Assim Doce
Centenário Michelin: a consagração da excelência gastronômica
Da estrada à mesa: o legado do Guia Michelin
Peixe curado, creme de avocado, picles de myoga e nam jim O ano de 2026 marca o centenário da concessão das primeiras estrelas Michelin. Essas classificações gastronômicas consolidaram-se como importantes guias para os consumidores, ao mesmo tempo em que representam um dos mais prestigiados reconhecimentos de excelência culinária no mundo. As avaliações são conduzidas por críticos especializados e organizações de renome, seguindo critérios rigorosos e padronizados.
As ruas de paralelepípedos e as construções em pedra vulcânica de Clermont-Ferrand podem, à primeira vista, parecer mais pitorescas do que revolucionárias. No entanto, foi nessa cidade francesa que se iniciou uma transformação duradoura no modo de viajar. Em 1889, os irmãos André Michelin e Édouard Michelin fundaram ali sua empresa de pneus, dando início a uma trajetória que impactaria o transporte moderno em escala global.
Contudo, a relevância de Clermont-Ferrand vai além da indústria automobilística. Os mesmos visionários que impulsionaram a mobilidade também criaram uma das mais prestigiadas referências da gastronomia mundial: as estrelas Michelin, distinção máxima concedida aos melhores restaurantes do mundo.
Viajantes devem muito aos irmãos Michelin. Eles tentavam salvar o cambaleante negócio de seu avô, mas acabaram conquistando muito mais. Suas inovações nos pneus, desde pneus de bicicleta removíveis até trens com pneus de borracha, ajudaram a tornar o transporte de pessoas mais fácil e econômico do que nunca. Hoje, é a segunda maior fabricante de pneus do mundo em receita.
Com o lançamento dos guias e mapas Michelin, no início do século XX, os irmãos André Michelin e Édouard Michelin elevaram a marca Michelin à condição de referência incontornável quando o assunto é viagem e alta gastronomia. Entre suas decisões mais perspicazes, destacou-se a aposta em um conceito que atravessaria gerações: "culinária pela qual vale a pena viajar"
A cobertura dos guias, dedicada a restaurantes regionais de destaque e adegas com rótulos singulares, estimulava os motoristas a percorrer distâncias cada vez maiores e, naturalmente, a confiar em pneus Michelin robustos para sustentar suas jornadas.
O guia de viagens e serviços evoluiu até se tornar uma das maiores referências no universo gastronômico, avaliando restaurantes em todo o mundo. A avaliação de um restaurante pelo Guia Michelin obedece a um processo rigoroso e confidencial, conduzido por inspetores altamente treinados. Longe de se limitar ao paladar, o julgamento abrange um conjunto sofisticado de critérios que, em harmonia, definem a excelência culinária.
Os inspetores atuam de forma anônima, sem qualquer identificação, e arcam com suas próprias refeições, como clientes comuns. Esse procedimento assegura avaliações isentas e fidedignas, preservando a credibilidade do guia e contribuindo para o fortalecimento do turismo gastronômico em escala global.
No universo do Guia Michelin, os restaurantes podem ser agraciados com uma, duas ou três estrelas, distinções que sintetizam, de forma elegante, o nível da experiência proposta. A atribuição de uma estrela indica uma cozinha de alta qualidade, digna de uma parada atenta no percurso. Duas estrelas, por sua vez, elevam o reconhecimento a um patamar superior: trata-se de uma experiência excepcional, capaz de justificar um desvio deliberado na viagem. Já as três estrelas representam o ápice da consagração gastronômica : um destino em si, que merece ser buscado e vivenciado com propósito.
É inegável o impacto da avaliação do Guia Michelin exerce no cenário gastronômico mundial. Receber uma estrela Michelin tem o poder de redefinir o destino de um restaurante: mais do que um selo de prestígio, trata-se de um reconhecimento que projeta o estabelecimento ao olhar atento de viajantes e apreciadores da alta cozinha em escala global. O impacto é imediato: amplia-se a visibilidade, consolida-se a reputação e eleva-se o nome do chef a um patamar de excelência internacional. Estar presente no guia é, sobretudo, a confirmação de que aquele endereço atende aos mais rigorosos padrões de qualidade, criatividade e consistência.

Cerimônia de Premiação do Guia Michelin 2026, realizada no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.
O Brasil é o primeiro país da América Latina a ter dois restaurantes 3 estrelas do prestigiado Guia Michelin 2026. O Copacabana Palace, A Belmond Hotel foi palco da edição 2026 da mais importante premiação da gastronomia mundial: O Tuju e o Evvai, de São Paulo, receberam Três Estrelas; D.O.M, Lasai e Oro mantiveram suas Duas Estrelas, e Madame Olympe conquistou Uma Estrela, enquanto Anderson Oliveira, do D.O.M, foi premiado como Coquetel Excepcional, a grande novidade este ano.
Os premiados reafirmam o protagonismo da gastronomia brasileira no cenário internacional, consolidando sua relevância e prestígio entre as grandes tradições culinárias do mundo. São destinos que não apenas servem refeições, mas oferecem experiências capazes de justificar a própria viagem exatamente como idealizaram, há mais de um século, os irmãos Michelin. É como se, ao redor da mesa, o mundo inteiro coubesse em um único e inesquecível instante.



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