PEGN e Valor revelam as 20 vencedoras do Prêmio Médias de Valor

As 20 empresas vencedoras da primeira edição do Prêmio Médias de Valor foram conhecidas nesta-sexta-feira (12/12) em um evento no Hotel Rosewood, em São Paulo, para 200 convidados. A iniciativa, criada pelo Valor Econômico e por Pequenas Empresas & Grandes Negócios, conta com pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) e é apresentada pelo Itaú Unibanco. Esses casos de excelência, selecionados entre centenas de inscritos, inspiram outras organizações a elevar seus padrões de gestão.
"Este é um segmento cheio de histórias inspiradoras e gente criativa. Era um desejo antigo olhar de perto para as médias empresas, um grupo fundamental para o desenvolvimento do Brasil, com desafios diferentes das micro e pequenas empresas e das grandes corporações", destacou Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor Econômico e diretora editorial das marcas de economia e negócios da Editora Globo.
“Temos aqui uma homenagem muito merecida às médias empresas, aos empresários, muitas vezes familiares, que lutam contra muitas adversidades. Ser empreendedor no Brasil é tarefa para os fortes e corajosos”, afirmou Silene Magalhães, diretora estatutária da Fundação Dom Cabral.
Puderam se inscrever negócios com receita líquida entre R$ 15 milhões e R$ 500 milhões no exercício social encerrado em 2024, todos com fins lucrativos e sem vínculo com grandes grupos econômicos. Para a avaliação, foram organizados em quatro faixas de faturamento: de R$ 15 milhões a R$ 99,99 milhões; de R$ 100 milhões a R$ 199,99 milhões; de R$ 200 milhões a R$ 299,99 milhões; e de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões.
O prêmio recebeu mais de 500 inscrições, das quais 240 avançaram após uma triagem técnica. Essas companhias responderam a um questionário robusto – quase 200 perguntas distribuídas em quatro grandes temas (liderança, estratégia, processos e resultados) e 11 dimensões. A pontuação dessa etapa definiu uma classificação inicial, mas não garantiu o título: as mais bem colocadas passaram por uma avaliação aprofundada, que incluiu verificação documental, análise de histórico e trajetória, além de práticas de inclusão, sustentabilidade e impacto na comunidade.
“O jornalismo econômico tem papel essencial de dar visibilidade ao segmento de médias empresas. Que o prêmio Médias de Valor seja inspiração para novas histórias de sucesso, para mostrar que é possível crescer com responsabilidade e impacto positivo”, disse Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco. "É um reconhecimento inédito para quem inova, gera empregos, sustenta cadeias produtivas e tem papel fundamental no desenvolvimento econômico do país. São organizações que superaram os desafios iniciais de empreender no Brasil e perpetuam um legado”, acrescentou.
Entre as 20 vencedoras, metade pertence ao setor industrial; 30%, a serviços; e 20%, a comércio. A maioria – três em cada quatro – trabalha principalmente no modelo B2B (venda de empresa para empresa). Regionalmente, dez são do Sudeste, quatro do Sul, três do Norte, dois do Nordeste e uma do Centro-Oeste.
Resultados
As empresas vencedoras se destacam sobretudo pela gestão estratégica: elas atingem 97% da nota máxima, ante 83% das demais participantes. Entre as melhores, a estratégia é formalizada, monitorada e integrada ao dia a dia, o que contribui para o crescimento sustentado. Também se destacam pela forte incorporação do propósito e dos valores à cultura organizacional, elementos usados como base das decisões.
Outro diferencial é a visão de futuro, tratada como eixo central em 70% das vencedoras, muito acima do índice geral. Essas empresas monitoram indicadores, fazem ajustes contínuos e desenvolvem projetos de grande impacto, reforçando sua capacidade de inovação e adaptação. Na liderança e gestão de pessoas, o desempenho também é superior: elas oferecem reconhecimento alinhado aos valores e adotam práticas mais robustas de retenção e remuneração.
A capacitação tem papel crucial nesse grupo. Programas focados em tecnologia, ESG e liderança aparecem em 85% das vencedoras, enquanto 100% das lideranças participam de treinamentos formais. Entre as demais empresas, esses percentuais são significativamente menores, mostrando que a formação contínua é um dos pilares do desempenho diferenciado.
A maturidade dessas organizações também é evidente na inovação e na governança. As campeãs registram notas bem mais altas em inovação, com metas claras e alinhamento estratégico, além de estruturas de governança mais profissionalizadas, conselhos atuantes e maior transparência. A presença feminina na liderança é outro destaque: 35% das CEOs das vencedoras são mulheres, proporção muito acima das demais (16%).
A única dimensão em que as selecionadas ficam atrás é a internacionalização. Mesmo entre as melhores, exportações e presença física no exterior ainda são limitadas, evidenciando barreiras como idioma, adaptação produtiva e exigências locais. Apesar disso, o conjunto demonstra capacidade sólida de gestão, cultura forte e disciplina estratégica que as colocam entre as médias empresas mais avançadas do país.
Conheça a seguir as 20 vencedoras do prêmio Médias de Valor:
Receita líquida entre R$ 15 milhões e R$ 99,9 milhões
Ecocil
Empresa que se reinventou ao concentrar a atuação na Grande Natal, transformando foco regional em vantagem competitiva. Hoje, detém cerca de 30% do mercado local. Fortaleceu gestão, ampliou governança e acelerou lançamentos. Um aporte internacional de 2008 impulsionou essa virada. Mesmo na pandemia, manteve solidez e ajustou operações. Em 2024, iniciou seu projeto mais ousado: um complexo de 5 mil unidades em 240 hectares. Com foco e conhecimento do território, projeta dobrar o faturamento até 2027.
GB Musical
A GB Musical começou como loja de CDs em Montes Claros, em 1996. Quando as mídias físicas perderam força, transformou o negócio: passou a importar equipamentos e lançar produtos próprios, crescendo 500% no primeiro biênio. Em 2013, abriu escritório na China para garantir inovação. Na pandemia, reagiu rápido: reforçou estoques para lives e videoconferências e cresceu 200%. Hoje, atende todo o Brasil, com 95% do faturamento vindo do B2B.
Grupo IAG Saúde
Nasceu da inquietação de dois médicos diante das falhas do sistema de saúde. Em 1992, eles criaram soluções para melhorar eficiência e reduzir desperdícios. Hoje, a empresa atende 407 clientes, impactando 38 milhões de brasileiros, e cresceu 70% em dois anos. A aposta agora é um produto para o consumidor final que deve alcançar 120 milhões de pessoas, permitindo acompanhar a jornada de saúde com a operadora e reduzir riscos. A meta é crescer 20% ao ano até 2027.
MS Serviços e Soluções Energéticas
A MS Serviços e Soluções Energéticas nasceu em 2012 para qualificar a operação de usinas eólicas no Brasil. De serviços básicos, evoluiu para projetos complexos e hoje opera 45% dos aerogeradores do país, com atuação em cinco continentes. Em 2021, ganhou projeção ao recuperar 150 aerogeradores parados havia seis anos. Para enfrentar uma retração do setor, diversificou: entrou em usinas solares e criou uma fábrica de eletrônicos, que já responde por 30% da receita.
Pronutrition
A empresa nasceu em 2007 para fabricar suplementos próprios, mas há seis anos pivotou para atuar 100% no B2B, desenvolvendo produtos para grandes marcas. Cresce 60% ao ano desde 2019 e lançou quase 400 itens para 93 clientes. Em 2025, investiu R$ 11 milhões para expandir a fábrica. Com força em pesquisa e desenvolvimento, criou o hidrogel, que foi premiado no FI Innovation Awards, e avança na internacionalização.
Receita líquida entre R$ 100 milhões e R$ 199,99 milhões
Agrominas
Nasceu em 2013, em Araguaína, no Tocantins, e começou vendendo grãos e sementes. Com inovação constante, expandiu para defensivos, nutrição animal e serviços. Em 2024, inaugurou uma fábrica automatizada capaz de produzir 80 mil toneladas por ano. Cresceu 87% em 2021, 27% em 2024, e projeta expandir 20% em 2025. Hoje, opera cinco lojas em três estados e aposta em digitalização e experiência do cliente para manter o ritmo.
Bibi
Após quase quebrar nos anos 1980, reinventou processos e entrou no varejo como franquia, tornando-se a maior rede de calçados infantis do Brasil, com 130 lojas no país e 25 no exterior. Em 2025, lançou a Bibiland, loja-conceito que elevou as vendas em 30%. Também investe em automação, sustentabilidade e integração digital. Uma marca que une tradição e inovação para chegar aos 100 anos em forma.
CRN Group
Começou com uma pequena loja de suplementos em 2000 e, em 2009, criou um modelo inovador de distribuição. Cresceu rápido, virou indústria e, em 2018, lançou sua marca própria. Hoje, fabrica para 12 marcas e soma 680 itens, com presença em lojas físicas e online. Em 2024, comprou a Nutrafit e acelerou a expansão. Para 2026, projeta levar franquias para a América Latina.
Deal
Criada em 2004, a Deal nasceu quando seu fundador decidiu trocar a carreira executiva por um negócio próprio. Começou enxuta, com foco em agilidade e excelência, e logo conquistou grandes clientes. De uma fábrica de software, evoluiu para provedora completa de transformação digital, atendendo bancos e seguradoras. Cresceu 40% ao ano nos últimos quatro anos e aposta em inteligência artificial para impulsionar análises, experiência do cliente e cibersegurança.
TSA – Tecnologia de Sistemas de Automação
Foi fundada em 1992, quando a queda das reservas de mercado abriu espaço para a automação industrial. Começou em Minas Gerais, atuando com empresas de mineração e siderurgia, e hoje controla 67 máquinas em portos e pátios de minério, aplica inteligência artificial para prever falhas e opera robôs autônomos de 15 metros. Para crescer, aposta em caminhões autônomos e expansão internacional.
Receita líquida entre R$ 200 milhões e R$ 299,99 milhões
Carsten
A Carsten nasceu em 1997, em Agudos, no interior de São Paulo, como empresa de manutenção de veículos pesados. Em 2012, entrou no transporte rodoviário e, entre 2020 e 2025, investiu mais de R$ 200 milhões para expandir e modernizar a operação, multiplicando por sete seu tamanho. Hoje, opera 800 veículos próprios, 500 terceirizados e atende empresas gigantes de bens de consumo.
Grupo Nomura
Começou em 1998, quando seu fundador abriu uma primeira franquia da Arezzo, aos 22 anos, em Florianópolis. Vieram novas marcas, mas a virada ocorreu com a Adidas: em 2013, o grupo abriu duas lojas e, cinco anos depois, assumiu parte das unidades próprias da marca no país. Hoje, são 37 operações, incluindo Arezzo, Schutz e Reverte.
Japurá Pneus
Foi criada em 1973 como uma pequena borracharia em Manaus. Cresceu com ousadia: hoje são 28 unidades, cinco centros de distribuição e 385 colaboradores. Sob a liderança da quarta geração, a empresa virou sociedade anônima, criou conselho, acelerou a digitalização e implantou um call center 100% baseado em inteligência artificial, o primeiro da Região Norte.
Maxiplast
Com mais de cinco décadas de história, a Maxiplast segue crescendo com ousadia. Investiu R$ 40 milhões para ampliar o portfólio, incluindo big bags e soluções a vácuo, inaugurou uma unidade em Santa Catarina e já planeja uma fábrica no Paraguai, projeto de R$ 30 milhões. Tem cinco plantas no Brasil e produz 1,5 mil toneladas por mês.
Opus Construtech
Nasceu em 2017 com a missão de industrializar a construção. Em 2021, criou uma espécie de cidade em sete meses para abrigar 6 mil trabalhadores em Parauapebas, no Pará, a maior obra modular da América Latina. Em 2024, inaugurou um núcleo industrial com aporte de R$ 60 milhões, dobrando a produção para 6 mil módulos por ano. Em 2026, serão 11 mil.
Receita líquida entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões
Box Print
Com 67 anos de história, segue inovando com propósito. Em 2025, inaugurou duas fábricas – no Pará e no Ceará –, somando seis unidades com capacidade para converter 4 mil toneladas de papel-cartão por mês. Mantém o selo Aterro Zero, criou o programa Carbono Positivo e é Empresa B, com investimentos de R$ 74 milhões nos últimos dois anos e mais R$ 70 milhões previstos. Cresceu 100% em cinco anos e reforça sua cultura de sustentabilidade e diversidade.
Ecovita Incorporadora e Construtora
A Ecovita nasceu há 15 anos com um propósito: construir habitações populares com qualidade e respeito ao meio ambiente. Hoje, soma mais de 20 mil chaves entregues em cem cidades. Com cinco sócios e 1.250 colaboradores, projeta dobrar de tamanho em três anos, alcançando R$ 1 bilhão. Sustentabilidade e governança são pilares que guiam cada obra e cada decisão.
Engibras
Fundada em 2016, já soma 60 contratos. Atua em mobilidade urbana, saneamento, energia e grandes obras. Sob a liderança da primeira mulher à frente de uma empresa de construção pesada no Brasil, aposta em inovação e diversidade com o programa +Mulheres nas Obras. Entre os projetos, estão a Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo e o Ramal do Salgado, no Ceará.
Grupo Med+
Foi criada em 2008 e se tornou referência em serviços de urgência e emergência em aeroportos, escolas, indústrias e rodovias. Em 2025, investiu em expansão, tecnologia e qualificação, e agora avança para Portugal, com planos de chegar também à Espanha. A previsão é investir até R$ 360 milhões nos próximos dois anos. Com 7 mil colaboradores e cultura centrada em pessoas, prepara um futuro de escala global.
Tutiplast
Nascida em 1993, se consolidou como referência em soluções de injeção plástica para setores como automotivo, linha branca e eletroeletrônico. Com duas unidades em Manaus e uma em João Pessoa, prepara a chegada ao Sudeste e investe em automação, robótica e internet das coisas. Incomodada com o impacto ambiental do plástico, criou a Nexa, dedicada a bioplásticos e resinas sustentáveis.
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