Cirurgias de hérnia estabiliza no Brasil, enquanto doença atinge até 25% dos adultos
Levantamento do DATASUS mostra ligeira retração após o pico de 2024; Sociedade Brasileira de Hérnia realiza mutirões para ampliar acesso à cirurgia no SUS
Divulgação Depois de atingir o maior volume da série analisada em 2024, o número de cirurgias para correção de hérnias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estabilizou. Dados levantados no DATASUS pela Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal (SBH) mostram 334.229 procedimentos em 2023, 361.856 em 2024 e 345.725 em 2025. Já os 200.937 procedimentos registrados de janeiro a julho de 2026, se mantido o ritmo, projetam cerca de 344.400 mil cirurgias até o fim do ano, uma redução de apenas 0,3% comparado a 2025. Pouco, mas nem por isso, menos preocupante.
A pequena retração / estabilização ocorre em um cenário de alta demanda. Segundo estimativa da SBH, as hérnias da parede abdominal atingem entre 20% e 25% da população adulta brasileira, ou seja, cerca de 28 milhões de pessoas. Há muitos pacientes, para uma quantia de cirurgias insuficientes. A doença pode provocar dor e limitações para atividades cotidianas e, em alguns casos, evoluir para complicações que exigem atendimento de urgência.
O acesso à cirurgia também apresenta diferenças entre os sistemas de saúde. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, em 2023 foram realizadas 215 cirurgias de correção de hérnia por 100 mil usuários do SUS, contra 401 por 100 mil usuários dos planos de saúde. A publicação, elaborada com dados do DATASUS e da ANS, aponta uma taxa 86,6% maior na saúde suplementar. No mesmo ano, 62% das cirurgias de correção de hérnia foram realizadas pelo SUS.
Mutirões de cirurgias de hérnia
É nesse cenário que a SBH mantém uma frente de atuação direta para reduzir a demanda represada. Há mais de dez anos, a entidade promove mutirões voluntários em hospitais de diferentes regiões do país, levando cirurgiões especializados e treinamento para equipes locais e atendendo pacientes que aguardam pelo procedimento no SUS.
Recentemente, quase 250 cirurgias foram realizadas em pacientes do SUS, em Recife, por cirurgiões voluntários da SBH no período de sete dias. Na sequência, Volta Redonda (RJ) também recebeu um mutirão de cirurgias robóticas.
Em 2025, foram realizados mutirões SUS em cidades como Porto Velho (RO), Montes Claros (MG), Volta Redonda (RJ) e Roraima. Em 2026, a iniciativa continuou, incluindo uma edição em Recife (onde a fila é de 2,4 mil pacientes), que realizou cerca de 200 cirurgias, e outra em Volta Redonda que fez 20 cirurgias robóticas em pacientes do SUS.
“Com os mutirões, o papel da SBH é também contribuir para que a demanda não se transforme em filas cada vez maiores. E claro, também devolver ao paciente a qualidade de vida e o retorno sem dor às atividades do dia a dia. Além da redução nas filas, os mutirões ainda levam conhecimento e treinamento para diferentes regiões do país”, afirma o cirurgião Heitor Santos, presidente da SBH.
A hérnia da parede abdominal não tem outro tipo de tratamento a não ser o cirúrgico. Para a SBH, além de ampliar a oferta de procedimentos, é necessário fortalecer a capacitação das equipes e melhorar o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento adequado.





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