunto até casos em que cada núcleo segue um roteiro. Os parentes se encontram por uma semana em algum destino e, depois, cada um continua seu passeio”, afirma.
    Hotel Singita, em Ruanda, onde é possível se aventurar em trekkings com gorilas.
    Divulgação
    Busca-se o exclusivo do exclusivo. Não se trata apenas de fazer um safári, mas vivenciar tudo com privacidade, com piqueniques sofisticados e drinques ao pôr do sol. Ruanda, por exemplo, está em alta e oferece um trekking com gorilas que pode custar US$ 1.500 (cerca de R$ 8.000) por pessoa. Também há pedidos para a locação de embarcações privadas. “Temos um cliente que pretende levar sessenta convidados para comemorar seus 50 anos. Ele quer alugar um barco de alto padrão, na Europa ou no Caribe, e bancará a hospedagem do grupo”, conta Melissa.
    Viagens com significado
    Uma das demandas de quem busca essas experiências sofisticadas é que elas tenham significado, como cuidar do corpo, do espírito e da mente em clínicas de bem-estar, templos religiosos ou paisagens contemplativas — tudo no embalo do avanço do mercado de wellness. Há ainda uma exigência crescente por vivências que ampliem o repertório cultural e artístico, especialmente entre mulheres. “Os homens, em geral, preferem viagens mais curtas, para destinos conhecidos, onde sentem que têm certo domínio sobre o quem vão encontrar”, analisa Cymbalista, da Latitudes.
    Existe a possibilidade de se hospedar em residências que pertenceram a grandes nomes das artes, como a do poeta, cineasta e dramaturgo francês Jean Cocteau (1889-1963). “A casa fica em uma vila na Riviera Francesa. Conseguimos alugá-la porque possuímos um canal específico para isso”, conta Gabriela, da Matueté.
    Outro desejo em alta são as viagens de esporte, em que o atrativo são práticas como esquiar, pular de bungee jump ou assistir de perto aos Grand Slams, como em Roland Garros e Wimbledon. “Um cliente quis jogar em uma quadra do Aberto de Roma, superespecial, cheia de esculturas. Fomos atrás e conseguimos. O aluguel para um ‘day use' custava 24 mil euros (cerca de R$ 156 mil)”, conta Gabriela.
    Quadra do Aberto de Roma: um turista pediu para jogar no mesmo espaço de grandes tenistas.
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    Japão em foco
    Quando o assunto são destinos em ascensão, o Japão brilha entre os favoritos. No primeiro trimestre de 2025, o país ultrapassou a marca de 10 milhões de visitantes, de acordo com dados da Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO), o que foi impulsionado pela desvalorização do iene.
    O chef Tadashi Shiraishi, do Kanoe, montou uma consultoria de viagens para lá após inaugurar seu restaurante em São Paulo, em 2022. Filho de japoneses, ele morou por um tempo no país e resolveu disseminar a cultura aprendida com a família. “No Kanoe, as pessoas se sentavam no balcão e falavam: ‘Meu sonho é conhecer o Japão, mas não sei por onde começar’, ou ‘Já fui e gostaria de voltar e viver algo mais profundo", conta Shiraishi. Assim nasceu o My Japan by Omotebako, que sugere passeios, restaurantes, cafés e bares locais a partir da demanda dos clientes.
    A loja Tojiro Knife Gallery, no Japão: pacotes permitem até forjar a própria faca.
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    A consultoria oferece três tipos de serviço: o primeiro é cobrado por hora, voltado a viajantes mais experientes que têm dúvidas pontuais. O segundo envolve a criação de um itinerário personalizado de acordo com o orçamento disponível. O terceiro, e mais exclusivo, são as excursões nas quais o próprio chef acompanha os turistas.
    Nesses roteiros gastronômicos e diversificados, o negócio viabiliza experiências como cerimônias tradicionais do chá, com direito ao uso de quimonos. Um dos pedidos mais curiosos foi o de um cliente que desejava forjar sua própria faca no interior do Japão. “Toda viagem conta com um roteiro único”, afirma Shiraishi.




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