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Brasil,17/04/2026

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    Dani Lobato

    Tem Cansaço Que Não Passa

    Um olhar terapêutico sobre o cansaço constante: o impacto de viver em estado de alerta e sustentar mais do que se pode.

    Imagem gerada por IA
    Tem Cansaço Que Não Passa


    Em atendimento terapêutico, eu tenho escutado cada vez mais a mesma coisa:

    “Dani, eu durmo… mas parece que não descansei”,

    “eu acordo já cansada”,

    “eu tô ficando irritada com mais facilidade”,

    “qualquer coisa me estressa”,

    “eu fico nervosa à toa… e depois nem sei por quê”.

    E não é uma ou outra, não.

    É muita mulher.

    Mulher que trabalha, que resolve, que dá conta… mulher que já aposentou, mas continua sustentando muitas situações; mulher que acha que nem tem motivo para estar cansada, mas que tá exausta por dentro.

    E aí vem um ponto que eu sempre trago:

    isso não é só falta de sono, nem de descanso.

    Se fosse, dormir resolvia.

    Mas não resolve, né?

    Porque tem um tipo de cansaço que não é do corpo só, é da forma como a vida está sendo vivida.

    É um cansaço de quem sustenta muita coisa ao mesmo tempo: responsabilidade, expectativa, emoção, rotina… e, principalmente, pensamento.

    A cabeça não para.

    É o tempo todo resolvendo, antecipando, organizando, lembrando, se cobrando…

    Aí o corpo até deita, mas não desliga — e, se não desliga, não descansa de verdade.

    Descansar não é só dormir, é conseguir sair desse estado de alerta.

    E muita gente hoje não sai mais, fica nesse modo ligado o tempo inteiro, como se sempre tivesse alguma coisa pra resolver, pra evitar, pra dar conta.

    E isso vai aparecendo no dia a dia: na irritação que aumenta, na paciência que diminui, na sensação de estar sempre no limite… e, mesmo assim, a pessoa segue, porque parar parece impossível, diminuir parece fraqueza, e se cuidar vai ficando pra depois.

    Só que o corpo vai avisando.

    Ele vai dando sinais pequenos… até virar um cansaço constante.

    E aí eu te faço uma pergunta, de verdade:

    o que, na sua vida hoje, tá exigindo de você mais do que você consegue sustentar?

    Porque, às vezes, não é sobre fazer demais, é sobre sustentar demais: sustentar o que sente e não fala, sustentar situações que já pesam, sustentar um ritmo que o corpo já não acompanha mais… e ir levando.

    Mas isso tem um custo.

    Talvez você não esteja cansada só porque faz muito.

    Talvez você esteja cansada porque segura demais.

    E isso não se resolve só dormindo.

    Começa quando você se escuta, de verdade — sem se atropelar, sem fingir que tá tudo bem.

    Porque se cuidar não é o que sobra quando dá tempo.

    É o que sustenta você.



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