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Brasil,13/06/2026

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    Solidão entre adolescentes cresce e leva jovens a buscar companhia na Inteligência Artificial

    Pesquisa da Arco Educação revela que 19% dos estudantes recorrem à IA quando se sentem sozinhos e aponta desafios cada vez maiores na construção de amizades e no sentimento de pertencimento


    Solidão entre adolescentes cresce e leva jovens a buscar companhia na Inteligência Artificial Gerada por IA

    A Inteligência Artificial tem ocupado um espaço cada vez mais presente na rotina dos jovens brasileiros. Mas, além de servir para estudos e entretenimento, ela também está sendo utilizada como companhia emocional. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pela Arco Educação, que identificou que 19% dos estudantes de escolas privadas recorrem regularmente a ferramentas de IA quando se sentem sozinhos ou precisam conversar.

    O levantamento ouviu 936 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio em escolas parceiras da empresa em todas as regiões do país. Os resultados revelam um cenário preocupante: mais da metade dos entrevistados afirma ter dificuldade para fazer novas amizades, enquanto 17% relatam sentir solidão com frequência.

    Para Francila Novaes, gerente de Soluções Educacionais da Arco e líder da pesquisa, o problema vai muito além da quantidade de contatos ou seguidores nas redes sociais.

    “Os dados indicam que a solidão vai além de ter ou não amigos em redes sociais. Trata-se da dificuldade em iniciar interações na vida real e também de manter esses vínculos. O sentimento de pertencimento e amizade são especialmente importantes na adolescência e não tê-las causa prejuízo na formação socioemocional, moral e cognitiva dos jovens”, afirma.

    Dificuldade para criar vínculos preocupa

    A pesquisa utilizou como base a Escala de Solidão da UCLA, uma das referências internacionais para medir o sentimento de isolamento social. Entre os indicadores analisados, um dos que mais chamou a atenção foi a dificuldade dos adolescentes em ampliar seus círculos de amizade.

    Quase três em cada dez estudantes afirmaram enfrentar esse desafio constantemente, índice superior ao observado em referências internacionais. O dado sugere que, embora muitos jovens estejam conectados digitalmente, construir relações significativas continua sendo um obstáculo crescente.

    Outro aspecto identificado foi a sensação de falta de escuta. Cerca de 32% dos participantes disseram sentir que as pessoas raramente demonstram interesse pelo que têm a dizer, revelando uma carência de validação emocional tanto entre colegas quanto entre adultos.

    Meninas e estudantes sem declaração de gênero apresentam maior vulnerabilidade

    As diferenças entre os grupos também foram evidentes pela pesquisa. As meninas apresentaram níveis mais elevados de dificuldade para formar amizades e maior sensação de distanciamento social quando comparadas aos meninos. Além disso, recorrem à Inteligência Artificial com mais frequência como forma de companhia.

    O grupo de estudantes que optou por não declarar o gênero apresentou os indicadores mais preocupantes. Metade relatou comportamento de passividade social — esperando que outras pessoas iniciem o contato — e quase 40% afirmaram sentir solidão frequentemente.

    Ensino Médio intensifica o isolamento

    A transição para o Ensino Médio aparece como um dos momentos mais delicados da vida escolar. Segundo o estudo, os índices de solidão aumentam significativamente nessa etapa, impulsionados tanto pelas mudanças sociais quanto pela pressão acadêmica.

    Enquanto nos anos finais do Ensino Fundamental o percentual de estudantes que relatam solidão frequente é de 16%, entre os alunos do Ensino Médio esse número sobe para 25,7%.

    Apesar dos desafios, a pesquisa também encontrou sinais positivos. Aproximadamente 65% dos entrevistados afirmaram ser tratados com respeito e gentileza pelos colegas na maior parte do tempo, aspecto considerado um importante ponto de apoio para fortalecer relações e combater o isolamento.

    Educação socioemocional mostra resultados positivos

    Um dos destaques do levantamento foi o impacto dos programas de educação socioemocional no ambiente escolar. As escolas que adotam iniciativas estruturadas voltadas ao desenvolvimento das competências emocionais apresentaram melhores resultados em diversas dimensões analisadas.

    Nessas instituições, houve redução nos índices de falta de pertencimento e nos relatos de solidão frequente. Já nas escolas sem programas desse tipo, foram registrados os maiores índices de isolamento e também o uso mais elevado da Inteligência Artificial como refúgio social.

    Para Rodolpho Meschgrahw, diretor de Produto e Estratégia da Arco e coordenador do estudo, os resultados reforçam a necessidade de olhar para a saúde emocional dos estudantes como uma prioridade permanente.

    “Os aspectos emocionais não podem mais ser tratados de forma secundária ou apenas quando uma crise surge. Promover espaços onde o estudante tenha voz ativa e se sinta seguro para interagir de forma real é urgente para reverter o avanço do isolamento na era digital”, destaca.

    O estudo evidencia que, em uma geração cada vez mais conectada tecnologicamente, o desafio está justamente em fortalecer as conexões humanas. Para especialistas, criar ambientes que favoreçam o pertencimento, a escuta e a convivência pode ser um dos caminhos mais eficazes para enfrentar a solidão crescente entre adolescentes.





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