Seja bem-vindo
Brasil,24/08/2026

    • A +
    • A -

    Quando a infância chega ao trabalho: 5 sinais de que o passado influencia sua carreira


    Quando a infância chega ao trabalho: 5 sinais de que o passado influencia sua carreira Arquivo: Canva

    Experiências vividas nos primeiros anos de vida podem aparecer na forma como lideramos, tomamos decisões, enfrentamos conflitos e nos posicionamos profissionalmente.

    Você já se perguntou por que dizer “não” parece tão difícil? Ou por que delegar uma tarefa dá a sensação de que nada ficará tão bem feito quanto se você mesmo fizer?

    À primeira vista, essas situações parecem fazer parte apenas da rotina profissional. Mas alguns desses comportamentos podem ter raízes muito mais antigas.

    Segundo a psicóloga, empresária e especialista em desenvolvimento de lideranças Fernanda Tochetto, experiências vividas na infância podem influenciar a maneira como profissionais lidam com aprovação, erros, conflitos, reconhecimento e responsabilidades.

    “As pessoas acreditam que chegam ao ambiente de trabalho apenas com seus conhecimentos e experiências profissionais. Mas também levam a forma como aprenderam a lidar com aprovação, erro, conflito, reconhecimento e responsabilidade. Essas experiências continuam influenciando decisões importantes ao longo da carreira”, afirma.

    O tema ganha relevância em um mercado que valoriza cada vez mais competências como pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança, influência social e autoconhecimento.

    Presta atenção nisso: conhecimento técnico pode ajudar alguém a chegar a uma posição de liderança, mas não necessariamente ensina essa pessoa a lidar consigo mesma  e com os outros.

    Quando agradar todo mundo vira um problema

    Um dos padrões apontados por Fernanda aparece em profissionais que cresceram acreditando que precisavam agradar as pessoas. Na carreira, isso pode se transformar em dificuldade para estabelecer limites, conduzir conversas delicadas, dar feedbacks ou tomar decisões que desagradem alguém.

    “Quando a necessidade de aprovação continua conduzindo o comportamento, o profissional passa a evitar conflitos importantes. Em vez de liderar pensando no que precisa ser feito, muitas vezes decide pensando em como será aceito pelos outros”, explica.

    Outro comportamento comum é a crença de que o sucesso precisa vir sempre acompanhado de esforço excessivo. São profissionais que têm dificuldade para descansar, delegar e estabelecer limites, mesmo quando existem formas mais estratégicas de alcançar resultados.

    “Muitas pessoas aprenderam desde cedo que tudo precisava ser difícil. Quando crescem, continuam reproduzindo esse padrão, mesmo quando existem formas mais inteligentes e estratégicas de alcançar resultados”, afirma Fernanda.

    Vou te falar uma verdade: trabalhar mais nem sempre significa entregar mais. Às vezes, significa apenas que ainda não aprendemos a confiar no nosso próprio valor.

    O medo de errar também chega à liderança

    O medo de errar pode aparecer na vida profissional por meio do excesso de controle, da centralização de decisões e da dificuldade de confiar na equipe.

    “O medo de errar normalmente não nasce na empresa. Ele costuma ser construído muito antes e acompanha o profissional ao longo da vida. A diferença é que, quando ele ocupa uma posição de liderança, esse comportamento passa a impactar toda a equipe”, aponta a psicóloga.

    O que antes era um padrão individual passa, então, a produzir consequências coletivas.

    Uma liderança que não consegue delegar, por exemplo, não limita apenas o próprio crescimento. Também pode limitar o desenvolvimento das pessoas ao redor.

    Cinco sinais para observar

    Fernanda Tochetto aponta cinco comportamentos que podem indicar que experiências antigas ainda estão influenciando a vida profissional:

    1. Dificuldade para dizer “não”

    O receio de decepcionar colegas, clientes ou superiores pode estar relacionado à necessidade constante de aprovação.

    2. Trabalhar além do necessário para provar valor

    Quando o reconhecimento depende do esforço excessivo, o profissional pode assumir mais responsabilidades do que consegue sustentar.

    3. Evitar conversas difíceis

    Adiar feedbacks, fugir de conflitos ou deixar problemas se acumularem pode estar relacionado ao medo de desagradar ou ser rejeitado.

    4. Acreditar que precisa fazer tudo sozinho

    A dificuldade para delegar pode nascer da crença de que apenas o próprio trabalho será suficientemente bom ou de que pedir ajuda demonstra fraqueza.

    5. Sentir que nunca está preparado o suficiente

    Mesmo com experiência e bons resultados, alguns profissionais continuam acreditando que precisam estudar mais, trabalhar mais ou esperar o momento ideal antes de assumir novos desafios.

    O passado explica, mas não precisa comandar

    Reconhecer esses padrões não significa colocar a responsabilidade da carreira nas experiências da infância. Significa compreender que algumas respostas automáticas podem ter uma história  e que reconhecer essa história permite construir novas escolhas.

    Para Fernanda, esse processo também faz parte do desenvolvimento de uma liderança mais consciente.

    “Liderança não é apenas uma habilidade técnica. É um comportamento que pode ser desenvolvido quando o profissional entende quais padrões estão dirigindo suas escolhas e aprende a construir novas formas de agir.”

    A psicóloga reforça que crenças podem ser identificadas, ressignificadas e substituídas por padrões mais saudáveis.

    E talvez essa seja a principal reflexão: algumas respostas que damos hoje começaram a ser construídas muito antes de chegarmos ao primeiro emprego. Mas isso não significa que precisamos continuar repetindo as mesmas respostas.

    Afinal, crescer profissionalmente também é perceber quais histórias ainda estão dirigindo nossas escolhas  e decidir quais delas merecem continuar.

    Sobre Fernanda Tochetto

    Fernanda Tochetto é psicóloga, empresária e autora best-seller, com mais de 24 anos de experiência em educação empresarial. Criadora do conceito de “mentalidade de valor”, é fundadora do Tittanium Club e cofundadora da Mentoring League Society (MLS). Atua como mentora de empresários, profissionais da saúde e outros mentores que buscam estruturar negócios escaláveis.


    Se liderar com autenticidade também significa reconhecer nossas próprias histórias, vale dar um passo além e olhar para a forma como escolhemos ocupar nossos espaços. Depois de entender o que pode estar por trás de alguns comportamentos profissionais, fica a pergunta: será que precisamos endurecer para sermos respeitadas? Na matéria “Leveza também é força: a nova forma de liderar sendo mulher”, reflito sobre como firmeza e sensibilidade podem caminhar juntas — e por que ser autêntica pode ser justamente o seu maior diferencial. Clique aqui e leia a matéria completa na Revista Salto e descubra uma nova forma de liderar sem deixar de ser quem você é. 


    Siga-me nas redes sociais: 

    Instagram Cintia Antonacci

    Linkedin Cintia Antonacci






    COMENTÁRIOS

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.