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Brasil,30/04/2026

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    Glória Barcelos

    A Criança que Nunca Cresceu

    a força invisível que governa sua vida

    Gerada por IA
     A Criança que Nunca Cresceu Relacionamento de casal e a sombra criança ferida

    Escolhi abordar este tema por acreditar que todo adulto, em alguma medida, experimentou negligências na infância. Somos seres em constante construção e, muitas vezes, buscamos proteção motivados por uma criança interna ferida ou frustrada. Paradoxalmente, é essa mesma criança que também nos impulsiona a conquistar o mundo, a buscar sentido mais profundo para a vida e a fazer brilhar a luz que habita em cada um de nós. Quando essa criança é ferida, torna-se essencial cuidar dela.

    Nossos pais, avós e toda a nossa ancestralidade, em grande parte, foram formados sob uma educação autoritária, sem preparo emocional para atender às necessidades mais sutis de uma criança  como: afeto, acolhimento, brincadeira e liberdade de expressão. Ao chegarmos à vida adulta, levamos para os relacionamentos afetivos as marcas dessas experiências frustradas, além de medos, perdas e dores diversas.

    Não raramente, duas pessoas emocionalmente fragilizadas se unem na tentativa de construir uma família. Contudo, sem os recursos internos necessários, enfrentam dificuldades para sustentar uma relação equilibrada. Assim, o que antes era um sonho pode se transformar em um vínculo marcado por conflitos, dependência emocional ou até relações abusivas. Em muitos casos, um dos parceiros suporta a situação por longos períodos, até que o desgaste se torne insustentável.

    Quando um casal está envolvido em um emaranhado emocional profundo, os desafios parecem se suceder sem pausa. Nesse cenário, buscar ajuda torna-se indispensável, pois uma pessoa emocionalmente adoecida dificilmente consegue se reorganizar sozinha. A dor não elaborada conduz a acusações, distanciamento e ao predomínio do egoísmo, que obscurece o amor, razão primeira da união entre duas pessoas.

    No contexto familiar, o filho necessita do amor dos pais para desenvolver-se de forma saudável e seguir a vida com mais segurança e paz. Esse amor funciona como fonte vital para o ser humano cumprir sua missão, encontrar propósito e viver com plenitude. O princípio de honrar pai e mãe, presente em diversas tradições, aponta para a importância do reconhecimento e da aceitação das nossas origens como caminho de fortalecimento interior. Quando essa conexão é rejeitada ou negada, podem surgir impactos significativos na saúde emocional e nos relacionamentos futuros.


    Cada indivíduo interpreta sua história de maneira única. A forma como vivenciamos a infância não depende apenas dos fatos, mas também da maneira como os internalizamos. Posso compartilhar, como exemplo, a minha própria trajetória. Durante muito tempo, ignorei sinais da minha criança interior, até que lembranças e emoções reprimidas começaram a emergir num período em que eu enfrentava a dor de uma perda importante. O luto foi um ativador levando-me a um processo de transformação. Iniciei um caminho de reconexão comigo mesma. Percebi que havia escondido minhas dores atrás de uma rotina intensa de trabalho. Embora não me identificasse claramente com as cinco feridas emocionais mais conhecidas abandono, rejeição, humilhação, traição e injustiça, compreendi que minha história também carregava marcas importantes.Trabalhei desde muito cedo para ajudar minha família, o que me impediu de viver plenamente a infância. Essa realidade, comum em muitos contextos, trouxe aprendizados valiosos, como responsabilidade e proatividade. No entanto, também contribuiu para o desenvolvimento de traços como rigidez, autocobrança excessiva e necessidade de controle. Foi através de uma sessão de constelação que identifiquei a raiz das minhas angústias mais profundas. As experiências da infância ficam registradas em nosso subconsciente e influenciam profundamente nossas escolhas e comportamentos na vida adulta.


    Outro exemplo significativo é o de “Sara” (nome fictício). Ela perdeu o pai biológico aos dois meses de vida e foi criada por um padrasto afetuoso, que assumiu plenamente a função paterna. Cresceu aparentemente equilibrada, sem perceber a ausência do pai biológico. No entanto, ao iniciar seus relacionamentos amorosos na juventude, enfrentou sucessivas frustrações.


    Ao olhar mais profundamente para sua história, emergiu a marca do abandono precoce. Mesmo tendo recebido amor do padrasto, o vínculo com o pai biológico permanecia, de forma inconsciente, como uma lacuna não reconhecida. Ao tomar consciência dessa ausência e integrar essa realidade com aceitação, sua vida começou a fluir com mais leveza. Ela compreendeu que buscava, nos parceiros, uma figura paterna, algo que nenhum relacionamento amoroso poderia suprir.


    Esse entendimento revela um ponto essencial: não somos nossas feridas. Embora sejamos influenciados por elas, temos a capacidade de ressignificar nossas experiências. A neurociência já demonstrou que o cérebro possui plasticidade, ou seja, é capaz de se reorganizar e criar novos padrões ao longo da vida.


    Isso significa que é possível reprogramar crenças, curar emoções e construir uma trajetória mais consciente e equilibrada. Cuidar da criança interior não é apenas revisitar o passado, mas abrir espaço para um presente mais leve e um futuro mais pleno.


    Afinal, estamos aqui para evoluir, amar e viver com mais consciência.


     



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     



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