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Brasil,07/04/2026

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    A nova geopolítica da moda sob a lente de Moisés Olavo da Silva

    Entre passarelas e cadeias produtivas, especialista revela por que o futuro da moda global está na estratégia — e não apenas no custo


    A nova geopolítica da moda sob a lente de Moisés Olavo da Silva Divulgação

    Por trás de cada coleção que chega às vitrines existe uma engrenagem complexa, silenciosa e altamente estratégica. A moda, muitas vezes percebida apenas pelo seu apelo estético, vive hoje uma transformação profunda nos bastidores — e ela começa muito antes do desenho de uma peça.

    Durante décadas, a Ásia, especialmente a China, foi o epicentro da produção global de moda. Ali se consolidaram não apenas fábricas, mas um ecossistema completo capaz de entregar escala, velocidade e qualidade em um ritmo alinhado às demandas cada vez mais aceleradas do mercado fashion.

    Mas esse cenário começou a mudar de forma mais evidente entre 2025 e 2026.

    O aumento expressivo das tarifas comerciais dos Estados Unidos, somado às tensões geopolíticas e à necessidade de cadeias mais seguras, fez com que grandes marcas repensassem algo essencial: onde — e como — produzir moda no mundo atual.

    De acordo com o relatório The State of Fashion 2026, as tarifas sobre vestuário e calçados importados saltaram de 13% para 54% em 2025. Mais do que números, esse movimento impacta diretamente o ritmo das coleções, o preço final das peças e, principalmente, a estratégia das marcas.

    É nesse ponto que o olhar de Moisés Olavo da Silva ganha relevância.

    Com mais de duas décadas de atuação em engenharia de produto, sourcing e gestão de produção para marcas globais, Moisés traz uma leitura que rompe com a narrativa simplista de ruptura com a China.

    “A moda sempre foi sobre movimento — e isso também vale para a produção. O que estamos vendo não é uma saída da China, mas uma redistribuição inteligente de risco”, explica.

    Para ele, a China segue como um pilar essencial da indústria fashion global. Não apenas pela capacidade produtiva, mas pela integração entre tecnologia, fornecedores e agilidade — fatores fundamentais em um mercado onde timing é tudo.

    O que muda é a estratégia.

    A lógica do “China+1” ganha força entre as grandes marcas: manter a excelência produtiva chinesa para peças mais complexas e técnicas, enquanto parte da produção é deslocada para outros países, criando cadeias mais flexíveis e menos vulneráveis.

    Esse movimento acompanha uma mudança mais profunda na própria essência da moda contemporânea. Se antes o foco estava quase exclusivamente no custo, hoje ele se divide entre velocidade, previsibilidade e capacidade de adaptação.

    Afinal, em um mercado guiado por coleções cada vez mais rápidas, tendências efêmeras e consumidores exigentes, atrasos logísticos ou rupturas na cadeia produtiva podem custar mais caro do que qualquer tarifa.

    Nesse novo mapa da moda global, a América Latina começa a aparecer como uma possibilidade estratégica. Brasil e México, por exemplo, ganham relevância pela proximidade com o mercado norte-americano e pela capacidade de atender demandas com mais agilidade.

    Ainda assim, o caminho exige evolução.

    “A América Latina tem potencial, mas precisa avançar em produtividade, infraestrutura e integração para realmente competir com a Ásia”, destaca Moisés.

    O que se desenha não é uma troca de protagonismo, mas uma nova coreografia global — onde diferentes países assumem papéis complementares dentro da cadeia da moda.

    Mais do que nunca, produzir moda deixou de ser apenas uma decisão industrial. Tornou-se uma escolha estratégica que envolve geopolítica, inovação e visão de futuro.

    E, nesse cenário, como reforça Moisés Olavo da Silva, as marcas que irão se destacar não serão necessariamente as que produzem mais barato — mas aquelas que conseguem equilibrar criatividade, eficiência e inteligência operacional em um mundo cada vez mais imprevisível.




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