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Brasil,20/05/2026

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    Mentes brilhantes: leitura na infância fortalece aprendizado e emoções

    Mais do que palavras, leitura infantil melhora foco, aprendizado e gestão das emoções, apontam estudos.

    Livro Memória, 2018. Ivan Izquierdo.
    Mentes brilhantes: leitura na infância fortalece aprendizado e emoções Fonte: gerada por IA

    Em uma realidade marcada pela presença constante das telas, um hábito tradicional segue indispensável: a leitura. Mesmo antes de aprender a ler, a criança que escuta histórias já desenvolve habilidades fundamentais ligadas ao pensamento, à comunicação e às emoções. Longe de ser apenas um momento de lazer, a prática se configura como um investimento direto no desenvolvimento cognitivo, social e na saúde mental, além de estreitar vínculos familiares.

    O hábito de ler para crianças vai muito além do enriquecimento do vocabulário: contribui diretamente para a concentração, o rendimento escolar e o desenvolvimento emocional. Dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, apesar da queda nos índices, o analfabetismo ainda atinge 5,4% da população com 15 anos ou mais — o que representa cerca de 9 milhões de brasileiros. O cenário evidencia a necessidade de fortalecer políticas e iniciativas que incentivem o contato com a leitura já na infância, preparando as crianças com uma base sólida antes mesmo da fase escolar.

    A leitura compartilhada, inclusive, estimula diferentes áreas do cérebro infantil ao mesmo tempo, envolvendo linguagem, memória, imaginação e sentimentos. Cada momento de leitura fortalece conexões neurais, amplia o repertório linguístico e favorece o desenvolvimento do pensamento simbólico, essencial para a alfabetização. De acordo com o neurocientista Ivan Izquierdo em seu livro Memória (2018), a leitura é o exercício que mais ativa o cérebro, consequentemente fortalecendo a memória. Sendo assim, ler para os pequenos, é uma atividade com ganho duplo, para o adulto e para a criança.  

    A neurobiologia da leitura na infância envolve um conjunto complexo de processos cerebrais responsáveis pela aquisição da linguagem, interpretação de símbolos e desenvolvimento cognitivo. Durante os primeiros anos de vida, o cérebro infantil apresenta elevada plasticidade neural, isto é, maior capacidade de aprendizagem, permitindo que conexões entre áreas responsáveis pela linguagem, memória, atenção e processamento visual sejam fortalecidas por meio do contato frequente com livros e narrativas. Regiões como o córtex temporal esquerdo, associado ao reconhecimento das palavras, e o córtex pré-frontal, ligado à compreensão e ao raciocínio, são intensamente estimuladas. Crianças expostas à leitura desde cedo desenvolvem maior capacidade de concentração, ampliação do vocabulário e habilidades socioemocionais. 

    Além disso, a leitura compartilhada com adultos ativa circuitos relacionados à afetividade e à aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento emocional e acadêmico. Dessa forma, a leitura infantil contribui diretamente para a organização funcional do cérebro em formação.

    Pesquisadores na área da educação infantil como Ana Carolline Batista da Silva Dias e Marco Antônio Ribeiro Merlin em um estudo publicado em 2021, destacam que a leitura também contribui para a formação da empatia e da consciência crítica. Ao entrar em contato com histórias, personagens e diferentes realidades, a criança aprende a interpretar emoções, compreender o mundo ao seu redor e desenvolver habilidades de comunicação. 

    A leitura compartilhada entre pais e filhos cria momentos de interação afetiva, fundamentais para o desenvolvimento emocional durante a primeira infância. O incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida favorece a autonomia intelectual e forma futuros leitores críticos e participativos na sociedade.





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