Dani Lobato
Tem Cansaço Que Não Passa
Um olhar terapêutico sobre o cansaço constante: o impacto de viver em estado de alerta e sustentar mais do que se pode.
Em atendimento terapêutico, eu tenho escutado cada vez mais a mesma coisa:
“Dani, eu durmo… mas parece que não descansei”,
“eu acordo já cansada”,
“eu tô ficando irritada com mais facilidade”,
“qualquer coisa me estressa”,
“eu fico nervosa à toa… e depois nem sei por quê”.
E não é uma ou outra, não.
É muita mulher.
Mulher que trabalha, que resolve, que dá conta… mulher que já aposentou, mas continua sustentando muitas situações; mulher que acha que nem tem motivo para estar cansada, mas que tá exausta por dentro.
E aí vem um ponto que eu sempre trago:
isso não é só falta de sono, nem de descanso.
Se fosse, dormir resolvia.
Mas não resolve, né?
Porque tem um tipo de cansaço que não é do corpo só, é da forma como a vida está sendo vivida.
É um cansaço de quem sustenta muita coisa ao mesmo tempo: responsabilidade, expectativa, emoção, rotina… e, principalmente, pensamento.
A cabeça não para.
É o tempo todo resolvendo, antecipando, organizando, lembrando, se cobrando…
Aí o corpo até deita, mas não desliga — e, se não desliga, não descansa de verdade.
Descansar não é só dormir, é conseguir sair desse estado de alerta.
E muita gente hoje não sai mais, fica nesse modo ligado o tempo inteiro, como se sempre tivesse alguma coisa pra resolver, pra evitar, pra dar conta.
E isso vai aparecendo no dia a dia: na irritação que aumenta, na paciência que diminui, na sensação de estar sempre no limite… e, mesmo assim, a pessoa segue, porque parar parece impossível, diminuir parece fraqueza, e se cuidar vai ficando pra depois.
Só que o corpo vai avisando.
Ele vai dando sinais pequenos… até virar um cansaço constante.
E aí eu te faço uma pergunta, de verdade:
o que, na sua vida hoje, tá exigindo de você mais do que você consegue sustentar?
Porque, às vezes, não é sobre fazer demais, é sobre sustentar demais: sustentar o que sente e não fala, sustentar situações que já pesam, sustentar um ritmo que o corpo já não acompanha mais… e ir levando.
Mas isso tem um custo.
Talvez você não esteja cansada só porque faz muito.
Talvez você esteja cansada porque segura demais.
E isso não se resolve só dormindo.
Começa quando você se escuta, de verdade — sem se atropelar, sem fingir que tá tudo bem.
Porque se cuidar não é o que sobra quando dá tempo.
É o que sustenta você.



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