Seja bem-vindo
Brasil,13/06/2026

    • A +
    • A -

    Universidade FUMEC promove diálogo multidisciplinar na 2ª edição do Novembro da Consciência Negra

    Da saúde pública à matemática: a programação abordou temas cruciais como direito antirracista, estética, cultura, comunicação e ancestralidade


    Universidade FUMEC promove diálogo multidisciplinar na 2ª edição do Novembro da Consciência Negra Foto: Marketing Universidade FUMEC

    Em celebração ao Mês da Consciência Negra, a Universidade FUMEC, de Belo Horizonte, realizou a 2ª edição do Novembro da Consciência Negra, uma série de rodas de conversas e atividades que ocorreram entre os dias 11 e 13 de novembro. O evento, de iniciativa do Projeto de Extensão Cultura, Diversidade e Consciência Negra, teve como principal objetivo fomentar o diálogo intercultural e sensibilizar a comunidade acadêmica para a diversidade e inclusão. Professores, alunos e convidados puderam participar de ricas discussões sobre pertencimento e representatividade do povo negro na sociedade brasileira.

    O Projeto de Extensão Cultura, Diversidade e Consciência Negra nasceu com a necessidade de responder à crescente diversidade do corpo discente da FUMEC, resultante do processo de democratização do acesso ao ensino superior. 

    “Com o aumento da presença de estudantes de grupos étnico-raciais diversos e outras minorias, a iniciativa se justifica pela urgência de garantir não apenas a permanência, mas a plena valorização e o pertencimento desses alunos no ambiente acadêmico”, relata a professora Renata Felipe Silvino, coordenadora do projeto.
    “Conforme indicam estudos sobre o tema, o acesso por si só não basta; é fundamental que a instituição promova ativamente a equidade racial, enfrente as barreiras estruturais, crie espaços de pertencimento e combata sentimentos de exclusão e invisibilidade que levam à evasão”, completa.




    Primeiro dia de evento: luta antirracista, comunicação e saúde pública

    A abertura do ciclo de atividades contou com a dinâmica "Caminhada do Privilégio", conduzida por duas personalidades que representam e inspiram a transformação na luta antirracista e pela igualdade: a pedagoga Camila Danielle Dias, que foi integrante do programa Ações Afirmativas na UFMG e atualmente é tutora Educacional da FUMEC; e Douglas Santana, jovem preto e periférico, publicitário, presidente da Atlética FUMEC e diretor de Direitos Humanos da Prefeitura de Nova Lima.


    Com a proposta de fomentar o debate, o primeiro dia da mostra também contou com a roda de conversa “Comunicação Antirracista”. A atividade foi mediada pelo jornalista, doutor e mestre em Ciências Sociais, docente dos cursos de Jornalismo e Publicidade da FUMEC, professor Aurélio José da Silva. Para compor o painel de discussões, a roda de conversa recebeu os convidados: Carolina Oliveira, designer de ambientes, historiadora, mestre em Educação (UFMG) e especialista em Equidade Racial; e Bruno Torquato, jornalista, especialista em Comunicação Estratégica e integrante do Coletivo Lena Santos de Jornalistas Negros e Negras.

    Questões de saúde pública também foram pautadas no Novembro da Consciência Negra da FUMEC. Para finalizar o primeiro dia de evento, a noite contou com uma roda de conversa que abordou o tema "Saúde da População Negra: Desafios e Assistência na Doença Falciforme". A mediação ficou a cargo de Flávia Nolasco Reis, nutricionista formada pela UFMG, especialista em Saúde Pública e mestranda em Administração pela Universidade FUMEC. A mesa de debate reuniu um time de especialistas da Fundação Hemominas: a psicóloga Adriana Pereira de Souza, mestre em Psicologia com ênfase em Saúde; a assistente social Nadma Dantas Silva, especialista em Saúde Pública; e a médica hematologista Denise Soares Zouain, com especialização em Hematologia pelo Hospital Felício Rocho.


    Foto: Marketing Universidade FUMEC



    Foto: Marketing Universidade FUMEC


    Arte, estética e justiça racial marcaram o segundo dia da mostra

    A música inaugurou o segundo dia do Novembro da Consciência Negra. Em uma parceria de longa data com a FUMEC, a Associação Querubins, encantou o público com uma apresentação de percussão. Mais do que um espetáculo musical, a participação do Querubins serviu para celebrar a potência da percussão como expressão cultural e ancestral, reconhecer o papel da arte na formação de identidade e comunidade e, ainda, consolidar a união entre a FUMEC e a comunidade por meio da cultura e da educação.

    Temas que abordam a estética afro-brasileira e o realce da beleza negra foram destaque na mostra idealizada pelo projeto de extensão da FUMEC. O evento promoveu o workshop "Técnicas de Belezamento do Cabelo Afro", oferecendo uma vivência prática para fortalecer o reconhecimento das identidades e a estética como expressão cultural. As atividades foram coordenadas pela professora e Coordenadora do curso de Bacharelado em Estética da Universidade FUMEC, Fernanda Falci Ribeiro Tunes, e contaram com a colaboração das graduandas em Estética da FUMEC, Eduarda Cecília de Castro Bonifácio e Vitória de Jesus Paixão, que compartilharam dicas acerca do cuidado com o cabelo afro.

    Além disso, o Novembro da Consciência Negra da FUMEC dedicou espaço a um debate crucial sobre justiça e equidade com a roda de conversa "Direito Antirracista". O encontro buscou explorar os caminhos para a construção de um ordenamento jurídico verdadeiramente inclusivo que ligue Direito, democracia e justiça racial. A mediação ficou a cargo da professora Gabriela Oliveira Freitas, coordenadora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade FUMEC, doutora em Direito Processual e assessora judiciária no TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). O painel contou ainda com a participação de Cleonice Amorim de Paula, graduada em direito, servidora do Judiciário Mineiro, especialista em Docência em Ensino Superior e integra Comissões de Heteroidentificação; e Gladson Reis, bacharel em Direito pela Universidade FUMEC, mestrando em Democracia e Instituições Sociais pela Universidade FUMEC e ativista socioambiental focado no combate ao racismo ambiental.

    Durante sua participação, Gladson Reis abordou sobre o mito da democracia racial e da igualdade no Brasil. Ele enfatizou a disparidade histórica, afirmando que a escravidão durou 388 anos, enquanto a liberdade existe há apenas 137. 

    "A igualdade foi garantida formalmente, apenas ‘para inglês ver’", declarou. Além disso, o ativista apresentou dados econômicos alarmantes, garantindo que "o Brasil poderia ter uma economia 30% maior se fosse menos desigual e se os negros, que representam 52% da população, tivessem as mesmas oportunidades das pessoas brancas". Ele concluiu que o país perde anualmente cerca de R$ 1 trilhão devido à disparidade de renda entre negros e brancos.


    Foto: Marketing Universidade FUMEC


    Ancestralidade, ciência e formação da sociedade finalizaram a série de debates

    O último dia do Novembro da Consciência Negra da FUMEC contou com a energia e a força da cultura afro-brasileira, por meio de uma roda de Capoeira realizada pelo projeto Mais Capoeira. A iniciativa proporcionou ao público uma vivência da capoeira como expressão cultural e social, reforçando os valores de inclusão e cidadania. Criado e coordenado por Mestre Soin (Ricardo Rosa de Jesus), o projeto social Mais Capoeira atua há nove anos na valorização da cultura afro-brasileira através dessa arte.

    Em uma demonstração da amplitude do debate, até mesmo as ciências exatas foram pautadas nas questões da africanidade. O Novembro da Consciência Negra incluiu o workshop "Matemática Africanizada: Conectando Culturas e Saberes". A atividade propôs uma reflexão sobre a integração entre matemática, ancestralidade e saberes culturais, convidando o público a repensar o lugar do conhecimento científico em uma perspectiva diversa e inclusiva. O encontro foi conduzido pela professora dos cursos de Engenharia e Arquitetura da FUMEC, mestra e doutora pela UFMG e coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Processos Construtivos da Universidade FUMEC, Edna Alves Oliveira. 

    A professora Edna Alves enfatizou que a matemática utilizada pelos povos africanos “precede a era cristã e está presente na geometria de suas construções, que frequentemente adotavam representações em formas de curvas, círculos, esferas e cones.” Ela ainda destacou que o conhecimento africano possuía, e ainda possui, uma forte justificativa social e ambiental. Dessa forma, o debate propôs uma reflexão que valoriza os saberes, práticas e métodos de raciocínio desenvolvidos por povos africanos e afro-diaspóricos ao longo da história. 


    Ademais, a programação culminou em uma roda de conversa inspirada na filosofia africana dos povos bantos: Ubuntu - "Eu sou porque nós somos". O encontro buscou criar um espaço de aquilombamento, troca de saberes e apoio mútuo, convidando os estudantes a compartilharem vivências e estratégias de permanência acadêmica, fortalecendo vínculos e construindo coletivamente caminhos mais saudáveis e dignos. A mediação da atividade ficou por conta de Camila Danielle Dias, pedagoga (UFMG), mestranda em Tecnologia da Informação pela Universidade FUMEC e tutora educacional da instituição.

    Por fim, o último dia de conscientização acerca das lutas do povo negro foi marcado pela roda de conversa "A história que a história não conta: diálogos sobre a formação da sociedade brasileira". O debate final propôs uma imersão na construção histórica e social do Brasil sob uma ótica crítica e inclusiva. A mediação foi dada pelo professor Alessandro Pereira dos Santos, doutor e mestre em Psicologia pela PUC Minas e docente da Universidade FUMEC, que estuda temas como raça, território e segurança pública. 

    Durante o encontro, o professor compartilhou importantes reflexões acerca da ancestralidade, destacando que o conceito transcende a religiosidade: “A ancestralidade não tem a ver necessariamente com religiosidade. A ideia de ancestralidade significa que, para você chegar onde chegou, outros fizeram o caminho. E quando você chegar onde chegou, você é responsável por abrir caminhos para os novos. Eu não cheguei no lugar que cheguei, como professor universitário, sem os meus”.

    A discussão contou com as valiosas contribuições de Karine Waridã Xakriabá, estudante de Direito na UFMG e articuladora da juventude e resistência dos povos originários; e de Fídias Gomes Siqueira, psicanalista, pós-doutor pela PUC Minas, especialista em Segurança Pública e Justiça Criminal pela Fundação João Pinheiro e autor do livro “Racismo Cínico: perspectivas psicanalíticas e as trilhas do gozo racista” (lançado em novembro de 2024), cuja tese de doutorado foi premiada como Melhor Tese do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG em 2022.


    Foto: Marketing Universidade FUMEC


    Caminhada Belos Horizontes Negros

    Para dar continuidade à série de celebrações do Mês da Consciência Negra, o evento da Universidade FUMEC incluiu uma atividade externa no domingo, 16 de novembro, a “Caminhada Belos Horizontes Negros: Rota Maria do Arraial”. A iniciativa, que celebrou as vidas negras e a história afro-brasileira em Belo Horizonte, foi uma parceria com a Sensações Turismo e o Guia Negro. O ponto de encontro para a Rota Vidas Negras foi no Coreto da Praça da Liberdade.


    Dezembro: mês dedicado ao afroturismo

    Além do mês de novembro, em que celebramos o Dia da Consciência Negra (20/11), o projeto de extensão da FUMEC escolheu o mês de dezembro para dar continuidade às atividades de fortalecimento da identidade negra e da memória afro-brasileira.

    Nesse sentido, o Projeto de Extensão Cultura, Diversidade e Consciência Negra apoiará o 1º Congresso Brasileiro de Afroturismo (CBAFRO), que será realizado entre os dias 03 e 05 de dezembro de 2025. A parte acadêmica do evento será sediada nas dependências da Universidade FUMEC no dia 4 de dezembro.


    Embora a Universidade FUMEC não possua uma graduação na área de Turismo, as atividades realizadas em parceria com o CBAFRO visam dialogar com diversos cursos, como Arquitetura e Urbanismo, Direito, Administração, Comunicação Social e Design e Estética. O caráter interdisciplinar do congresso reforça a proposta do projeto de extensão.

    Para a professora Renata Felipe, coordenadora do projeto, “o afroturismo, constitui uma importante estratégia de fortalecimento das identidades negras e de geração de renda para comunidades historicamente marginalizadas.” A docente completa, destacando que essa prática “valoriza as expressões culturais negras, os territórios de memória e as experiências de resistência”.

    O 1º Congresso Brasileiro de Afroturismo (CBAFRO) é promovido pela Sensações Turismo, parceira de longa data do projeto de extensão, e pela Guia Negro. A parceria da universidade com a Sensações Turismo busca consolidar uma rede de cooperação entre a Universidade FUMEC e o setor turístico, destacando os impactos positivos resultantes do afroturismo enquanto campo de pesquisa, como a valorização cultural e intervenção social.


    Fotos: Marketing  Universidade FUMEC




    COMENTÁRIOS

    Heloísa em 20/11/2025

    Parabéns!! Incrível o trabalho da Universidade Fumec, especialmente,da Professora Dra Edna Alves. Januária, o seu profissionalismo é perfeito!!

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Recuperar Senha

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.