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Brasil,29/09/2026

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    O blues atravessa fronteiras

    Da memória do Mississippi às ruas de Chicago, da Argentina ao Brasil, uma turnê transforma a música em território de encontros


    O blues atravessa fronteiras Marcela Polido

    Há músicas que não apenas atravessam o tempo. Elas carregam o tempo consigo. O blues pertence a essa rara linhagem. Nascido das experiências, da resistência e das transformações culturais do sul dos Estados Unidos, encontrou em Chicago uma nova paisagem, ganhou eletricidade, ocupou as cidades e, pouco a pouco, transformou estradas em caminhos para o mundo.

    É nessa longa travessia que se inscreve a Tour Sul-Americana 2026 do Rota do Blues, reunindo o cantor e guitarrista norte americano Lorenzo Thompson e o guitarrista mineiro Bruno Marques. Mais do que uma sequência de shows, a turnê revela a música como território de encontro, onde diferentes histórias, geografias e gerações podem compartilhar a mesma linguagem.

    A jornada começou na Argentina, passando por Quilmes, Buenos Aires e Mar del Plata, antes de seguir pelo Brasil. Por aqui, a turnê percorreu Porto Alegre, Florianópolis, Lagoa Santa e Vitória. Em cada parada, o blues encontrou novos públicos, sotaques e paisagens, reafirmando sua capacidade de mudar de endereço sem perder aquilo que o tornou reconhecível.

    No encontro entre Lorenzo Thompson e Bruno Marques, essa dimensão ganha ainda outra camada. A experiência de um artista ligado à tradição do blues norte americano encontra o olhar de um músico brasileiro que fez dessa linguagem parte de sua própria trajetória. Entre os dois, abre se um espaço de diálogo em que a tradição não permanece imóvel, mas se transforma pela escuta, pela interpretação e pelo encontro.

    Essa vocação para aproximar mundos está na própria essência do Rota do Blues. Desde 2014, o projeto promove a circulação do gênero e o intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros, transformando estradas em pontes e criando novas possibilidades para que o blues continue encontrando ouvidos dispostos a recebê lo.

    Em 2026, ao completar 12 anos, o projeto amplia esse percurso com o lançamento do Selo Rota do Blues. A iniciativa leva a trajetória construída nas estradas também para o universo digital, criando novos espaços de circulação para artistas e para a produção musical ligada ao gênero.

    No fim, talvez seja essa a natureza mais profunda do blues. Uma música feita de raízes, mas que nunca deixou de caminhar. Uma linguagem que atravessa fronteiras sem abandonar sua memória e que encontra, em cada novo território, uma maneira particular de continuar existindo.

    Porque o blues não pertence apenas a um lugar ou a uma época. Ele é memória, identidade e travessia. É a história que muda de paisagem sem deixar para trás suas raízes.

    




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