Entreolhares: quando a fotografia transforma o teatro em memória viva
Exposição no Centro Cultural da PUCPR convida o público a revisitar o Festival de Curitiba por meio de imagens que capturam encontros, emoções e bastidores da cena
Divulgação Há algo de profundamente poético no instante em que o teatro termina — e a fotografia começa. É nesse território sensível, onde o efêmero ganha permanência, que nasce a exposição “Entreolhares: Narrativas Visuais do Festival de Curitiba”, em cartaz no Centro Cultural da PUCPR.
Com curadoria de Annelize Tozetto, a mostra reúne 83 imagens produzidas entre 2022 e 2025, assinadas por 11 fotógrafas e fotógrafos. Mais do que registros, as obras constroem uma narrativa visual que traduz a essência de um dos maiores eventos de artes cênicas do país: o Festival de Curitiba.
A proposta é simples — e ao mesmo tempo potente: revelar os encontros. Entre artistas, entre público e palco, entre o olhar de quem vive a cena e de quem a observa por trás da lente. Cada fotografia carrega camadas de significado, captando não apenas o espetáculo, mas aquilo que acontece ao redor dele — os gestos invisíveis, os silêncios, a expectativa antes da luz acender.
A fotografia de teatro, por natureza, desafia o tempo. Um espetáculo nunca se repete da mesma forma, e ainda assim, ao ser fotografado, ele encontra uma nova existência. Em “Entreolhares”, essa dualidade se intensifica: diferentes olhares sobre um mesmo instante revelam como a arte se multiplica a partir da perspectiva de quem a registra.
Sequências de imagens conduzem o visitante por bastidores, palcos e plateias, criando uma experiência quase sensorial. Não se trata apenas de ver, mas de sentir — a tensão de uma estreia, a entrega de um ator, a respiração coletiva de uma plateia atenta.

Segundo a curadora, a exposição evidencia encontros que muitas vezes passam despercebidos, mas que são essenciais para o acontecimento teatral. E é justamente nesse ponto que a mostra se destaca: ao transformar o invisível em imagem, ela amplia o entendimento sobre o teatro como uma experiência coletiva e profundamente humana.
Para Douglas Moreira, gerente da PUCPR Cultura, a exposição também celebra um momento simbólico: o reencontro. As fotografias partem da retomada presencial do festival após a pandemia, trazendo à tona a potência do estar junto — algo que, por um tempo, foi interrompido, mas que retorna agora com ainda mais significado.
Leve, sensível e visualmente envolvente, “Entreolhares” convida o público a desacelerar o olhar e perceber que, muitas vezes, é no detalhe — no gesto, na luz, na pausa — que a arte revela sua força mais duradoura.




COMENTÁRIOS