Sites podem perder até 79% dos cliques e novo jogo do Google acende alerta no mercado editorial
Especialistas da PremiumAds defendem audiência própria, conteúdo original e estratégia multiplataforma diante das mudanças impostas pela inteligência artificial
Freepik O mercado editorial digital vive uma transformação profunda. Estar entre os primeiros resultados do Google já não significa, necessariamente, conquistar audiência. Com a expansão das respostas geradas por inteligência artificial dentro da própria página de busca, publishers enfrentam um cenário em que o usuário encontra informações sem precisar clicar em links externos.
Esse novo contexto foi debatido no encontro “Google 2026: entendendo o novo jogo da monetização para publishers”, conduzido por Jhollyne Skroch e Carol Chaim, profissionais do núcleo técnico de publicidade digital da PremiumAds. O evento reuniu análises sobre o impacto das novas dinâmicas de busca, monetização e distribuição de conteúdo.
Para Carol Chaim, a mudança vai além da tecnologia e alcança diretamente o comportamento do público. Segundo ela, a audiência atual busca experiências mais rápidas, visuais e integradas, muitas vezes permanecendo dentro do próprio ecossistema do Google.
“Ao mesmo tempo, o comportamento do público, especialmente das novas gerações, migra para experiências mais rápidas, visuais e integradas, muitas vezes sem sair do próprio ambiente do Google”, contextualiza Carol Chaim.
A especialista também destacou que grandes players já sentem a redução do tráfego vindo dos mecanismos de busca, enquanto o índice de cliques orgânicos segue em retração. Isso pressiona empresas de mídia que dependem fortemente de visitas externas para gerar receita publicitária.
Já Jhollyne Skroch, head de Sales e Customer Success da PremiumAds, defende que o momento exige uma revisão estrutural das estratégias digitais. Para ela, não se trata de uma oscilação passageira, mas de uma nova lógica de consumo de conteúdo.
“O que estamos vivendo não é uma queda pontual, é uma mudança estrutural”, afirma Jhollyne Skroch.
Entre as recomendações apresentadas por Jhollyne estão o fortalecimento da relação direta com o público, por meio de newsletters, comunidades próprias e bases de cadastro. A construção de audiência proprietária, segundo ela, se tornou um ativo estratégico diante da dependência crescente de plataformas externas.
As especialistas também apontaram que conteúdos originais, com dados exclusivos, análises aprofundadas e valor editorial claro, tendem a ganhar relevância em um ambiente saturado por informações genéricas. Outro caminho defendido no encontro é a diversificação das fontes de tráfego, reduzindo a concentração em apenas um canal.
O consumo de vídeos curtos, especialmente formatos entre 30 e 90 segundos, também aparece como tendência consolidada. Para o mercado editorial, isso representa a necessidade de adaptar narrativas e formatos ao ritmo atual da atenção digital.
No campo da inteligência artificial, Jhollyne e Carol reforçaram que a adoção da tecnologia precisa ser acompanhada por transparência e responsabilidade. Para elas, a automação pode ampliar eficiência, mas não substitui a curadoria humana na produção de conteúdo confiável.
O alerta das especialistas é claro: publishers que insistirem em modelos antigos podem perder relevância. Já aqueles que investirem em comunidade, autenticidade e adaptação estratégica terão mais chances de prosperar no novo ecossistema digital.




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