Por que a “orelha de Ozempic” está em todas as conversas?

O mundo inteiro já aprendeu a reconhecer — e comentar — os efeitos visíveis das canetas emagrecedoras. Rosto mais fino, mandíbula marcada, aquele ar de “derretimento facial” que virou pauta global. Mas uma nova região do corpo entrou no radar: os lóbulos das orelhas. Sim, eles também estão mudando. E mais rápido do a gente esperava.
Chamado lá fora de “Ozempic earlobes”, o sintoma é a flacidez acentuada nos lóbulos após o uso de medicamentos GLP-1, como Ozempic e Wegovy. E, para minha supresa, a queixa tem chegado com certa frequência aos consultórios aqui do país também. “Muitas pacientes estão relatando esse efeito”, diz a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Explico para elas que isso acontece porque o lóbulo da orelha é formado apenas por pele e gordura. Quando há emagrecimento rápido e intenso, o caso do uso nas canetas, ele pode ficar murcho e com vincos, exatamente como acontece no rosto.”
Ver a orelha derretendo é uma sensação inesperada, um aviso de que o corpo está “cedendo” em lugares que nunca chamaram atenção antes.
“A orelha já era uma região que envelhecia com perda de sustentação. Mas com o uso das canetas, a gordura acaba sendo removida até de áreas que normalmente não mudam tanto com dietas tradicionais. Isso antecipou as queixas de muitas das minhas pacientes”, conta a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
A verdade é que o emagrecimento rápido não dá tempo para que a pele acompanhe a transformação. E isso vale para tudo: abdômen, braços, mamas, glúteos, e, claro, lóbulos. O corpo não não consegue se reorganizar depois de uma perda acelerada de gordura.
“Qualquer região pode manifestar uma flacidez exorbitante quando o emagrecimento não é controlado”, reforça a cirurgiã.
Que venham os brincos!
Mas se a flacidez aparece de surpresa, as soluções também são rápidas. Entre os procedimentos mais procurados estão os preenchimentos, que devolvem volume e sustentação ao lóbulo.
“Eu gosto de usar ácido hialurônico. É simples, rápido e o resultado é muito satisfatório”, diz a dra. Paola. A técnica dura poucos minutos e o efeito é imediato. "É uma pequena intervenção que devolve harmonia ao rosto como um todo, especialmente para quem usa brinco e sente que a peça está 'rasgando' o furo."
Outras alternativas incluem enxerto de gordura (geralmente associado a lipoaspiração) e, em casos de flacidez excessiva, pequenas cirurgias para remover o excesso de pele. “Dependendo da sobra de tecido, podemos corrigir o lóbulo durante um lifting facial, com uma cicatriz discreta posicionada atrás da orelha”, explica a dra. Heloise.
O fenômeno dos “lóbulos Ozempic”, na verdade, é apenas mais um capítulo dessa era em que emagrecimento rápido virou promessa acessível. E, também, das cobranças excessivas em relação ao corpo. Nem a orelha passou impune.



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