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Brasil,17/04/2026

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    Entre dobras e recomeços: Debbie Villela transforma cicatrizes em matéria de vida

    Autora de Origami com asas – sobrevivo às dobras do tempo propõe uma nova forma de enxergar a resiliência, onde adaptar-se é mais potente do que resistir


    Entre dobras e recomeços: Debbie Villela transforma cicatrizes em matéria de vida Divulgação

    Passar pelas etapas da vida nem sempre é um processo suave — mas, para a escritora Debbie Villela, pode ser um movimento de construção. Em Origami com asas – sobrevivo às dobras do tempo, a autora apresenta a metáfora do “dobrar” como um caminho possível para atravessar impactos sem perder a essência.

    Mais do que resistir, Debbie propõe incorporar. “O impacto não precisava ser negado nem vencido, mas incorporado. Dobrar, para mim, foi aceitar que a forma muda, mas a materialidade do que somos continua”, afirma. A ideia nasce de uma percepção que a acompanha desde a infância: resistir, muitas vezes, gera desgaste — enquanto adaptar-se pode preservar o que realmente importa.

    Ao longo da obra, essa visão se amplia para o conceito de resiliência. Longe da ideia de força inabalável, Debbie defende uma postura mais consciente e humana. “Resiliência, para mim, não significa suportar a vida sem qualquer registro ou cicatriz. Isso nos adoece”, explica. Para ela, reconhecer dores, erros e limites faz parte de um processo mais saudável de existência. É nesse espaço de percepção que surge a possibilidade de recalibrar caminhos e encontrar leveza, mesmo diante das dificuldades.

    O livro também mergulha em memórias pessoais, que vão da infância a cenas cotidianas, criando um território afetivo que ultrapassa o individual. “O meu desejo é tocar meu leitor, dizendo a ele: temos histórias semelhantes, estamos todos juntos nessa viagem”, diz. Ao compartilhar experiências íntimas com sinceridade, Debbie transforma o particular em ponto de encontro, despertando identificação e acolhimento.

    Entre os elementos narrativos, a personagem Valentina ganha destaque como representação das fragilidades humanas. Embora não seja baseada em uma única pessoa, ela carrega fragmentos de muitas histórias. “Valentina não é um modelo. Gosto de pensar nela como um espelho imperfeito”, define a autora. Em suas escolhas, erros e insistências, a personagem ecoa vivências comuns a muitas mulheres, tornando-se facilmente reconhecível.

    Outro diferencial da obra está na presença do origami como prática simbólica e interativa. Mais do que um recurso estético, o gesto de dobrar o papel se torna ferramenta de reflexão. “Quando trabalho com as mãos, sou capaz de transformar meus pensamentos em algo tangível”, conta Debbie. O processo exige atenção, repetição e presença — um convite a desacelerar e ouvir a própria voz interior em meio ao ritmo acelerado do cotidiano.

    Em tempos marcados por pressões constantes, a autora reconhece que “dobrar sem perder a essência” é um exercício diário. Nem toda cicatriz se transforma em força imediata — algumas permanecem como marcas dolorosas, e tudo bem. “É preciso entender que muita coisa da vida não é uma ‘linda lição’, pelo menos, não imediatamente”, reflete.

    Assim, Origami com asas se constrói como um convite à maturidade emocional: aceitar as dobras, compreender os tempos e reconhecer que, mesmo transformados, ainda somos inteiros — prontos para novas formas de existir.




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