Floresta suspensa em prédio brasileiro poderá absorver até 2 toneladas de CO₂ por ano
Empreendimento em construção no litoral de Santa Catarina aposta em biofilia, árvores frutíferas e certificação ambiental internacional para integrar natureza e arquitetura
Divulgação/Phacz Empreendimentos Um empreendimento imobiliário em construção no litoral norte de Santa Catarina pretende transformar a relação entre arquitetura urbana e natureza. O Blue Forest Residence, desenvolvido pela PHACZ Empreendimentos na cidade de Porto Belo, terá uma floresta suspensa integrada à área de lazer do edifício, capaz de absorver até duas toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.
Previsto para ser entregue no primeiro semestre de 2027, o projeto leva o conceito de biofilia — a integração entre ambientes construídos e elementos naturais — a um novo patamar. A proposta inclui cerca de 67 árvores frutíferas e espécies nativas da Mata Atlântica plantadas no sexto pavimento do edifício, algumas com potencial de atingir até sete metros de altura.
A ideia é que os moradores possam vivenciar experiências raras nos centros urbanos, como colher frutas diretamente do pé em plena área verticalizada da cidade.
“Colher fruta do pé é algo cada vez mais raro nas cidades e trazer essa experiência para dentro do prédio resgata uma relação simples e afetiva com a natureza”, afirma Ana Clara Zanon, sócia da PHACZ Empreendimentos. Segundo ela, além do simbolismo, a presença da vegetação contribui diretamente para o microclima do edifício, criando áreas de sombra, ajudando a regular a temperatura e melhorando a qualidade do ar.
Captura de carbono e impacto ambiental
A floresta suspensa também terá papel ambiental relevante. Árvores absorvem CO₂ da atmosfera durante seu crescimento e armazenam o carbono em sua biomassa. Estudos publicados na revista científica Integrated Environmental Assessment and Management, da Oxford Academic, mostram que árvores frutíferas podem capturar quantidades significativas de carbono ao longo do ano.
Em pomares de mangueiras, por exemplo, a absorção anual registrada varia entre cerca de 30 e 78 quilos de CO₂ por árvore. Com base em parâmetros técnicos semelhantes, o projeto do Blue Forest estima que o conjunto de árvores plantadas possa retirar da atmosfera entre 0,7 e 2 toneladas de CO₂ por ano, com média aproximada de 1,3 tonelada anual.
Esse potencial varia conforme fatores como desenvolvimento das copas, manutenção das espécies e maturação do plantio ao longo do tempo.
Arquitetura biofílica
O projeto paisagístico do empreendimento é assinado pela paisagista Renata Tilli e propõe integrar vegetação e arquitetura em diferentes escalas. Além da floresta suspensa, todos os 44 apartamentos do edifício terão floreiras nas fachadas, ampliando a presença do verde na estrutura.
A proposta dialoga com o entorno natural de Balneário Perequê, área considerada uma das regiões mais valorizadas de Porto Belo.
“A biofilia não é apenas um elemento estético em nossos projetos. Ela orienta a forma como pensamos arquitetura e qualidade de vida”, explica Ana Clara Zanon. Segundo a executiva, o objetivo é criar ambientes que conectem moradores com a natureza e promovam bem-estar no cotidiano.
Estrutura e certificação ambiental
O Blue Forest Residence terá uma torre de aproximadamente 100 metros de altura e 29 pavimentos. O empreendimento contará com 44 apartamentos com áreas privativas entre 144 m² e 154 m², além de dois pavimentos dedicados ao lazer, somando mais de 1.300 m² de espaços comuns.
Entre os diferenciais está um rooftop com vista permanente para o mar e a pré-certificação LEED, selo internacional que reconhece edificações sustentáveis. De acordo com a construtora, o residencial é o primeiro de Santa Catarina a conquistar essa pré-certificação na categoria residencial.
Sobre a construtora
Fundada em 2007, a PHACZ Empreendimentos é uma construtora familiar catarinense que atua principalmente no litoral do estado. O nome da empresa reúne as iniciais de Paulo Henrique, Ana Clara e o sobrenome Zanon, família com trajetória no setor da construção civil.
A empresa também participou da criação da Associação de Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo, iniciativa voltada à promoção de empreendimentos que buscam crescimento urbano com responsabilidade ambiental e respeito à identidade local.




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