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Brasil,12/07/2026

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    Ádri Fernandes

    Coco Chanel, Bette Davis e Iris Apfel: não há nada mais belo que envelhecer com jovialidade

    E isso não tem nada a ver com parecer jovem

    Fonte: https://www.manequim.com.br/moda/fashionista-iris-apfel-celebra-102-anos-veja-os-15-melhores-looks.phtml
    Coco Chanel, Bette Davis e Iris Apfel: não há nada mais belo que envelhecer com jovialidade Iris Apfel

    Esse texto foi publicado na edição de aniversário de 1 ano da Revista Salto. E mencionei que adoro fazer aniversário! Não falo de comemoração, falo do simbolismo. Encerramento de ciclo, recomeço. Acho o máximo ver a vida fluindo e eu junto com ela. Bem ou mal, é interessantíssimo olhar em volta e ver o mundo girando, as pessoas vivendo, eu mesma seguindo, tudo acontecendo. Não sei explicar porquê, mas isso me encanta. Amo me ver envelhecendo, amo a menina que fui, a mulher que sou e a coroa que estou me tornando!

    E sempre que penso nisso, lembro das mulheres que não curtem o processo por medo do resultado: ficar velha. Minha madrinha, dona Terezinha, a Tequinha, no auge dos seus 72 anos desabafou seu medo de envelhecer. Quando a lembrei que isso já vinha acontecendo há pelo menos 20 anos, ela me olhou muito assustada. Baixou a cabeça, pensou por alguns segundos e sorriu conformada.

    Ela não é única. Quantas mulheres conhecemos que se recusam a aceitar o processo natural da vida, seja escondendo a idade, seja realizando procedimentos estéticos com profissionais duvidosos, seja usando trajes incompatíveis com a maturidade que já deveria demonstrar?

    Se isso representa algum recalque relativo a uma fase de vida que se recusa a abandonar, terapia é o caminho mais óbvio. Toda fase tem seus ônus, seus bônus, suas vantagens e desvantagens. Terapia também é necessária se quem não aceita o envelhecimento o faz por repulsa à própria imagem no espelho. Recusar o fluxo natural da vida e colocar em risco a própria existência para parecer mais jovem, não nos torna “menos velhos”.

    Nada faz uma mulher parecer tão velha do que sua tentativa desesperada de parecer jovem.

    Isso foi dito por Coco Chanel (1883 – 1971), a famosa estilista que revolucionou a moda, agregando, entre outros, conforto e funcionalidade às roupas: nada faz uma mulher parecer tão velha do que sua tentativa desesperada de parecer jovem.

    É contraditório observarmos que a expectativa de vida aumentou e melhorou muito desde os tempos de Chanel aos dias atuais. Então, por que permanece no inconsciente coletivo a ideia de perda de algo com o avanço da idade?

    No mundo corporativo, inclusive, parecer mais velho indica mais vivência, mais maturidade, mais autoridade (maior conhecimento pelo maior número de experiências vividas), mais competência e sabedoria. Vários profissionais reclamam sofrer preconceito por parecerem bem mais novos do que realmente são. Se parecer mais velho ou, pelo menos, ter a aparência da idade exata que tem é importante para impor respeito, porque as mulheres (e hoje em dia até os homens) querem sempre parecer mais jovens?

    Não encontraremos respostas. Ou melhor, teremos milhares delas, já que isso parece ser muito pessoal e subjetivo. Eu lamento! Não há nada mais lindo que pessoas mais velhas demonstrando toda sua jovialidade em cada ruga.

    Em 2014, a BBC fez uma matéria com o título “É possível para mulheres envelhecer bem no mundo da moda?” e antes de abrir o texto publicou uma foto da maravilhosa Iris Apfel (@iris.apfel). Iris, que faleceu esse ano, aos 102 de idade, é um ícone da moda fashion maximalista. Ficou famosa aos 83 anos, com sua irreverência, seu gosto na conservação do vintage, sem contudo deixar de mostrar as novas tendências.

    Voltando à BBC, a reportagem aponta que mulheres octogenárias têm sido escolhidas como embaixadoras de marcas de destaque e que isso é resultado de um movimento internacional que vem cada vez mais abrindo espaço para pessoas maduras. Afinal, com o aumento da expectativa de vida, há um público consumidor que precisa se identificar naquela publicidade. Óbvio que não é pelos nossos lindos “olhos verdes”. É marketing!

    Mas dar espaço a pessoas maduras não é esconder-lhes a idade ou vesti-las como se mais jovens fossem. Não se espera que mulheres de 55 anos vistam as roupas das filhas de 15. A questão é que sair do padrão conservador esperado para a idade, por si só, é rejuvenescedor. Sem subterfúgios. Cores, acessórios, modelagens que antes não se aceitavam em corpos maduros, hoje são estimulados, tudo conforme a ocasião, claro (conhecer dress code é fundamental).

    E a resposta para o título da matéria é: claro que sim! No mundo da moda, e fora dele, é perfeitamente possível envelhecer bem.

    Então, sim, envelhecer é um barato (gíria veeeeeelha), é libertador, é gratificante, com tudo de bom e de ruim que a idade nos traz. Mas é preciso coragem para que a atitude frente ao envelhecimento reflita no corpo, nos hábitos e no vestir a jovialidade da mente.

    Bette Davis, atriz norte-americana (1908-1989) venerada e conhecida por preferir interpretar personagens antipáticas, disse certa vez que “a velhice não é lugar para os fracos”. Não mesmo.

    Fica a reflexão!


    Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141127_vert_cul_moda_idade_dg



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