Eleições 2026: inteligência artificial exige atenção redobrada contra deepfakes
Especialista Camila Renaux explica como reconhecer conteúdos manipulados e reforça a importância do pensamento crítico durante o período eleitoral
Gerada por IA À medida que o Brasil se aproxima das eleições de 2026, um novo desafio se consolida no ambiente digital: a disseminação de vídeos, áudios e imagens produzidos por inteligência artificial capazes de reproduzir, com impressionante realismo, falas e comportamentos de figuras públicas. Conhecidos como deepfakes, esses conteúdos representam uma das maiores ameaças à informação de qualidade e ao voto consciente.
O avanço da tecnologia tem tornado cada vez mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que foi criado artificialmente. Uma pesquisa da Mobile Time/Opinion Box revela que mais de 70% dos internautas brasileiros já acreditaram em um vídeo que posteriormente foi identificado como falso. O estudo também mostra que apenas uma pequena parcela dos usuários consegue reconhecer imediatamente uma manipulação desse tipo.
O crescimento da desinformação acompanha essa evolução tecnológica. Segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa, houve um aumento expressivo na circulação de conteúdos enganosos entre 2024 e 2025, especialmente aqueles relacionados a questões políticas e ideológicas.
Para a especialista em Marketing e Inteligência Artificial Camila Renaux, esse cenário exige uma mudança no comportamento dos usuários diante das informações que recebem diariamente.
"O desafio das eleições de 2026 não será apenas identificar notícias falsas, mas reconhecer conteúdos produzidos por inteligência artificial que parecem absolutamente reais. Hoje, mesmo pessoas experientes podem ser enganadas se não adotarem uma postura crítica antes de acreditar ou compartilhar uma informação", afirma.

O perigo está na velocidade do compartilhamento
Diferentemente das antigas montagens digitais, os deepfakes atuais apresentam sincronização de voz, movimentos faciais e expressões bastante convincentes. Quando envolvem candidatos, autoridades ou personalidades conhecidas, o potencial de viralização aumenta significativamente.
Segundo Camila, a manipulação emocional continua sendo uma das principais estratégias utilizadas para impulsionar esse tipo de conteúdo.
"Se um vídeo provoca indignação imediata, medo, surpresa ou vontade de compartilhar rapidamente, esse já é um excelente momento para parar alguns segundos e verificar a informação."
Ela explica que uma pausa de poucos instantes pode impedir que conteúdos falsos alcancem milhares de pessoas. A chamada "regra dos 30 segundos" consiste justamente em interromper o impulso de compartilhar, analisar o material e buscar confirmação em fontes confiáveis.
Pequenos detalhes ainda denunciam um deepfake
Embora a tecnologia tenha evoluído rapidamente, ainda existem sinais que podem indicar uma manipulação.
Entre eles estão:
movimentos pouco naturais da boca;
piscadas excessivas ou irregulares;
diferenças entre o áudio e os movimentos labiais;
sombras e iluminação inconsistentes;
expressões faciais artificiais.
Outro ponto importante é observar onde o conteúdo surgiu. Informações que aparecem apenas em grupos de mensagens ou em perfis desconhecidos merecem atenção redobrada.
"Antes de acreditar, vale perguntar quem publicou, se aquele perfil é oficial, quando a postagem foi feita e se veículos de imprensa reconhecidos também divulgaram a informação", orienta Camila.
A bolha digital influencia a percepção da realidade
Além dos deepfakes, outro fator preocupa especialistas: a chamada bolha algorítmica.
Os algoritmos das redes sociais tendem a mostrar conteúdos semelhantes aos que cada usuário já costuma consumir. Na prática, isso reduz o contato com opiniões diferentes e pode reforçar percepções distorcidas sobre determinados temas, inclusive durante campanhas eleitorais.
Para minimizar esse efeito, Camila recomenda diversificar as fontes de informação, acompanhar diferentes veículos de comunicação, consultar canais oficiais e evitar formar opiniões baseadas apenas em vídeos curtos ou manchetes compartilhadas nas redes.
Ela também destaca que o próprio usuário pode ajudar os algoritmos a reduzir a circulação de conteúdos enganosos.
"Marcar publicações falsas como 'Não tenho interesse', deixar de interagir com esse tipo de conteúdo e evitar compartilhamentos, mesmo quando a intenção é criticá-lo, são atitudes que diminuem seu alcance. Toda interação alimenta o algoritmo."
Transparência será exigida nas campanhas
A legislação eleitoral brasileira também acompanha esse novo cenário tecnológico. Nas eleições de 2026, conteúdos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial deverão ser identificados de forma clara, conforme as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A medida busca ampliar a transparência das campanhas e oferecer mais segurança aos eleitores diante do crescimento das ferramentas de inteligência artificial.
Enquanto a tecnologia continua avançando, especialistas reforçam que o principal mecanismo de proteção permanece sendo o pensamento crítico. Verificar a origem das informações, desconfiar de conteúdos excessivamente impactantes e buscar confirmação em fontes confiáveis são atitudes que ajudam a fortalecer a qualidade do debate público e contribuem para um processo eleitoral mais seguro e consciente.




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